[FanFic] Vampire Academy (O Beijo das Sombras) - Por Dimitri Belikov

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Re: [FanFic] Vampire Academy (O Beijo das Sombras) - Por Dimitri Belikov

Mensagem por shadowangel em Ter Jan 24, 2012 7:15 pm

Thaís Oliveira escreveu:Oi, bem como eu ja disse uma vez, adoro o jeito como voce escreve. A Algum to meio que escrevendo uma história (naõ é relacionada a Academia de Vampiros), e fiz um blog onde vou postar a história, gostaria que voce, pelo menos desse uma lida apenas no prefácio e me desse alguns conselhos, obrigada.
momentoseternos.criarumblog.com

Ah, sim claro que vou lá ver!
Nossa, quem sou eu para aconselhar?! Embarassed Embarassed
Mas prometo cometar!
abs
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CAPÍTULO 34

Mensagem por shadowangel em Ter Jan 24, 2012 7:17 pm

“O mais comum é que guardiões trabalhem em dupla.” Spiridon explicava, enquanto Rose ouvia a tudo atentamente “um guardião fica próximo do protegido enquanto o outro observa os arredores, de longe. É o que chamamos de guardião de perto e guardião de longe.”

“Você provavelmente sempre será a guardiã de perto.” Eu falei para Rose “você é mulher e da mesma idade da Princesa. Poderá ficar perto dela sem chamar muita atenção.”

“E eu não poderei nunca tirar meu olhos dela. Ou você.” Rose falou, como uma boa aluna. Novamente senti uma tensão tomar conta de mim, mas controlei meus pensamentos. Inconscientemente Rose tinha falado outra coisa importante em nosso trabalho: meus olhos deveriam estar em Lissa e não em outra coisa, ou outra pessoa...

Meus pensamentos foram cortados pela risada de Spiridon. “Você tem uma estudante brilhante aqui.” Ele falou erguendo as sobrancelhas “deu a ela alguma estaca?”

“Não. Ela não está pronta.”

“Eu estaria se alguém me mostrasse como usar uma.” Rose disparou, olhando para mim.

“Existe mais do que simplesmente usar uma estaca. Você ainda terá que estudá-las. E ainda deverá ser capaz de matá-los.” Falei assumindo o meu modo de mentor sábio.

“Por que eu não seria capaz?”

“A maioria dos Strigois eram Morois que se transformaram de propósito. Às vezes, eles eram Morois ou dhampirs que foram forçados a se transformarem. Não importa. Tem uma probabilidade bastante alta de que você reconheça alguns deles. Você seria capaz de matar alguém que você conhecia?”

A expressão dela se tornou séria e hesitante. “Eu acho que sim.” sua resposta foi sem firmeza “eu teria que fazer isso, certo? Se estiver entre eles ou Lissa...”

“Ainda sim você poderia hesitar. E essa hesitação poderia matar a você e a ela.”

“E como você se certifica que não vai hesitar?”

“Você tem que ficar repetindo para sim mesmo que aquelas não são mais as pessoas que você conhecia. Elas se transformaram em algo negro e distorcido. Algo que não é natural. Você tem que abandonar o que ligava você a eles e fazer o que é certo. Se eles pudessem ter algum vestígio de si mesmo, certamente ficariam agradecidos.”

“Agradecidos por eu matá-los?”

Eu a olhei firmemente. Estávamos falando de um assunto muito sério e eu queria que ela entendesse isso. “Se alguém lhe transformasse em uma Strigoi, do que você gostaria?”

Ela engoliu seco. Pelos seus olhos eu podia ver sua mente girando com essa situação hipotética. Eu mantive meus olhos fixos nos dela, ainda a pressionado.

“O quê você iria querer se soubesse que eles iriam lhe converter em uma Strigoi contra a sua vontade? Se você soubesse que iria perder todo senso de moral e entendimento do que é certo e errado? Se você soubesse que iria passar o resto de sua vida – sua vida imortal – matando pessoas inocentes? O quê você iria querer?”

Ela permaneceu me olhando profundamente. A van ficou estranhamente silenciosa. Foi como se todo mundo tivesse parado para ouvir a nossa conversa. Mas para mim era como se só existisse Rose e eu. Eu sabia que ela podia entender onde eu queria chegar. Rose tinha um profundo senso de certo e errado. Conhecia bem os deveres de um guardião. E eu podia me enxergar nela. De uma maneira diferente, ela parecia comigo. É difícil de explicar.

“Se eu me transformasse numa Strigoi... eu ia querer que alguém me matasse.” Ela falou por fim, refletindo em todas as palavras os meus pensamentos. Era o que eu iria querer também, em uma situação dessas.

“Eu também.” Falei muito baixo, só para ela ouvir.

“Isso me lembrou Mikhail caçando Sonya.” Victor murmurou pensativo.

“Quem eram Mikhail e Sonya?” Lissa perguntou.

“Bom, eu pensei que você soubesse. Sonya Karp.” Victor respondeu, parecendo surpreso.

“Sonya Kar... você quer dizer a Sra. Karp? O que tem ela?” Ela perguntou olhando entre Victor e Rose.

“Ela... ela se transformou em uma Strigoi.” Rose respondeu, olhando para baixo. “Por escolha.”

Lissa parecia estar em choque. Sonya Karp era uma professora da Academia que tinha supostamente enlouquecido e virado uma Strigoi.

“Mas eu não sei quem é esse Mikhail.” Rose acrescentou.

“Mikhail Tanner” falou Spiridon.

“Ah, o Guardião Tanner. Ele estava na escola, antes de partirmos.” Rose falou pensativa e levemente assustada, como se estivesse associando as peças “Mas porque ele estava perseguindo a Sra. Karp?”

“Para matá-la.” Eu respondi secamente “Eles eram amantes.”

Um ar pesado tomou conta de toda a van. Eu sabia por quê. Uma coisa é você matar um Strigoi que lhe ataque. Outra coisa é você caçar uma pessoa que você ama, que se transformou, para matá-la.

“Talvez esteja na hora de falarmos sobre outra coisa.” Victor quebrou o silêncio, com uma voz gentil “Hoje não é dia para arrastarmos tópicos deprimentes.”

Com isso, as conversas se voltaram aos assuntos amenos da Corte. Rose mergulhou em um profundo silêncio, se tornando muito pensativa. Eu e Spiridon ainda passamos algumas lições para ela, mas ela ouviu a tudo, sem questionamento ou dar sua opinião. Mesmo assim, todos pareciam aliviados quando chegamos ao shopping.

Spiridon e Stan andavam sempre ao lado de Victor. Eu e Ben fomos para longe, todos nós nos comunicando por meio de rádios conectados a discretos fones de ouvidos. Antes de nos afastarmos Rose veio até mim.

“Hey, Camarada, onde está o meu radio comunicador?”

Eu me mantive sério, enquanto prendia os fios do fone de ouvidos na gola do meu casaco, “Para quê você quer um rádio comunicador?”

“Ora essa! Eu estou em serviço, não estou? Eu preciso me comunicar com vocês” ela exclamou em exaspero.

“Você não precisa. Irá aprender mais se não estiver usando um. Apenas observe. Se você aprender como se faz a proteção do jeito antigo, sem o uso de tecnologias, irá poder lidar com qualquer coisa.” Falei seriamente, com ar de negócios e tom de final de assunto. Embora quisesse rir daquilo. Rose tinha mesmo assumido o papel de guardiã, de que esta saída da Academia era trabalho e não passeio.

Rose permaneceu andando ao lado de Lissa e parecia extremamente feliz. Era metade do mês de novembro e o shopping estava repleto de pessoas e completamente enfeitado para o natal, que deixava tudo mais aconchegante. Começamos uma verdadeira maratona de compras.

Eu andava distante, me esforçando para não parecer um perseguidor e chamar a atenção das pessoas para isso. No máximo, se alguém notasse, eu passaria como um segurança de alguém muito rico. Eu percebia que Rose não tirava os olhos de mim, ou bem, no trabalho que eu estava fazendo, achei melhor pensar assim.
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Re: [FanFic] Vampire Academy (O Beijo das Sombras) - Por Dimitri Belikov

Mensagem por Convidad em Qua Jan 25, 2012 1:01 pm

Perfeito *-* Continuaaaaaaaaaaaaa

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CAPÍTULO 35

Mensagem por shadowangel em Qui Fev 02, 2012 5:18 pm

Uma verdadeira maratona de compras começou. À princípio, Victor acompanhava tudo, mas logo depois, resolveu esperar sentado em um dos bancos do passeio do shopping. Quando elas entravam em lojas pequenas, eu e Ben nos mantínhamos do lado de fora, observando tudo de longe.

Entramos em uma loja gigantesca de departamentos. Esta tinha alas masculinas e femininas, então eu poderia ficar por lá sem levantar suspeitas. Passei pelos cabides de roupa pegando algumas peças, mas sem realmente ver nada. Minha atenção estava totalmente voltada para os arredores e para as garotas que, inacreditavelmente, ainda encontraram mais coisas para comprar. Pilhas e pilhas de roupas foram se acumulando nos ombros de Lissa, Natalie e Camille. Rose apenas andava com elas, passando a vista pelas peças. Cada roupa que ela pegava, procurava por mim, como se buscasse a minha aprovação. Era engraçado aquilo. Eu nunca tinha imposto nenhuma restrição a ela quanto as suas vestimentas, mas era como se ela quisesse que eu aprovasse o que ela escolhia.

“Isso é tão você” Lisa estendeu para Rose um cabide com uma blusa. “Eu vou comprar para você.”

Os olhos de Rose brilharam, enquanto ela contemplava a blusa. E, novamente, ela me procurou e balançou negativamente a cabeça.

“O inverno está chegando. Eu vou ficar com frio.”

“Isso nunca foi um impedimento para você” Lissa falou, enquanto pegava mais calças jeans. “Você já comprou três camisas térmicas e uma canguru. Você está agindo como uma chata comigo.” Pelo visto, Lissa não aprovava as compras de Rose.

“Hey, eu não vejo você comprando tops de vadias.” Rose replicou.

“Não sou eu que os uso.” Lissa provocou.

“Muito obrigada.”

“Você sabe o que eu quero dizer. Veja só, você até está usando o seu cabelo preso.”

Rose ficou pensativa, provavelmente ela ainda não tinha se dado conta de sua mudança de comportamento. Realmente, ela estava bem mais séria e responsável. Continuei andando por entre os cabides, e a conversa delas ficou distante, de forma que não conseguia mais ouvir. Mas eu não podia simplesmente ficar parado, em pé, no meio da loja e continuei circulando.

Casualmente, me aproximei novamente do grupo, enquanto Lissa e Camille entram nos provadores. Rose passava os olhos por uma arara de calças jeans, obviamente desejando poder ter uma delas, ou todas elas. Ela não tinha recursos para comprar tantas roupas como as outras, mas eu duvidava que Lissa negaria qualquer coisa que ela quisesse, mas mesmo assim, Rose não escolheu nada. Natalie estava mais distante, olhando algumas blusas, quando Lissa colocou a cabeça para fora do provador.

“Rose! O que você ainda está fazendo aí? Não escolheu nada?”

“Hum... Não...” Rose respondeu, enquanto olhava na minha direção.

“Não estou lhe reconhecendo!” Lissa falou, com voz incrédula. “Venha, venha, preciso da sua opinião”.

Rose andou calmamente, para a porta do provador, colocando a cabeça e metade do corpo para dentro. Eu observava aquela cena tão distraído que não percebi onde eu tinha parado. Por isso fui pego de surpresa, com um toque no braço. Imperdoável para um guardião.

“Posso ajudá-lo?”

Virei e vi que eu estava encostado em um grande balcão de vidro, repleto de maquiagens, perfumes e todo tipo de cosméticos. Uma garota, que não parecia ser mais velha que Rose, sorria do outro lado, usando um impecável uniforme da loja e o rosto extremamente maquiado.

“Não, obrigado.” Respondi mecanicamente, tentando esconder meu constrangimento, olhando para o que tinha ali. Foi quando lembrei de como Rose tinha reclamado porque seu gloss estava acabando. Sinceramente, eu não sabia o que era um gloss, até ver Rose passando um nos lábios. Todo final de treino, ela sempre abria sua mochila e tirava um pequeno frasco, sacudindo muito.

“Não acredito que não tem mais nada! Não sei como poderei conseguir um gloss novo.” Ela resmungou certa vez, enquanto eu arrumava uns pesos de mão no suporte. Eu fingi que não estava ouvindo, como sempre fazia quando o assunto não era da própria aula.

De volta à loja, a vendedora ainda me olhava, notando que eu tinha permanecido ali, em pé, de frente para o balcão.

“Pensando melhor, você tem algum gloss?” Perguntei.

Ela sorriu, e de uma forma extremamente solícita voltou rapidamente com uma caixa transparente contendo dezenas de pequenos vidros. Tive a leve impressão que escolher um não seria uma tarefa fácil. Olhei para as meninas e Rose ainda estava na porta do provador, falando algo com Lissa. A garota começou pegando um frasco, pronta para me dar uma aula completa sobre as cores usadas na estação, quando eu a cortei.

“Eu vou ficar com este. Você pode embrulhar para mim?” Falei pegando um frasco aleatório e entregando a ela.

“Claro. Não quer aproveitar para levar também-“

“Não. Eu quero só isso.” Eu a cortei.

“Forma de pagamento?”

Depois que paguei, dobrei a pequena sacola e coloquei em um dos bolsos do meu casaco, tentando imaginar em qual ocasião eu poderia dar aquilo a Rose. Certamente, ela ficaria muito feliz. Quando levantei meus olhos, percebi que Natalie me olhava fixamente. Encontrando os meus olhos, ela corou um pouco e acenou com um sorriso tímido. Aquilo realmente me intrigou. Eu não consegui entender porque ela estava me observando de forma tão compenetrada. Sustentei o olhar e ela olhou para baixo, completamente embaraçada.

Ainda fiquei intrigado, mas afastei aqueles pensamentos assim que Lissa saiu do provador, falando com Rose e puxando um vestido preto que estava no cabide, perto da porta. Ela estendeu o vestido, com o rosto iluminado, mostrou para Rose.

“Você nasceu para esse vestido.” Lissa exclamou “Eu estou me lixando para o quão prática você é agora.”

Rose pegou o vestido, colocando em cima do seu corpo. Eu quase perdi os meus sentidos. Definitivamente, aquele não era um vestido qualquer. Era um vestido espetacular e era quase como se eu pudesse ver ela vestida com ele. Isso poderia ser mais perigoso do que um bando de Strigois.

“Esse é o meu vestido.” Rose falou, ainda hipnotizada por ele.

“Experimente.” Lissa praticamente ordenou. Rose negou com a cabeça, colocando o vestido de volta no lugar onde estava, começou a se afastar.

“Não posso. Comprometeria você. Um vestido não vale sua morte horrenda.”

“Então, vamos simplesmente comprar, sem que você experimente.” Lissa falou juntando o vestido ao restante de suas compras e indo direto ao caixa.

Era um erro. Comprar aquele vestido para Rose era um erro quase imperdoável.

A tarde de compras continuou, e elas pareciam incansáveis. Com exceção de Rose que parecia não se divertir muito, à medida que a hora avançava. Mas mesmo assim, ela não baixava a guarda, sempre assumindo papel de guardiã dedicada. Nós estávamos no horário humano, conseqüentemente, nossa hora de dormir estava trocada e eu também me sentia um pouco cansado daquilo, embora me mantivesse concentrado para não demonstrar isso para os demais.

Depois de uma parada para lanche, fomos para última loja. Uma joalheria. Victor já parecia completamente exausto, mesmo assim, fiquei impressionado por ele ter agüentado tudo, sem reclamar, sempre parecendo paciente e solicito com as garotas.

“Aqui vamos nós!” Lissa apontou para uma jóia que estava exposta “O colar perfeito para aquele vestido.” Ela pegou uma delicada corrente, com brilhantes cor de rosa. Rose olhou para ela, ainda parecendo desanimada.

“Eu odeio coisas cor de rosa.”

Lissa puxou a etiqueta do preço e logo o seu sorriso desapareceu. Foi a vez de Rose sorrir vitoriosa.

“Oh, veja isso. Até mesmo você tem limites! Seus gastos desenfreados finalmente terminaram.”

Nós saímos da joalheria, mas Victor e Natalie ainda permaneceram lá, terminando umas compras. A quantidade de sacolas era algo impressionante e as garotas pareciam exaustas, porém satisfeitas.

Quando nos acomodamos no carro, já a caminho da Academia, todos estavam silenciosos. O sol ainda brilhava alto no céu e isso significava que era o meio da madrugada para os vampiros. Como exceção dos guardiões, todos os demais se acomodaram para dormir. Rose, que não estava acostumada a virar a noite em turnos como nós, se reclinou contra o banco, soltando um longo bocejo. Todo o seu braço direito tocava no meu, tanto que eu podia sentir um pouco do peso do seu corpo se apoiando em mim. Aquela proximidade fez algo queimar em mim. Olhei pela janela, tentando não pensar nisso.

“Algum dia eu ainda vou poder experimentar roupas de novo?” ela perguntou sonolenta, não deixando a minha atenção ir para longe.

“Não pode quando estiver em serviço. Poderá fazer quando estiver de folga.” Falei mantendo o tom profissional. Victor ainda estava acordado, mas não parecia muito atento em nós.

“Eu nunca vou querer folga. Eu quero sempre estar cuidando de Lissa.” Ela bocejou novamente. “Você viu aquele vestido?”

“Eu vi o vestido.” Respondi tentando manter a dureza na voz. Por que ela tinha que me perguntar aquilo? Parecia que ela podia sentir que imaginar ela usando aquele vestido quase me tirou de tempo.

“Você gostou?”

Eu não podia responder. O que eu ia dizer? A verdade? Que o vestido era fantástico e que seria desnorteante quando ela usasse? De jeito nenhum que eu falaria isso. Também não iria mentir, não tinha necessidade disso. Achei melhor ficar calado, eu nunca me arrependia do meu silêncio.

“Eu vou por em perigo minha reputação se eu o usar no baile?”

“Você vai por em perigo a escola.” Eu falei em um sussurro que nem eu mesmo ouvi direito. Na verdade, foi mais um pensamento que escapou, do que palavras de verdade.

Ela sorriu e adormeceu.
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CAPÍTULO 36

Mensagem por shadowangel em Qui Fev 16, 2012 8:54 pm

A viagem seguiu silenciosa. As garotas dormiam e Victor apenas cochilava de tempos em tempos. Stan dirigia o carro. Spiridon e Ben permaneciam acordados e extremamente atentos. Eu olhava pela janela, perdido nos meus pensamentos. Ao meu lado, mergulhada em um sono profundo, Rose deu um suspiro. Eu olhei para ela e percebi que ela estava um pouco trêmula. Era quase o final da tarde e a temperatura tinha caído um pouco. Com bastante cuidado para não acordá-la, a afastei um pouco. Ela ainda estava, quase que totalmente apoiada em mim. Tirei meu casaco e coloquei por cima dela, de forma que ela ficou completamente coberta. Era um casaco grande e de couro, um sobretudo. Spiridon estava ao lado de Rose, observou tudo, com rosto ilegível.

Eu sabia que, como professor, não deveria demonstrar tanto cuidado em uma aluna, mas não me senti bem vendo Rose passar frio, enquanto eu estava agasalhado. Era parte o meu instinto protetor que me fazia cuidar dela.

“Você deveria ensinar a ela que um guardião não pode dormir em serviço.” Spiridon falou baixo e de forma irônica.

“Ela não é uma guardiã ainda. É uma estudante igual as outras três garotas.” Respondi diretamente, fazendo um movimento com a cabeça na direção dos bancos da frente, onde Lissa, Natalie e Camille estavam.

“Se eu não estou enganado, ela veio a serviço, não foi?”

“Não. Você não está enganado.”

“Relaxe, Belikov. Estou apenas lhe provocando.” Ele falou sorrindo. Eu não achei graça alguma e voltei a minha atenção para janela, fixando meus olhos no horizonte. Eu tentava me distrair, mas a proximidade com Rose era muito grande, mas mesmo assim não parecia ser suficiente para mim, eu ainda tinha vontade de envolvê-la com meus braços e trazê-la para ainda mais perto de mim. Tive que convocar bastante autocontrole para não fazer isso. Senti que ela se mexia e meu corpo esfriou quando ela, dormindo, apoiou a cabeça no meu ombro. Olhei imediatamente para o lado, e vi que Spiridon também tinha se concentrado na paisagem, fora da janela. Nem ele e nem os outros guardiões, que estavam no banco da frente, pareciam prestar a atenção em nós. Victor dormia, com a cabeça praticamente pendurada e a respiração pesada.

Eu sabia que eu deveria colocar Rose na posição certa, que eu deveria afastar a cabeça dela do meu ombro, mas eu não podia. Era incrível como uma atitude inconsciente dela, uma coisa tão simples, podia trazer uma sensação tão boa para mim. Eu não conseguia me privar disso, eu não queria sair de perto dela. Se eu pudesse prolongaria aquele momento. Mas ao contrário, a partir daí o restante da viagem passou rápido, como um piscar de cílios.

Logo pudemos ver as torres imponentes da Academia, se aproximando, à medida que avançávamos pela pequena estrada. Quando o carro parou, Rose despertou, imediatamente alerta. Ela me olhou e meu deu um lindo sorriso. Ela parecia feliz. E eu senti meu peito apertar mais uma vez. Eu gostava tanto dela, que chegava a doer.

Todos saíram e seguiram rumo a cafeteria da escola. Já era quase hora do café da manhã e todos já estavam famintos. Eu andava calado, logo atrás de todos.

“De volta à prisão.” Rose suspirou, andando ao lado de Lissa. “Talvez se você fingir um ataque cardíaco, eu poderia escapar de novo.”

“Sem suas roupas?” Lissa estendeu uma sacola. “Mal posso esperar para lhe ver usando o vestido.”

“Eu também. Se eles me deixarem ir ao baile. Kirova ainda está decidindo se eu fui boa o suficiente.”

De novo, aquele bendito vestido. Eu também mal podia esperar para ver Rose usando. Certamente Kirova a deixaria ir para o baile, depois que nós relatássemos seu bom comportamento nessa viagem. E eu sabia que ela seria a atração principal daquele baie.

“Mostre a ela aquelas camisetas sem graça que você comprou. Ela vai entrar em coma. Eu estou quase entrando.” Lissa brincou. Eu estava certo. Definitivamente, ela não tinha aprovado as escolhas da amiga para roupas.

Rose sorriu e, de uma forma sapeca, saltou para cima de um dos bancos de madeira. Os pátios eram cheios deles para os alunos se socializarem. Ela andou um pouco em cima e depois pulou de volta para o chão.

“Elas não são tão sem graça.”

“Eu não sei o que pensar desta nova e responsável Rose.”

“Eu não sou tão responsável.” Ela respondeu, enquanto saltava em outro banco.

“Hey,” chamou Spiridon, “você ainda está em serviço. Diversão não é permitida aqui.” Sua voz tinha uma nota de diversão. Ele me olhou e eu sabia que aquilo era mais para me provocar do que para repreender Rose.

“Não tem diversão aqui.” Ela replicou “Eu juro – merda!”

Quando Rose se preparava para pular do terceiro banco, a madeira que aparentemente estava sólida, se partiu, praticamente se desintegrando, fazendo com que o seu pé ficasse preso. Como ela tinha feito um impulso com o corpo para frente, sua perna virou completamente para trás. Eu podia jurar ter ouvido o barulho dos ossos dela se quebrando. Ela caiu para frente, com o tornozelo preso pelo banco, soltando um imenso grito de dor. Muita dor, pelo visto. Uma dor tão forte que a fez desmaiar.

Tudo isso aconteceu em poucos segundos. Mas para mim, foi como uma câmera lenta. A imagem dela caindo bateu em mim, de forma que eu não consegui pensar em mais nada a não ser salvá-la. Não só eu, mas todos correram para ela. Eu a segurei, levantando o seu corpo do chão, enquanto Spiridon e Bem quebravam o resto do banco para soltar seu pé. Lissa balançava o rosto dela, tentando fazer com que ela acordasse, mas não adiantava. Apesar de Rose abrir os olhos algumas vezes, ela não parecia nada consciente do que se passava à sua volta. Quando finalmente soltamos o seu pé, eu a ergui em meus braços e segui imediatamente para a clínica médica. Eu tentava, mas estava bem ciente que não estava conseguindo esconder minha preocupação. Um leve desespero tomava conta de mim. Eu não conseguia imaginar nada de ruim acontecendo com ela.

“Eu não posso ficar sem treinar. Isso vai me deixar fora dos treinos.” Ela repetia em meios a lampejos de consciência, enquanto eu a carregava. Lissa corria ao meu lado, extremamente séria e compenetrada. Chegamos ao ambulatório e apenas uma enfermeira estava lá. Ainda era cedo e boa parte das pessoas ainda não tinha acordado.

“Chame a Dra. Olendizki.” Ordenei para ela, enquanto levava Rose para a enfermaria.

Os outros nos alcançaram, Victor estava entre eles. Lissa ficou em pé ao lado dela, parecendo concentrada, segurando seu tornozelo, exatamente no local da fratura. Ela suava muito e respirava rápido. Eu andava de um lado para o outro, sem dar muita atenção aquela atitude dela. Parecia que a médica não chegava nunca. Rose chorava bastante, mas não respondia ao que perguntávamos com coerência.

Quando a Dra Olendizki chegou, pediu para que todos se afastassem e examinou o local da pancada. Rose ainda resmungava com dores, mas não era nada comparado a quando ela caiu, junto ao banco. A médica a levou para a sala de raio X e todos nós esperamos. Quando elas retornaram, Rose dormia e ela segurava algumas radiografias.

“Não houve fraturas. Ao que me parece, nem se quer uma torção. Foi uma pequena pancada. Só isso.”

“Mas não é possível!” Victor exclamou surpreso. “Eu a vi cair. Praticamente ouvi o som de ossos quebrando.”

Ao que parecia não tinha sido só eu que ouvi isso. Os outros olhavam para ela assustados, também sem acreditar no que ela dizia.

“Provavelmente foi um alarme falso. Não existe nada aqui.” A Dra. Olendizki levantou uma das radiografias contra a luz e depois olhou para Rose que dormia serenamente. “Rose estava muito agitada, então dei a ela um remédio relaxante que irá fazer com que ela durma por algumas horas.”

Eu olhei para Lissa e sua aparência frágil me impedia de acreditar naquilo. Eu sabia das histórias que tinha lido sobre as curas realizadas por usuários do espírito, mas nunca imaginei que pudesse se dar de forma tão rápida e simples como, supostamente, Lissa tinha feito. Definitivamente, eu não podia acreditar naquilo.

“Eu suponho que não há nada mais para vocês fazerem aqui. Eu soube que passaram a noite toda fazendo compras, aconselho que todos vocês descansem um pouco. Ela irá apenas dormir, agora.”

“Não, eu não vou sair daqui.” Lissa disse, passando os dedos delicadamente pelos cabelos de Rose.

“Eu ficarei aqui com ela. Pode ir descansar tranquila, Princesa.” Falei seriamente. Lissa me olhou duvidosa.

“Venha comigo, minha querida.” Victor falou, indo até ela e passando o braço por seus ombros, enquanto a levava para fora da enfermaria.

Lentamente, todos também saíram e eu fiquei ali, olhando Rose dormir.

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CAPÍTULO 37

Mensagem por shadowangel em Ter Fev 21, 2012 8:51 pm

Eu estava olhando para Rose, que dormia tranquilamente, quando Victor Dashkov entrou na enfermaria. Ele se movia lentamente e cada passo seu era dado com muito custo. Eu observei seus lentos movimentos, até que ele parou do outro lado da cama, olhando para Rose.

“Ah, Rosemarie,” ele falou com voz baixa e cansada “eu não saberia dizer quem tem mais sorte. Se ela por ter Vasilisa ou se Vasilisa por tê-la.”

Eu não falei nada, fiquei apenas o observando. Ele permaneceu em silêncio por um momento, como se avaliasse uma situação.

“Você acredita em milagres, Belikov?” Ele perguntou de forma simpática e com um leve sorriso.

“De certa forma.”

“Parece que milagres insistem em acontecer seguidamente diante de nós. Eu podia jurar que Rosemarie teria sérios problemas com seu tornozelo. E mais uma vez, os médicos não conseguem explicar como tudo fica bem de repente.”

Eu sabia a que ele estava se referindo, eu lembrava perfeitamente da conversa que tínhamos tido, há algum tempo. Victor também tinha visto Lissa ao lado de Rose, agora, logo após a sua queda. Ele estava insinuando que Lissa havia curado Rose. Eu também achava isso, mas resolvi não entrar naquela conversa. Algo me dizia para não levar aquilo adiante, principalmente com Victor.

“Mas é assim que funcionam os milagres, Príncipe Dashkov. Eles simplesmente acontecem, diante de nós e sem explicação.”

“Sábias palavras para alguém tão jovem.” Ele sorriu. “Bem, não quero me demorar mais, estou exausto. Eu só vim porque queria deixar isso para Rosemarie. Eu não tinha planejado entregar a ela em uma cama de enfermaria, mas nem tudo sai como queremos.” Ele estendeu uma pequena caixa embrulhada com a etiqueta da joalheria que visitamos no shopping. “É um presente pelo seu desempenho como guardiã hoje. Ela se saiu muito bem, fiquei bastante surpreso, confesso, e orgulhoso. É um colar que ela e Vasilisa viram na joalheria. Acho que ela merece ganhar algo valioso para lembrar este dia.” Ele sorriu irradiando uma discreta afetividade.

“Eu entregarei, assim que ela acordar.” Falei, pegando a pequena caixa. Notei que tinha um papel dobrado, preso na fita que ornamentava o presente.

Ele acenou e saiu com a mesma dificuldade que tinha entrado. Eu puxei a cadeira e fiquei sentado olhando Rose dormir. Era um raro momento que eu podia observá-la, sem que eu tivesse que esconder meus sentimentos. Eu pude estudar todos os detalhes do seu rosto, vendo como ele era harmônico e perfeito. Ela era naturalmente linda e o pensamento de que eu jamais poderia tê-la era quase desesperador. Eu já tinha assumido que não conseguia deixar de sentir o que eu sentia por ela, mas tinha plena consciência de que não podia ousar sonhar em ter tudo aquilo correspondido. Eu não podia desejar isso. Era contrário a tudo que planejei para minha vida.

Eu fiquei ali, por algumas horas, que nem senti passar, até que ela abriu os olhos, encarando o teto. Senti uma ponta de felicidade em mim. Era ótimo ver Rose dormir, mas melhor ainda era ver a vida irradiando pelos seus olhos.

“Rose.” Chamei suavemente. Ela inclinou a cabeça na minha direção, me olhando.

“Hey.” Sua voz soou rouca.

“Como se sente?”

“Estranha. Meio grogue.”

“A Dra. Olendzki lhe deu algo para dor - você parecia bem mal, quando nós lhe trouxemos para cá.”

“Eu não me lembro disso... quanto tempo eu passei inconsciente?”

“Algumas horas.”

“Deve ter sido forte. Ainda deve ser.” Ela ficou um pouco pensativa e logo depois moveu o pé que deveria estar machucado. “Não dói nada.”

Eu balancei negativamente com a cabeça. “Não. Porque você não ficou muito machucada.”

“Você tem certeza? Eu lembro... de como eu caí. Não. Algo deve ter quebrado.” Ela falou, se sentando, e mexendo rapidamente seu pé, tendo a mesma atitude que nós tivemos quando a Dra. Olendzki disse que não tinha sido nada. “Ou pelo menos torcido.” Ela ainda estava incrédula.

Eu levantei rapidamente, indo até ela, para a impedir que levantasse. Ela ainda estava sob efeito da medicação. “Tome cuidado. Seu tornozelo pode estar bom, mas certamente, você ainda está um pouco fora de si.”

“Deus, eu tive sorte. Se eu tivesse me machucado, eu ficaria fora do treino por um bom tempo.”

“Eu sei. Você ficou repetindo isso o tempo todo, enquanto eu lhe carregava para cá. Você estava bem preocupada.”

“Você... me carregou até aqui?” Ela perguntou surpresa.

“Depois que nós quebramos o banco e soltamos o seu pé.”

“Eu fui derrubada por um banco.”

“O quê?”

“Eu sobrevivi o dia todo nesse negócio de ser guardiã de Lissa e vocês até disseram que eu fiz um bom trabalho. Então eu voltei para cá e conheci a minha queda em um banco. Você pode imaginar o quão embaraçoso isso é? E todos aqueles caras viram também.”

“Não foi culpa sua. Ninguém sabia que o banco estava podre. Ele parecia bem sólido.”

“Ainda sim. Eu deveria ter ficado na calçada como uma pessoa normal. Os outros novatos vão gozar da minha cara, quando eu voltar.”

Ela parecia extremamente preocupada e eu segurei a vontade de rir. Era engraçado o que preocupava ela. Coisas simples e pequenas lhe traziam mais medo do que grandes perigos. Vendo que ela precisava se descontrair um pouco, peguei o presente de Victor.

“Talvez presentes lhe animem.”

Ela se endireitou rapidamente na cama, alegre e feliz. “Presentes?” Ela exclamou. O sorriso que eu tinha acabado de prender, se soltou e eu sorri amplamente.

“Isso é do Príncipe Victor.”

Ela pegou a caixa, parecendo surpresa, e abriu o bilhete que estava preso nela, o lendo em voz alta.

Rose

Estou muito feliz em ver que você não sofreu ferimentos sérios, devido à sua queda. Na verdade, foi um milagre. Você tem uma vida encantadora, e Vasilisa tem sorte em ter você.


Ele tinha resumido ali o que tinha me falado. De alguma forma, ele tinha razão. Mesmo que tivesse sido uma cura vinda de Lissa, não deixava de ser um verdadeiro milagre.

“Isso foi gentil da parte dele.” Rose falou, enquanto abria a caixa e via o que tinha ali dentro. Seus olhos brilharam e seu queixo quase caiu “Whoa! Muito gentil!” Ela retirou o delicado colar de dentro da caixa, torcendo o cordão de ouro nos seus dedos e deixando o pequeno brilhante cor de corra balançando como um pêndulo. “Isso é bem extremo para um presente de ‘fique boa logo’”.

“Na verdade ele comprou para lhe parabenizar por ter ido tão bem em seu primeiro dia como guardiã oficial. Ele viu quando você e Lissa olharam isso.”

“Wow. Eu não acho que fiz um trabalho tão bom.”

“Eu acho.”

Ela sorriu, guardou o colar novamente na caixa e colocou na mesa ao lado da cama.

“Você disse ‘presentes’, certo? Bem, tem mais de um?”

Eu não resisti e sorri. Na verdade, foi uma pequena gargalhada. Essa espontaneidade dela sempre me divertia. Peguei a pequena sacola do gloss que eu tinha comprado e a entreguei.

“Isso é meu para você.”

Eu tive a impressão que ela tinha ficado mais deslumbrada e excitada por aquele presente do que pela jóia de Victor. Ela pegou, abriu rapidamente e sorriu quando viu o que era. Certamente, ela jamais imaginaria que eu estivesse prestando a atenção todas as vezes que ela reclamou por seu gloss estar no fim. Se ela soubesse o quanto eu presto atenção nela, não ficaria tão surpresa por eu ter comprado isso.

“Como você conseguiu comprar isso? Eu lhe vi o tempo todo no shopping.” Ela estava totalmente intrigada e eu resolvi alimentar isso.

“Segredos de guardião.” Brinquei.

“Para quê foi isso? Pelo meu primeiro dia?”

“Não. Porque eu pensei que lhe deixaria feliz.” Falei sinceramente.
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CAPÍTULO 38

Mensagem por shadowangel em Ter Fev 28, 2012 8:01 pm

Antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, Rose se inclinou para frente, ma abraçando. Imediatamente, senti meu corpo ficar tenso. Era a primeira vez que nós nos abraçávamos e eu realmente não esperava aquilo. Logo depois eu relaxei um pouco, levando lentamente as minhas mãos para as suas costas.

“Obrigada.”

“Estou feliz que esteja bem.” Falei. Minha boca estava bem próxima ao seu ouvido e os seus cabelos passavam suavemente pelo meu rosto. Era uma sensação incrível. Tanta proximidade fez com que aquele sentimento fosse tomando conta de mim, tanto que não medi minhas palavras, quando falei. “Quando vi você cair...”

“Você pensou ‘wow, ela é uma perdedora.’” O tom dela era de brincadeira.

“Não foi isso que eu pensei.” Eu fui um pouco para trás para que pudesse olhá-la melhor, mas sem nos soltarmos do abraço e sem nos afastarmos. Eu queria dizer a ela o quanto eu gostava dela e como ela era importante para mim. Mas eu não disse nada. Não consegui. Apenas olhei dentro dos seus olhos, como se eu pudesse transmitir tudo que eu queria para ela por aquele olhar. Ela também me olhava profundamente e eu me sentia totalmente hipnotizado por Rose. Passei meus dedos pelo seu rosto, sentindo sua pele. Passei a mão para uma mecha de seus cabelos, prendendo em meus de dedos, como tinha feito no ginásio, da outra vez. Como eu adorava aqueles cabelos dela. Eu poderia passar horas e horas somente passando meus dedos por eles.

Meu coração estava disparado e sentia toda aquela paixão me tomando. Eu não conseguia pensar em mais nada a não ser na vontade imensa de beijá-la. Lentamente, foi me movendo na direção dos seus lábios, sentindo que ela inclinava a cabeça, também desejando aquilo. A distância entre nós foi diminuindo e era como se nada mais estivesse existindo no mundo. Quando nossos lábios estavam há um milímetro de se tocarem, alguém bateu na porta. Instantaneamente nos afastamos, cada um indo para trás. Como se tivéssemos levado um choque.

A Dra. Olendizki colocou a cabeça para dentro da sala “Pensei que tinha lhe ouvido falar. Como se sente?”

De vagar, eu sentei na cadeira que estava perto da cama. Eu não podia acreditar que quase beijei Rose. Eu não sabia pelo que me culpar. Se por ter tentado fazer tal sandice, ou por não ter conseguido. A médica andou até Rose, fazendo com que ela se deitasse e realizando alguns exames clínicos.

“Você tem sorte. Com todo barulho que você fez quando foi trazida para cá, eu pensei que teria que amputar seu pé. Deve ter sido efeito da pancada. Eu acho melhor que você não fizesse seu treinamento normal até amanhã, mas fora isso, você pode ir.”

Depois de mais alguns pequenos exames, ela liberou Rose e saiu do quarto. Estávamos sozinhos novamente.

Olhei para Rose e percebi que ela corou. Tentando esconder o constrangimento que insistia em tomar conta de mim, fui até uma outra cadeira, pegar seus sapatos, fingindo naturalidade. Ela começou a colocá-los, e eu buscava algo para falar, tentando deixá-la menos desconfortável.

“Você tem um anjo da guarda.”

“Eu não acredito em anjos. Eu acredito no que posso fazer por mim mesma.” Ela falou sem me olhar, ainda com as bochechas vermelhas.

“Então você tem um corpo incrível.” Eu não percebi o duplo sentido do que tinha dito, até ela me olhar de forma questionadora. 'Péssimo Dimitri, você só está piorando tudo".

“Para se curar, quero dizer. Eu ouvi sobre o acidente...” Tentei corrigir falando a primeira coisa coerente que veio à mente.

“Todos falaram que eu não deveria ter sobrevivido. Por causa do lugar onde eu estava sentada e da forma como o carro bateu na árvore. Lissa era realmente a única que estava sentada em um local seguro. Ela e eu saímos ilesas, apenas com alguns arranhões.”

“E você não acredita em anjos ou milagres.”

“Não. Eu –“ Ela se interrompeu, se tornando pensativa e intrigada.

“Qual o problema?”

Ela olhou para um ponto aleatório no quarto, ficando altamente concentrada “Onde está Lissa?”

“Eu não sei onde ela está. Ela não saia do seu lado quando lhe trouxe para cá. Ela ficou perto da cama, até a médica chegar. Você acalmou bastante quando ela sentou perto de você.”

Ela voltou a olhar para o ponto, e logo, parecia não estar mais ali. Eu a encarei, mas seus olhos pareciam vazios e sua expressão era em branco. Eu já tinha visto Rose assim, poucas vezes, é verdade, mas já sabia o que estava se passando. Ela tinha ido encontrar Lissa, por meio do laço. A Dra. Olendizki tinha retornado para saber porque ainda estávamos ali e se deparou com Rose naquele estado.

“O que está acontecendo com Rose? Será que ela piorou? Acho que não deveria ter dado alta a ela.”

“Não, não é um problema. É parte do laço que ela possui com a Princesa. Ela sempre fica assim, quando está usando a ligação.” Tentei acalmá-la.

Fiquei observando atentamente por longos minutos, até quando sua expressão se tornou dolorosa e preocupada. Olhei para a Dra. Olendizki que estava com o rosto totalmente consternado. Então segurei a mão de Rose, sacudindo devagar.

“Rose? Rose?” Ela não respondeu, por um momento.

“Rose?” Insisti. Pouco a pouco ela começou a piscar rapidamente, como se despertasse de um transe. Ela me encarou, ainda com a dor em seus olhos. Ela tinha visto algo que a preocupou e aquilo também me preocupava. Ela continuou me olhando e eu pude sentir que uma onda de cumplicidade passava por nós. Isso era o que me fazia seguir a Rose, para qualquer lugar que ela fosse.

“Eu sei onde ela está. Lissa. Nós temos que ajudá-la.”

“O que está acontecendo com ela? Você sabe que pode confiar em mim.” Falei seriamente.

Ela olhou para a Dra. Olendizki e eu entendi que Rose não queria falar na frente da médica. Com um aceno, pedi para que ela saísse. Quando estávamos sozinhos, Rose desabafou, e eu pude sentir que era algo que ela não estava mais agüentando guardar.
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Re: [FanFic] Vampire Academy (O Beijo das Sombras) - Por Dimitri Belikov

Mensagem por Fabianne P. Xavier em Qua Fev 29, 2012 12:29 am

Nossa, estou adorando a Fic. Posta mais!!!!!!
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CAPÍTULO 39

Mensagem por shadowangel em Sex Mar 09, 2012 6:29 pm

Rose se inclinou na minha direção e, ainda receosa, começou a contar tudo que sabia.

“Lissa. Ela pode fazer curas. Ela tem esse dom. Eu acho – eu tenho certeza que ela é como St. Vladmir. Mas isso traz conseqüências terríveis para ela. Eu posso sentir. Precisamos ajudá-la, Dimitri.” Rose me olhava com ar de desespero e era quase como se eu pudesse ver a dor em seus olhos. A dor que ela sentia por Lissa.

“Ela está passando por algum perigo imediato?”

“Sim. Quero dizer, ela sempre faz isso, mas agora parece pior. Eu sinto pelo laço que ela não está bem.”

“Ela sempre faz o quê, Rose?”

“Ela...” Era como se as palavras não quisessem sair da boca de Rose “Ela... se submete a autoflagelo. Ela se corta. É como se a dor dos ferimentos pudessem superar a dor que ela sente em sua alma. E ela fez isso agora, com uma navalha, mas foram cortes terríveis, tinha muito sangue.”

Primeiramente eu hesitei, tentando entender aquilo. Mas depois senti imediatamente meu corpo entrando em ação. Rose não estava descompensada, mas o desespero da sua voz e pânico em seus olhos me diziam que tudo era sério.

“Você disse que sabia onde ela está agora.”

“No sótão da capela.”

“Rose, ouça. Bem. Eu vou buscar ajuda e preciso que você fique aqui. Você promete que ficará aqui?”

Ela acenou. Eu não podia levar Rose comigo. Ela ainda parecia estar sob efeito de medicação, embora a Dra. Olendzki a tivesse liberado. Peguei meu telefone e disquei para a única pessoa que me veio na cabeça. Alberta. Com apenas poucas palavras ela entendeu que era para me encontrar na capela e que era uma situação urgente.

Sai quase correndo da clínica médica, tentando não chamar a atenção das pessoas que passavam por mim. Quando estava próximo a capela, encontrei Alberta que também tentava não correr.

“O quê está acontecendo, Belikov?”

“Venha comigo”. Falei, entrando na igreja. O padre não estava lá, então seguimos para o sótão. Quando entramos, o primeiro impacto foi de uma cena de terror. Lissa estava desmaiada no chão, completamente ensangüentada, com uma poça de sangue em volta dela. Quem não soubesse que o sangue vinha de cortes feitos por navalha podia imaginar facilmente algo mais sério.

Alberta era uma guardiã experiente, que já tinha visto cenas piores, certamente. Ela não demonstrou reação alguma. Eu me abaixei, peguei Lissa no colo e fomos para a clínica. Lá, ela recebeu os primeiros socorros e um alimentador. A médica chegou a conclusão que ela tinha desmaiado por tinha ficado fraca devido a perda de sangue. Mas eu sabia que era bem mais que isso. Era o uso da magia. Enquanto os procedimentos eram feitos, Rose foi impedida de entrar e esperava impaciente na sala ao lado.

Algum tempo depois, a Dra. Olendzki me chamou, dizendo que Lissa queria falar comigo. Eu entrei na enfermaria, a mesma que Rose estava, mais cedo. Parecia que o dia inteiro ia ser gasto naquele lugar. Lissa estava deitada, olhando o teto. Seus braços estavam cheios de curativos.

“Princesa?” Falei, depois de passar alguns minutos ali em pé e percebendo que ela não tinha se mexido.

“Lissa. Eu já disse para você me chamar de Lissa, Dimitri.” Sua voz era mais triste do que impaciente. Percebi que ela também não estava usando meu título de guardião.

“Desculpe. É difícil abandonar as formalidades. Como se sente?” Falei gentilmente, ensaiando um sorriso. Ela finalmente virou para mim.

“Como você soube que eu estava naquele sótão?”

Eu a encarei por alguns momentos. Apesar de ter certeza que ela já sabia a resposta, busquei a melhor maneira de falar.

“Você perdeu muito sangue e ficou bem debilitada. Não podíamos deixá-la naquele sótão.”

“Não foi isso que lhe perguntei.” Ela falou autoritariamente, se levantando um pouco da cama. “Foi Rose, não foi? Foi ela que contou a vocês sobre isso.” Ela estendeu os braços, mostrando os cortes enfaixados. Eu entendi que era um segredo delas e que Lissa não queria que fosse revelado.

“Sim foi Rose. Ela não fez por mal. Entenda. Foi preciso para que pudéssemos socorrê-la. A própria Rose ainda não estava recuperada o suficiente para ir ao seu socorro-“

“Não importa! Ela não podia ter feito isso! Ela não tinha o direito de contar a você!” As lágrimas saíram quase que involuntariamente dos olhos dela. Eu assumi que nada do que eu falasse adiantaria. Permaneci em silêncio a olhando chorar. Quando ela se acalmou um pouco, dei uns passos à frente e fiquei muito próximo a cama.

“Lissa, todos nós só queremos o seu bem. Não importa o que lhe levou a isso. Aqui tem pessoas que irão cuidar de você. Rose fez o que era certo, diante de todo o contexto. Ela está lá fora, ansiosa para lhe ver.”

“Eu não posso acreditar que ela me traiu dessa forma.”

“Não foi uma traição. Ao contrário. Foi uma boa prova da amizade que ela tem e do quanto ela se importa com você. Tudo se resolverá com uma boa conversa. Eu pedirei autorização para que ela possa entrar.”

Sai da sala e falei com a Dra. Olendizki que, depois de alguns outros exames, deixou que Rose entrasse para ver Lissa. Mas ela passou menos tempo do que eu imaginava lá dentro. Logo depois, Rose saiu da enfermaria, parecendo muito triste.

“Está tudo bem?” Perguntei me aproximando.

“Com a Lissa? Ela ficará bem. Mas ela me culpa por ter contado a vocês. Ela não quer que eu fique aqui.”

“Ela ainda está um pouco confusa com tudo isso” Tentei amenizar “Tudo ficará bem com o passar do tempo. Eles vão lhe dar algumas medicações para depressão que poderão melhorar o humor dela.”

Rose permaneceu olhando para o chão, ainda muito abatida.

“Você precisa descansar agora. Por que você não vai para o seu dormitório. Não há mais nada para ser feito aqui.” Eu falei baixo e ela concordou.


Os dias se passaram e, como era de se esperar a notícia da internação de Lissa correu pela escola, sendo aumentada e carregada de mentiras. Sempre era assunto para todos os grupos. Era impressionante a capacidade de imaginação deles quando se tratava de criar fofocas.

Lissa e Rose permaneceram sem se falar no decorrer dos dias e isso refletia em todas as ações de Rose. Ela se tornou bastante introspectiva. Mas pouco a pouco, os estudantes foram esquecendo de tudo pois um assunto novo começou a tomar conta da cabeça de todos: o baile que aconteceria em poucos dias.
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CAPÍTULO 40

Mensagem por shadowangel em Qui Mar 22, 2012 6:28 pm

O tempo passou como sempre, até que o dia do baile chegou. O comitê de socialização da escola tinha feito um grande esforço em transformar o ginásio em algo parecido com uma boate. Uma pista de dança foi montada no centro da quadra, com luzes que se movimentavam de acordo com a música tocada. Eu observava todo o movimento das equipes de eventos enquanto fazia exercício na sala de musculação, que ficava em um piso superior e tinha um vidro que dava uma visão ampla do ginásio.

Para mim, seria um sábado como outro qualquer. Terminei meus exercícios e segui para meu turno de guarda. No final do dia, quando passava pelos pátios, indo até o prédio dos guardiões eu podia ver os alunos seguindo para o ginásio em polvorosos. Todos iam vestidos à caráter. As garotas, que muitas vezes só víamos de jeans e camiseta, usavam vestidos elaborados e maquiagens carregadas, enquanto aos garotos tentavam parecer adultos dentro de blazers. Durante todo decorrer da semana, Rose não tinha demonstrado interesse em participar deste baile e eu torcia mentalmente que ela não mudasse de ideia. Eu sabia que era um evento promovido pela escola, que provavelmente nada demais ocorreria, mas não conseguia deixar de me sentir enciumado por ela. Só de pensar nela usando aquele vestido preto que Lissa tinha lhe dado, sentia o mundo girar.

Quando pegava um dos meus livros no meu escaninho, a porta da sala abriu e Alberta entrou. Ela se dirigiu para seu próprio armário, pegando uma jaqueta.

“Parece que vai esfriar.” Ela falou, enquanto remexia tudo lá dentro. Depois de uma pausa ela acrescentou “Devemos sempre permanecer atentos nessas noites em que a rotina é quebrada.”

“O turno da noite está reforçado. Existem guardiões o suficiente para manter tudo sob controle.” Eu respondi fechando a porta do meu escaninho. “Eu estou indo para o dormitório, você vai para lá agora?”

“Sim. Eu vou com você. Mal posso esperar para relaxar um pouco. Essa semana foi bastante corrida.”

Saímos do prédio ainda conversando sobre assuntos do nosso dia a dia.

“Eu tenho quatro guardiões afastados por ordens médicas. Embora tenha conseguido redistribuir os turnos, isso sempre gera um desfalque.” Alberta falou, enquanto subíamos para o pátio.

“Pode me dar mais turnos de guarda, eu estou aqui para ser útil no que for preciso.”

“Claro. Eu sempre posso contar com você, Belikov. Eu preciso de guardiões sempre verificando o perímetro da escola, apesar de termos as wards, não podemos deixar de averiguar se as fronteiras estão seguras –“

Seja o que fosse que Alberta estivesse falando, eu não estava mais ouvindo, quando de longe avistei Rose vindo com Mason Ashford, a caminho do ginásio. A noite estava um pouco fria, mas nada que deixasse o tempo insuportável. O piso estava meio molhado, por causa de uma chuva que caiu mais cedo. Rose cambaleou ao pisar em uma poça de água, sendo amparada por Mason. Eles riam bastante, cada vez que ela escorregava. Toda minha atenção, todos os meus sentidos se voltaram para ela. Por mais que minha imaginação fosse fértil, os pensamentos que eu tive sobre ela usando aquele vestido jamais se aproximaram da realidade. Rose estava linda. Ela usava os cabelos soltos, que caiam pelos seus ombros e se espalhavam pelas suas costas. Sua maquiagem era leve e ela tinha passado o gloss que eu lhe dei nos lábios. E o vestido era tão ousado como eu tinha pensado. Ele ia até os joelhos e a parte de cima era sem alças. Seria discreto se não marcasse as partes do corpo dela tão perigosamente. Ela também estava usando o colar que havia recebido de presente de Victor Dashkov. Eu não conseguia parar de olhar para ela, foi quase como um transe hipnótico.

Eles pararam junto a nós, ainda tropeçando e rindo. Rose olhou para mim e de alguma forma, manteve esse olhar.

“Sr. Ashford, Srta. Hathaway.” Alberta os cumprimentou. “Estou surpresa de que vocês ainda não estejam no salão.”

“Nós nos atrasamos, Guardiã Petrov. Você sabe como é que são as garotas. Sempre querem ter a aparência perfeita. Você especialmente deve saber disso.”

Eu ainda não conseguia parar de olhar para Rose. Por mais que eu tentasse distrair minha mente, eu não conseguia. Ela estava linda demais, de uma forma que extrapolava todos os limites. Ela também me encarava e isso só fez aumentar ainda mais a minha fixação nela. Era com se mais nada no mundo existisse. Eu tinha vontade de puxá-la para um longe dali, para um lugar onde pudéssemos ficar sozinhos.

Apesar de não conseguir parar de olhar para ela, eu sabia que não podia deixar todo aquele sentimento que ardia em mim ser transparecido. Eu estava diante de Alberta, que era muito perspicaz. Por isso, me esforcei ao máximo para manter meu rosto calmo e imparcial, nem de longe demonstrando todo aquele desejo que eu tinha por Rose, que era muito astuta e sempre estudava minhas expressões atentamente. E ela estava fazendo isso agora, eu podia sentir.

Mason ainda segurava a mão de Rose e ela, se dando conta disso, se afastou dele, parecendo embaraçada por fazer isso diante do meu olhar. Uma música alta vinha do ginásio e Alberta inclinou a cabeça.

“Acho que tem um baile esperando por vocês. Divirtam-se com responsabilidade.” Ela falou sorrindo para eles. Eu apenas acenei, forçando um sorriso no canto da boca. Nós nos afastamos, seguindo caminhos opostos. Alberta continuou a conversa que estávamos tendo antes, mas estava quase impossível para eu me concentrar no que ela falava, só conseguindo dar algumas respostas monossilábicas.

Quando entrei no meu quarto e finalmente fiquei sozinho, achei que fosse explodir. Era difícil trancar tudo aquilo dentro de mim e mais difícil ainda fingir que nada estava acontecendo, que nada se passava comigo. A imagem dela passava todo tempo na minha mente, a sua voz ecoava em meus ouvidos. Estava se tornando uma verdadeira obsessão. Resolvi tomar um banho e depois tentei ler um pouco, mas sem que eu me desse conta, minha mente voava para Rose a toda hora. Suprimi, diversas vezes, o impulso de ir até o ginásio para ver o que se passava por lá. Mas eu não podia me deixar fazer isso. Deitei na cama, tentando afastar os pensamentos, mas o sono não vinha. As horas se passavam e cada vez mais era o sono fugia. Cansado de me revirar, tentando conseguir dormir, levantei e fui até o banheiro. Olhei minha imagem no espelho por uns momentos. Depois joguei um pouco de água no rosto. Antes que eu pudesse pegar a tolha, umas batidas fortes e urgentes vieram da porta. Saí do banheiro e olhei as horas em um relógio que tinha na minha mesa de cabeceira. Era tarde, mas não muito. Só podia ser alguma emergência, raramente alguém me chamava quando eu estava no quarto, principalmente depois de ter tido um turno inteiro de plantão. As batidas se tornaram ainda mais fortes e rápidas. Corri para a porta e quase não acreditei no que vi, quando abri.
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CAPÍTULO 41

Mensagem por shadowangel em Ter Abr 03, 2012 7:23 pm

Rose estava parada bem na minha porta. Ela ainda usava o vestido do baile. Era a primeira vez que ela vinha até esta ala e eu me perguntava como tinham deixado ela passar até aqui.

“Rose?” falei incrédulo.

“Deixe-me entrar” ela falou ofegante “É a Lissa.”

Eu me afastei de forma que ela pudesse passar. Ela entrou, com seus olhos percorrendo todo quarto e depois me olhando de cima a baixo. Foi quando me dei conta que eu estava vestindo apenas calças de pijama.

“O quê há de errado?” Perguntei. Ela não me respondeu, por um instante. rapidamente, o olhar de Rose passou de observador para luxurioso. Realmente eu não estava entendendo nada do que se passava. Até que ela veio na direção do meu tórax, parecendo verdadeiramente faminta, eu diria.

“Rose! O quê você está fazendo” Exclamei, instintivamente, numa reação de defesa, dando um passo para trás, antes que ela pudesse me tocar.

“O quê você acha?” O seu tom era extremante sensual. Ela se moveu novamente pra mim. Eu me afastei ainda mais, colocando as mãos no meu peito, num gesto protetor. Não parecia Rose. Definitivamente ela estava fora de si.

“Você bebeu?” perguntei enquanto me desviava dela. Ela só podia estar sob efeito de alguma coisa.

“Bem que eu queria.” Ela respondeu, tentando me alcançar novamente e então parou subitamente, com um fio de tristeza em seus olhos. “Eu pensei que você também queria – você não acha que eu sou bonita?”

Aquela não era uma pergunta para ser respondida assim, principalmente com algo tão estranho acontecendo. Eu tentei me desvencilhar dela mais uma vez. Felizmente, meu lado racional estava me guiando. Rose estava linda naquele vestido e escancaradamente se oferecendo a mim. Era a materialização, na minha frente de tudo que eu vinha desejando há um bom tempo. Mesmo assim, eu ainda conseguia ser coerente.

“Rose, eu não sei o que está acontecendo, mas você precisa voltar para o seu quarto.”

Ela ignorou completamente o meu apelo e veio novamente para cima de mim, foi quando eu a detive, segurando os seus pulsos. E, de repente, algo mudou tudo dentro de mim. Toda razão fugiu e eu só conseguia pensar em ter Rose. Foi como se uma corrente de desejo passasse dela para mim, consumindo todo o meu senso lógico. Tentei lutar contra aquilo, à medida que minhas mãos passavam dos seus pulsos para os seus braços. O toque na sua pele suave me fez sentir ainda mais atraído. Não dava para resistir aquilo. Puxei Rose para perto de mim com um dos braços e fui com a outra mão para os seus cabelos. Ah, como eu adorava aqueles cabelos dela. Muito. Eu passei meus dedos por eles, sentindo toda suavidade, a cada toque, e fazendo com que Rose inclinasse o rosto na minha direção. Nossos lábios ficaram bem perto um do outro. Eu sabia que eu não podia fazer aquilo, mas não importava. Eu precisava daquele beijo. E só importava o que eu queria.

“Você acha que eu sou bonita?” Ela perguntou. Sua voz era completamente entregue.

Eu a olhei seriamente, como eu sempre fazia quando queria que ela entendesse a importância do que eu estava dizendo.

“Eu acho que você é linda.” Meus pensamentos ainda estavam confusos, mas eu finalmente pude dizer algo que eu prendia desde que a conheci.

“Linda?”

“Você é tão linda, que às vezes chega a me doer.” Depois dessas palavras, a beijei. Comecei a sentir lentamente o toque nos seus lábios, que eram doces e macios. A cada toque, a intensidade foi aumentando, e o nosso beijo foi se tornando mais forte e faminto. Por mais que eu a beijasse, eu não conseguia me sentir saciado. Por mais que eu a puxasse para perto de mim, eu não conseguia sentir que era perto o suficiente. Em gestos quase que automáticos, passei minhas mãos para seus quadris, trazendo seu corpo para o meu. Sentindo o tecido do seu vestido, rapidamente comecei a tirá-lo, era como se nada devesse estar no nosso caminho, como se nada devesse atrapalhar a proximidade entre nós, ainda que fosse somente uma roupa. Eu não conseguia parar de beijá-la e tudo ficava melhor à medida que ela parecia se entregar cada vez mais. Finalmente, consegui tirar o seu vestido, passando pela cabeça e jogando no chão. Foi quando pude ver o corpo dela na sua totalidade. Ela era mesmo incrível. Rose tinha um corpo escultural, como eu nunca tinha visto em mulher alguma antes.

“Você se livrou rápido do vestido.” Rose falou em meio a nossas respirações. “Eu pensei que você gostasse dele.”

“Eu gosto. Eu amo.” Mas havia outra coisa que eu amava mais do que aquele vestido. Era ela. Então, eu a levei para a cama.

Aquilo era uma coisa enlouquecedora. Sentir o corpo de Rose em baixo do meu, totalmente nua, faziam os meus sentidos girarem. Eu percorria todo ele, aos beijos, conhecendo cada parte. Eu não conseguia raciocinar direito, tanto que só conseguia chamar seu nome em russo.

“Roza.. Roza...” era só o que eu conseguia repetir, como um mantra na minha cabeça. eu me sentia completamente excitado e não tinha maneira de não tê-la naquela noite. Algo me empurrava para ela, algo forte me levava a querer Rose mais do que tudo.

Ela se colocou em cima de mim e eu não podia fazer mais nada a não ser contemplar aquela garota que tinha feito meu mundo mudar por completo. Os cabelos dela caiam em mim. Eu inclinei a cabeça para poder continuar a olhando, quando ela passou os dedos pelas minhas tatuagens molnija.

“Você realmente matou seis Strigois?”

“Sim.”

Eu puxei o pescoço dela e o beijei, dando pequenas mordidas. Senti Rose amolecer com aqueles gestos.

“Não se preocupe. Você terá muito mais tatuagens que eu, algum dia.” Falei em meio aos beijos.

“Você se sente culpado?”

“Hum?”

“Por matá-los? Você disse na van que isso era a coisa certa a se fazer, mas ainda sim, isso lhe incomoda. É por isso que você vai à igreja, não é? Eu vejo você lá, mas sem estar em serviço.”

Ela tinha acertado em cheio, com sempre, e mais uma vez. Esse era um dos principais motivos que me levavam a igreja quase todos os domingos. Era como se ela pudesse me ver por um ângulo que ninguém via. Era como se ela pudesse me ver por dentro.

“Como você sabe dessas coisas? Eu não me sinto exatamente culpado... só triste, algumas vezes. Todos eram humanos ou dhampirs ou Morois. É um desperdício, só isso, mas como eu disse antes, é algo que eu tenho que fazer. Algo que nós todos temos que fazer. Algumas vezes me incomoda e a igreja é um bom lugar para se pensar neste tipo de coisa. Às vezes eu encontro paz lá, mas não sempre. Eu encontro mais paz com você.”

Senti toda paixão que eu tinha por ela arder dentro de mim. Então rolei por cima dela e a beijei de forma mais urgente que antes. Agora era a hora. Eu a queria muito e podia ver em seus olhos que ela me queria também e isso só aumentava o meu desejo. Sorri com aquilo, enquanto tirava a última coisa que ainda estava em Rose: o colar que ela havia ganho de Victor.

Eu o coloquei na mesa de cabeceira e então algo estranho aconteceu, assim que eu o soltei. Foi como se um balde de água fria tivesse sido jogado em mim. Rose também parecia ter despertado de um longo sono, sorrindo surpresa. Foi como se uma onda racional tivesse me atingido, me trazendo de volta o senso de responsabilidade. Ela me olhava diferente, toda a onda de sensualidade que ela tinha há pouco tempo, desapareceu.

“O quê aconteceu?” Perguntei, notando a mudança em seu semblante.

“Eu – eu não sei.” Ela falou, como se ainda tivesse tentando arrumar os pensamentos.

Eu também me sentia estranho. Eu ainda a desejava, eu ainda me sentia excitado e ainda a queria, mas não mais de uma forma tão louca e luxuriosa. Era como se minha razão tivesse voltado e minha mente tivesse restabelecido o controle dos meus sentidos.

Eu olhei para Rose e revivi, como um flash, tudo que tinha se passado. Rose não estava agindo normalmente, algo a estava impulsionando. Igual a mim. Algo parecia ter me possuído. Algo que parou quando o colar foi tirado. Eu me estiquei novamente para pegar o colar. No mesmo momento que toque nele, tudo voltou de forma devastadora. Novamente, eu não conseguia raciocinar e não queria mais nada a não ser possuir Rose. Comecei a beijá-la, quando ela sussurrou “Lissa... tem algo que eu preciso lhe contar sobre Lissa. Mas eu não consigo... lembrar... eu me sinto tão estranha.”

Realmente tinha algo naquele colar. Alguma espécie de feitiço. Encostei meu rosto na sua testa, convocando todo resto de controle em mim. Era difícil dizer não aquilo que estava acontecendo. Não era preciso um feitiço para eu querer Rose. Aquilo era tudo com o que sonhei por muito tempo. Mas eu nao podia me aproveitar dela daquela forma.

“Tem algo... algo aqui...” Falei, ainda tentando me afastar. “O colar. Esse é o colar que o Príncipe Victor lhe deu?”

Ela acenou e eu, juntando toda força que eu tinha, me afastei dela.

“O quê está fazendo? Volte aqui...” Ela quase choramingou. Eu fui para longe, ainda sentido aquela ânsia por ela, tomar conta de mim. Era uma vontade louca de voltar para a cama e a ter. Tentando ignorar aquilo, alcancei a janela, a abri e joguei o colar fora.
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CAPÍTULO 42

Mensagem por shadowangel em Dom Abr 15, 2012 2:28 pm

“O quê você está fazendo com –“ Rose se levantou e veio na minha direção quando viu que eu jogava o colar pela janela. “Não! Você sabe o quanto isso deve – “ ela parou sua frase na hora que a realidade a atingiu. Eu também me sentia completamente consciente agora. O feitiço tinha ido embora. Rose olhou em volta, para o quarto e para si, dando conta que estava totalmente nua, na minha frente. Eu tentava não olhar para ela, mas eu não conseguia. Era uma bela visão.

“Lissa.” Rose exclamou, enquanto ainda parecia processar tudo em sua mente. Sua expressão se tornou de uma intensa dor e desespero.

Eu queria ficar ali contemplando a beleza dela, mas diante daquela reação, o senso de dever me chamou de volta à realidade. Eu usei muito do meu esforço para a ignorar e perguntei o que estava acontecendo.

“Ela foi capturada, foi levada por alguém. Parecia guardiões, mas eles não estavam querendo protegê-la. Eles a atacaram. Foi terrível ela está presa em algum lugar e-”. Antes que ela pudesse terminar, entrei em ação. Ordenei que ela se vestisse e eu mesmo comecei a colocar rapidamente minhas roupas. Sim, eu queria ficar com Rose ali, mais do que qualquer coisa e foi difícil ignorar tudo. Eu tinha obrigação de proteger Lissa e agora ela estava em perigo.

Olhei de relance e vi que Rose já tinha colocado o vestido. De alguma maneira, mesmo sendo uma situação de perigo e extrema urgência, eu não conseguia me desconectar do que tinha acontecido entre eu e ela, há poucos minutos. Joguei para ela o primeiro abrigo que encontrei no meu armário, para ela vestir por cima do vestido. Talvez assim, esses pensamentos não ficassem voltando para mim.

Saímos no quarto e fui andando rápido, me forçando a manter meu foco em Lissa. Rose quase corria atrás de mim, tentando acompanhar meus passos. Nós não podíamos fazer muita coisa sozinhos, por isso, enquanto seguimos para o prédio dos guardiões liguei para Alberta avisando que precisava falar com ela. Eu realmente esperava que ela estivesse no dormitório descansando, mas não estava. Ela tinha voltado ao seu escritório por causa da briga que Rose teve no baile e estava reunida com Kirova. Eu não sabia que Rose tinha entrado em outra confusão, mas aquela não era a hora de me inteirar dos fatos.

Entrei rapidamente para o escritório de Alberta, Rose sempre me seguindo. Lá estavam alguns guardiões reunidos com elas, e antes que qualquer um dos que ali estavam pudesse falar algo, praticamente ordenei para eles.

“A Princesa Vasilisa foi seqüestrada. Temos que resgatá-la.” Exclamei.

“Vamos! Precisamos ir logo!” Rose falou logo após, mas ninguém parecia ouvi-la, já que todos começaram a falar ao mesmo tempo.

“Senhoras e senhores, vamos manter a calma!” A voz de Alberta ecoou sobre as demais. Todos voltaram para ela, em silêncio. “Precisamos ouvir o quê o Guardião Belikov tem a dizer.” Ela falou olhando diretamente para Rose, enfatizando as palavras ‘Guardião Belikov’, deixando claro que era para ela ficar calada. Rose respirou fundo, como se não estivesse conseguindo se conter dentro de si.

“A Princesa e Christian Ozera foram atacados no sótão da igreja. Eles a levaram cativa. Rose sentiu tudo por meio do laço e pode nos levar até ela.” Falei sem perder tempo.

“Sempre você, Srta. Hathaway.” Kirova falou, se voltando para Rose. “Depois do que você fez no baile, não acho que devemos dar ouvidos ao que vem de você. Temos uma aluna Moroi hospitalizada por sua causa. Você atacou uma Moroi e-“ sentindo que ela estava começando mais um dos seus sermões intermináveis, a cortei.

“Não estamos questionando a gravidade do quê quer que ela tenha feito. Estamos com uma situação urgente aqui. Quantas vezes temos que repetir isso? Alguém vá até o sótão prestar socorro ao Sr. Ozera e verificar que o que dizemos é verdade.”

Com um aceno de Alberta, dois dos guardiões que estavam na sala saíram. Um foi até a igreja e o outro, verificar se Lissa estava na escola. Os minutos se arrastaram até que eles voltaram com Christian muito machucado e confirmando a nossa história. Lissa não estava em parte alguma do campus. Um dos guardiões da sala virou para Rose e eu pude ver que ele tinha credibilidade em seu olhar.

“Quantos Strigois eram?” Ele perguntou.

“Como diabos eles entraram?” Outra voz falou mais atrás.

“O quê?”Rose perguntou confusa “Não eram Strigois.” Imediatamente todos pararam e olharam para ela.

“Quem mais a teria levado?” Kirova perguntou, sem perder tempo “Você deve ter visto errado pela... visão.”

“Não. Eu tenho certeza. Eles... eram... guardiões...”

“Ela está certa. Guardiões.” Christian falou, enquanto a Dra. Olendizki limpava um de seus cortes.

“Isso é impossível!” Alguém soltou com voz indignada.

“Não eram guardiões da escola!” Rose falou impaciente, com os dedos apertando a testa. “Dá para vocês se mexerem?”

“Você esta dizendo que um grupo de guardiões particulares veio até aqui para seqüestrá-la?” O tom de Kirova era como se insinuasse que Rose estava brincando.

“Sim.” Rose se desconectou um pouco e, após alguns segundos acrescentou “Eles trabalham para Victor Dashkov. São guardiões dele.”

“O Príncipe Victor Dashkov?” outro guardião perguntou incrédulo.

“Por favor, façam algo. Eles estão se afastando. Eles estão...” Ela segurou sua cabeça, como se lutasse contra algo forte. Eu estava ao seu lado, tentando controlar minha ansiedade. Rose continuou estreitando os olhos. “Oitenta e três, indo para o sul.” Ela falou precisamente a localização deles.

“Oitenta e três? Já?” Alberta exclamou “Há quanto tempo eles partiram? Porque vocês não nos avisaram antes?”

Rose me olhou, com os olhos chocados, esperando que eu desse a resposta. Eu mantive meu rosto neutro e falei devagar e calmamente.

“Um feitiço compulsório,” fiz uma breve pausa, buscando as palavras certas. “Um feitiço compulsório foi colocado no colar que Victor Dashkov deu a Rose e fez com que ela me atacasse.” Falei torcendo para que ninguém perguntasse que tipo de ataque foi esse.

“Ninguém pode usar este tipo de compulsão!” Kirova exclamou “ninguém faz isso há séculos!”

“Bom, alguém fez. Até a hora que eu a contive e peguei o colar, já tinha passado muito tempo.” Continuei falando imparcialmente, embora estivesse com o coração disparado ao lembrar do ‘ataque’ de Rose. Ninguém mais questionou a história e finalmente, vi os guardiões entrarem em ação. De forma extremamente organizada, começaram a se mexer, montando os comboios para o resgate.
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CAPÍTULO 43

Mensagem por shadowangel em Seg Maio 07, 2012 6:09 pm

Rose começou a nos seguir, quando Kirova a impediu.

“Acho que você já deu sua contribuição, Sra. Hathaway. Pode voltar para o seu dormitório agora. Deixe o restante com os guardiões experientes.”

“Eu concordo plenamente.” Um dos guardiões acenou, quando abria a porta de uma das SUV. “Já temos problemas o suficiente.”

“Ela virá conosco.” Falei autoritariamente. “Rose irá nos dar a indicação exata da localização da Princesa. Já perdemos tempo demais, não podemos desperdiçar sua ajuda agora.”

Todos me olharam, sem ter argumentos para me contradizer. Fomos para o carro que nos levaria e estava estacionado mais à frente. Rose me olhava ansiosamente e, pela primeira vez, eu não sabia como agir com ela.

“Err... Você acha mesmo que tinha um feitiço naquele colar?” Ela perguntou levemente constrangida.

“Eu tenho certeza. O que mais causaria aquilo tudo?” Tentei manter a naturalidade, mas por dentro eu sentia meu coração arder. “O colar tinha um feitiço de luxúria. Mas obviamente eu não podia dizer isso aos outros.”

“Eu não sabia que isso era possível, como você descobriu?”

“Eu conheço muitas histórias, Rose. Usuários da terra encantavam objetos feitos de metais preciosos, em tempos antigos. Eu deduzi isso ao lembrar que o Príncipe Victor é usuário da terra e foi ele que lhe deu o colar.”

Eu sentei no banco do motorista e Rose no banco do passageiro. Tinha sido uma noite cheia de surpresas. E agora eu não tinha a menor idéia do que esperar. Eu me perguntava o que aqueles guardiões queriam com Lissa. Era surpreendente que guardiões tenham feito isso.

“Eles ainda estão na Oitenta e Três... mas estão se aproximando de uma entrada. Eles não estão correndo. Não querem ser parados.”

Eu acenei e pisei no acelerador, andando no limite da velocidade permitida. Eu mantive minha atenção na estrada e nós não conversamos outro assunto a não ser as coordenadas do caminho. Honestamente, eu não sei dizer se queria ou não conversar com ela sobre qualquer coisa. Tudo trazia à minha mente o que tinha acontecido. Eu não sabia como lidar com aquilo. Eu tinha assumido que eu iria trancar dentro de mim tudo que eu sentia por ela e nunca levaria isso adiante, que eu nunca iria me permitir sonhar em ter Rose retribuindo isso tudo. Mas agora, depois de ver como ela tinha ficado tão entregue... ela realmente sentia o mesmo por mim. Se eu bem lembrava como funcionava esse tipo de feitiço, ele não funcionaria se ela não sentisse nada.

“Eles estão fazendo uma curva.” Ela falou de repente, interrompendo meus pensamentos. “Eu não consigo ver o nome da rua, mas vou saber quando estivermos perto.”

Eu dei um resmungo, em entendimento, sem olhar para ela e sem querer qualquer contato com ela, mesmo que fosse só verbal. Percebi que Rose se afundou no banco, olhando pela janela. Eu mantive minha atenção na estrada, mas me perguntava até que ponto, uma garota tão jovem como ela podia chegar em matéria de sentimentos. Provavelmente, o que ela sentia por mim não passava de uma paixonite de uma aluna para um professor. Uma coisa muito comum, como tantas histórias que acontecem em tantas escolas. Não deveria ter a mesma intensidade para ela do que tinha para mim.

“Ali.” Ela falou apontando para uma pequena estrada de terra, cerca de vinte minutos depois de ter falado pela última vez. Acelerei pela estrada, sabendo que o nosso tipo de carro tiraria uma vantagem sobre o carro deles. Um redemoinho de terra subia, à medida que avançávamos.

“Eles fizeram outra curva.”

Eu me guiei pelas instruções de Rose, um pequeno comboio nos seguia. Até que ela avisou que eles tinham parado.

“Eles estão do lado de fora de uma pequena cabana. Eles estão a levando –“

Eu olhei para ela e percebi que seu semblante tinha se tornado vazio. Eu já conhecia aquilo. Eu continuei dirigindo, acelerando o máximo possível. O carro se debatia na estrada desnivelada. Eu sentia a tensão tomar conta de mim, à medida que nos aproximávamos do nosso destino. Tentei me focar ainda mais na missão mas sempre meus pensamentos voltavam para aquele quarto e o que quase aconteceu conosco.

Seguimos ainda pela estrada, quando Rose deu um enorme grito. A princípio, eu levei um susto, pois estava totalmente concentrado no caminho que seguíamos. Eu dei uma enorme freada, de forma que a SUV quase girou na pista. Olhei alarmado para ela, esperando entender o que se passava.

“Não, não! Continue! Nós temos que chegar lá!” Ela gritou pressionando as têmporas.

“Rose, o quê está acontecendo?” Alberta, que estava no banco de trás, tocou no ombro de Rose, preocupada. Eu tinha quase esquecido que ela estava lá atrás.

“Eles estão a torturando... com ar. Um cara... o Kenneth... está fazendo uma pressão com ar na cabeça dela. A pressão é insana. É como se – o crânio dela fosse explodir.” Sua voz era quase chorosa.

Eu olhei para ela pelo canto do olho e acelerei ainda mais. Olhei novamente para ela e vi que ela estava de novo com Lissa. Quando ela voltou, senti que o desespero tomava conta dela. E mais uma vez, Alberta perguntou o que tinha acontecido.

“Eles a torturaram mais e mais. Ela não suportou e cedeu, usando a sua mágica. Ela curou Victor Dashkov. Lissa usou muita magia para isso e ela está fraca, muito fraca. Não foi fácil para ela. Ele está restaurado, mas é como se sugasse boa parte da vida dela para fazer isso. Victor não está mais velho. Ele é jovem de novo. E Lissa... ela desmaiou exausta.” Rose narrou quase aos prantos. O pânico era latente em sua voz.

Senti um grande ódio por Victor tomar conta de mim. Eu tinha vontade de acabar com ele. Até que ponto uma pessoa poderia ir para atingir seus objetivos? Passar por cima de todos e de tudo dessa forma, usar o dom de uma pessoa meramente para o seu deleite era algo desprezível.

“Filho da puta.” Xingie baixo em Russo “queria poder acabar com ele.” Apertei o volante, sentindo todo o instinto de proteção tomar conta de mim.

Rose me olhava, assustada, sem entender uma palavra sequer. Eu não me dei o trabalho de traduzir.

Quando avistamos de longe a cabana, nós paramos. Alberta ligou para os demais que nos seguiam e todo comboio parou. Todos os guardiões saíram e se reuniram para montar uma estratégia de invasão. Mandamos um de nós averiguar o ambiente. Pouco tempo depois ele voltou, contando tudo que tinha visto, principalmente o número de pessoa dentro e fora da cabana. Quando todos começaram a tomar seus postos, Rose saiu do carro e começou a me seguir. Eu senti meu coração apertar. Rose não estava preparada para aquele tipo de luta que encontraríamos. Ela tinha pouco treinamento ainda, não podia lutar com guardiões experientes.

“Não, Roza, você fica aqui.” Falei gentilmente, segurando seu ombro. Eu podia sentir todo afeto que eu tinha por ela tomando conta de mim. Eu não queria colocá-la em perigo.

“Pro inferno com isso! Eu preciso ajudá-la!” Ela ignorou o meu apelo, quase explodindo.

Eu seguei seu queixo, levantando um pouco, de forma que eu pude olhar diretamente nos seus olhos. Como eu gostava dela. Eu arriscaria dizer que eu queria mais a segurança dela do que a de Lissa. E isso era errado para uma guardião.

“Você a ajudou. Seu trabalho está feito. Você o fez muito bem. Mas este não é um lugar para você. Ela e eu, ambos, precisamos que você fique segura.” Falei com toda sinceridade que eu tinha. Lissa podia ter necessidade de Rose, mas eu não conseguiria saber o que seria de mim se algo grave acontecesse com ela. Eu ainda a olhei por poucos segundos. Ela pareceu se acalmar um pouco, e eu consegui ver um fio de concordância em seus olhos. Eu acenei, soltando seu rosto. Ela retribuiu o meu aceno e eu segui para dentro da floresta, me perdendo entre as árvores.
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CAPÍTULO 44

Mensagem por shadowangel em Dom Jun 24, 2012 11:41 am

Corremos pela floresta, sorrateiramente nos escondendo nas sombras das árvores. Era dia e o sol brilhava no céu, o que nos deixava mais vulneráveis e visíveis. Nós avistamos a cabana e fiz um sinal para que cada um tomasse sua posição. Os guardiões se espalharam em pontos estratégicos, se preparando para o ataque. Dois seguranças de Victor estavam do lado de fora e eram Morois. Muitos Morois, de classe mais baixa se dedicavam a algumas tarefas sujas em troca de dinheiro e reconhecimento. Eles estavam armados, por isso tínhamos que preservar o elemento surpresa da ação.

Nos aproximamos cada vez mais, até que os atacamos de forma silenciosa e precisa, tal como uma serpente. Em poucos segundos eles estavam mortos e nós invadindo a cabana. De forma perfeitamente sincronizada, os guardiões entraram pela porta da frente, janelas e porta dos fundos, surpreendendo a todos e não dando chances alguma de defesa. Mesmo assim, alguns dos guardiões de Victor tentaram resistir e foram mortos. Eu só não dizia que era uma pena, devido ao baixo número de guardiões, porque eu acreditava que era melhor nenhum guardião a lidar com a corrupção entre eles.

Eu entrei na cabana e meus instintos buscando somente uma pessoa: Lissa. Nada mais interessava para mim a não ser resgatá-la sã e salva. Meus olhos varreram o local à sua procura, mas não havia vestígios dela. Corri pelos ambientes em busca dela, sem sucesso. Na cozinha, guardiões seguravam Victor Dashkov. Quando olhei para ele o choque me varreu. Ele estava jovem e vigoroso novamente. Seus olhos verdes brilhavam e sua pela era viçosa. Eu senti uma onda de ódio me tomar e fui até ele, forçando para me manter em controle.

“Onde está Lissa?” perguntei entre os dentes, segurando-o pela gola do casaco. Ele apenas sorriu.

“Ela saiu pela janela.” O outro guardião, que estava imobilizado, respondeu. Todos nós nos voltamos para ele.

“Como?” Peter, um dos guardiões do nosso comboio perguntou.

“Ela se levantou do sofá e saiu pela janela. Ela pediu para fazer isso e eu deixei.” Ele falou calmamente e com olhos maravilhados. Todos trocaram olhares de entendimento e mostrando conhecer aqueles sintomas. Lissa tinha usado compulsão nele.

Soltei Victor e sai da cabana correndo, com todos os meus sentidos em alerta, escaneando cada pedaço da floresta onde eu passava. Nem sinal dela. Eu detestava admitir isso, mas eu não tinha a menor idéia por onde ir. Continuei correndo, quando escutei o som distante de tiros, vindo da direção oposta da que eu estava indo. Sentindo meu corpo todo responder aquele som, praticamente voei por entre as árvores. Eu não sabia dizer o que estava acontecendo, mas algo me dizia que não era nada bom.

Corri e me encontrei com outros guardiões que também tinham entrado em ação devido ao estopim das balas. Alguns minutos depois, encontramos uma pequena clareira. E me senti esfriar quando vi o que tinha lá. Vários psi-hounds estavam mortos, Lissa e Christian amparados um no outro. E Alberta erguendo Rose desacordada em seus braços.

Eu cruzei a clareira como um raio até elas, esquecendo tudo e todos à minha volta. Eu não podia acreditar que Rose tinha ignorado o meu pedido para ficar no carro. Eu devia ter previsto que ela não agüentaria ficar fora de ação e, agora, as conseqüências foram estas.

“Belikov,”Alberta chamou, quando me avistou. “Ajude-me aqui, temos que levá-los para ver um médico imediatamente.” Ela me falou enquanto me entregava Rose desfalecida.

“O quê aconteceu aqui? Eu mandei que Rose esperasse no carro!” Exclamei, sentindo o desespero em minha voz e em mim, enquanto constatava como Rose estava. Ela tinha um grande corte perto da linha dos cabelos, por onde o sangue jorrava. Muitos outros cortes e arranhões se espalhavam pelo resto de seu corpo. Várias partes de sua roupa estavam rasgadas. Sentir o seu corpo esmorecido em meus braços fez uma onda aflição tomar conta de mim.

“Psi-hounds os atacaram. Provavelmente enviados pelo Príncipe Victor. Não se aborreça com Rose, Belikov. Teria sido pior se ela não estivesse aqui. Ela lutou bravamente para protegê-los.” Alberta falou acenando com a cabeça em direção a Christian e Lissa que ainda se amparavam. Foi quando me dei conta que eu só estava preocupado, novamente, com o estado de Rose.

“Como eles estão? O quê Christian Ozera faz aqui?” Perguntei.

“Eu já disse, eles precisam ver um médico. Devemos ir agora e depois tentamos entender tudo.” Alberta falou autoritariamente, deixando claro que era para todos baterem em retirada. Eu andei a passos largos, ainda carregando Rose. No carro, tentei acordá-la diversas vezes, em vão. Nunca uma viagem me pareceu tão longa. Lissa sentou no banco de trás conosco.

Durante o caminho de volta, contou resumidamente o que tinha acontecido. Ela havia fugido da cabana, mas ainda estava muito fraca, sem ter idéia para onde seguir. Provavelmente, Rose sentiu isto pela ligação e foi até ela. Foi quando os psi-hounds apareceram e os atacaram. Rose partiu em sua defesa e acabou bastante machucada. Christian também foi gravemente ferido. Lissa também não sabia dizer o que Christian fazia ali, tentou curá-lo, mas toda a sua energia tinha sido sugada por Victor. Então, Rose se ofereceu como alimentadora para que ela pudesse se restabelecer e salvar Christian, que já estava à beira da morte.

Minha mente tentava processar tudo. Alberta repetia que Rose tinha tido um ato heróico e eu realmente via assim. Eu a olhava angustiado, torcendo que sua recuperação se desse sem problemas. Eu sabia que Lissa e Christian também tinham sido afetados e forcei a minha mente a tentar pensar neles em primeiro lugar. Eu repetia e repetia o mantra dos guardiões, mas não adiantava. A verdade era que eu pouco ligava para eles, com Rose naquele estado diante de mim. E isso era uma das piores coisas que podia acontecer a um guardião.

Os carros dispararam pela estrada e finalmente, avistei as torres da Academia surgirem no horizonte. Equipes médicas nos aguardavam, pois Alberta tinha passado o alerta por telefone, enquanto estávamos no caminho. Assim que paramos, Rose foi colocada em uma maca e, ainda desacordada, foi levada para a clínica médica. Eu acompanhei a equipe da Dra. Olendizki e observei, em pé, no canto da sala, as ordens gritadas enquanto vários procedimentos eram realizados. A coisa que eu mais queria era que ela dissesse que Rose ficaria bem.
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CAPÍTULO 45

Mensagem por shadowangel em Ter Jul 17, 2012 6:46 pm

Algumas horas se passaram até a Dra. Olendizki nos informar que todos já estavam fora de perigo e ficariam bem. Uma onda de alívio passou por mim, assim que eu ouvi essas palavras dela. Christian e Lissa foram liberados, mas Rose precisaria ficar internada por alguns dias, sob medicação. Eu cogitei em ficar ali, mas Lissa não abriu mão em ficar do lado de Rose, se tornando desnecessária a minha presença. Eu ainda me sentia mal por deixá-la, e fiquei por lá, na sala de espera, esperando que ela acordasse. Eu estava com a cabeça abaixada e os braços apoiados nos meus joelhos, quando alguém tocou no meu ombro. Levantei os olhos e era Alberta.

“Você precisa descansar um pouco, Belikov. Precisaremos da sua ajuda para elaborar o relatório de toda essa operação para a Corte, logo mais. Você já está acordado há mais de dois dias.”

“Eu estou bem. Não se preocupe comigo.”

Alberta acenou e me estudou por alguns momentos. Eu olhei de relance para ela e seu olhar sábio quase me chocou. Então ela se abaixou, sentando ao meu lado e dando um longo suspiro. Poucos segundos de silêncio se seguiram e eu comecei a me sentir incomodado, mas tentei não demonstrar isso.

“Estes foram acontecimentos muito reveladores.” Alberta falou pensativa. Eu assumi que ela estava se referindo a mágica de Lissa e permaneci calado, olhando para frente. “Dimitri,” ela me chamou, com um tom gentil, e eu a olhei surpreso por ela ter usado meu primeiro nome. “Vá para o seu quarto, pense um pouco e descanse. Rose ficará bem. E lembre-se: ela é apenas a sua aluna. Nada mais que isso.” Ela deu dois tapinhas na minha mão direita e vi em seu rosto a pretensão de um sorriso. Eu tentei esconder ainda mais o choque que me varria, enquanto ela se levantava e saía.

Uma onda de compreensão tomou conta de mim. Meu Deus, o quê eu estava fazendo? Como eu podia ter deixado o meu lado emocional tomar conta de mim daquele jeito? Tanto que outras pessoas já estavam notando o que estava se passando comigo, como deixei chegar a este ponto? Eu realmente não podia me render a isso.

Obedecendo a um impulso, me levantei rapidamente e caminhei a passos largos até o meu quarto. Não havia outro lugar pior para ter ido. Entrar lá foi uma das piores coisas que já experimentei. Era como se, a cada momento, eu fosse virar e ver Rose. A presença dela ali ainda era muito forte. Tomei um banho e deitei na cama fria tentando dormir um pouco, mas foi pior. Eu fechava os olhos e quase podia sentir Rose ali comigo, sua pele, seu calor. O cheio dela ainda estava nos lençóis e não tinha como me libertar daquilo tão fácil. Eu ia acabar enlouquecendo.

Assumindo que deveria fazer de tudo para retomar o meu antigo controle, decidi que me manteria longe de Rose por um período. Por isso, não a visitei mais na clínica médica e suspendi as aulas dela por tempo indefinido. Vez por outra eu tinha notícias sobre seu estado de saúde, que eram cada vez melhores. Mesmo assim, ignorar Rose não era nada fácil. Às vezes eu pensava que era impossível.

Mergulhei de cabeça no muito trabalho que me esperava. Os acontecimentos do seqüestro de Lissa nos forçaram a preparar, para a Corte, longos e detalhados relatórios sobre cada fato ocorrido. Desde os animais mortos, usados para assustar Lissa, até todo desenrolar do resgate. Encontrei Alberta no dia seguinte, após a nossa breve conversa na clínica médica, mas foi como se ela nunca tivesse falado nada para mim. Ela agiu da mesma forma imparcial e profissional de sempre e eu não ousei mencionar nada.

Victor Dashkov ficou preso em uma das celas da Academia, aguardando uma definição vinda do Conselho Moroi. Ele certamente passaria por um julgamento e seria condenado, considerando as provas incontestáveis, que levantamos contra ele. Nós vivíamos dentro de países com suas próprias leis, mas os Morois se regiam por códigos que eram aplicados de forma rígida, porém discreta. Natalie também ficou sob observação dos tutores da Academia, ela tinha sido usada pelo pai como parte do seu plano, mas não foi considerada de todo inocente.

Recolhemos depoimentos de todos que participaram da operação e Lissa teve que dar longas explicações sobre o seu dom. O interrogatório de Rose ficou por conta de Kirova, eu nem se quer o peguei para ler. Poucas pessoas tiveram acesso a todo esse processo, já que usuários do espírito eram raros e sempre despertavam o interesse, geralmente de forma negativa, nas pessoas. Como foi com Victor.

E por falar nele. Mesmo passado alguns dias, a Corte ainda não sabia ao certo como agir. Ele era um príncipe Moroi, ou seja, membro da alta realeza. Realmente, não seria fácil para seus pares lhe aplicarem qualquer tipo de punição, ainda que seus atos tenham sido desprezíveis. Ele foi mantido na Academia, sob forte vigilância, até que seu destino fosse decidido. Eu fui escalado para um turno de guarda, em frente a sua cela, no terceiro dia depois da sua prisão.

Ele sorriu quando me viu puxando uma cadeira e sentando. “Ora, ora, ora. Vejam quem veio me fazer companhia.” Ele falou de forma divertida.

Eu o ignorei e peguei meu livro, abrindo na página marcada. O sorriso dele se tornou uma gargalhada. Eu permaneci estático.

“Guardião Belikov, eu esperava mais gratidão vinda de você.” Sua voz foi afiada como uma espada, porém baixa, ensaiava uma ofensa. Eu não respondi e ele pareceu não se importar com a minha indiferença. “Suponho que você tenha gostado bastante dos momentos que lhe proporcionei.” Ele falou alto, chamando a atenção dos outros guardiões que também estavam de plantão. Eu olhei mortalmente para ele por cima do livro.

“Sr. Dashkov, não estou interessado em conversar com o senhor.”

“Pois deveria. Eu tenho trunfos que podem destruir a sua carreira, você sabe.” Ele falou, estudando casualmente suas unhas e depois se aproximou da grade da cela, apertando o rosto entre elas. “Basta uma palavra minha e você ocupará a cela ao lado.”

“A sua palavra não é algo que as pessoas confiem muito, ultimamente.” Blefei. Mas ele estava certo. As lei Morois eram severas, principalmente quando se tratava de abuso de menores.

“Certamente. Mas contra fatos, não há argumentos. Qualquer um que observar mais atentamente chegará a mesma conclusão que cheguei.”

Eu me mantive neutro, sem demonstrar qualquer reação. Mesmo assim, eu lembrei do olhar e das palavras de Alberta na clínica médica. Mais uma vez, me senti vulnerável, mas tranquei isso dentro de mim. Cruzei os braços e lhe lancei um olhar desafiador, eu não podia deixar que ele me intimidasse.

“Você me decepcionou muito, Belikov.” Ele prosseguiu. “Antes, você sempre foi conhecido pela sensatez e seriedade. Como pôde se entregar a algo tão insano e infantil?” Ele fez um som de estalo com a boca ‘tsc tsc tsc’. “Que a jovem Rosemarie tenha desenvolvido uma paixão adolescente por você, é esperado - e até aceitável. Adolescentes se apaixonam a todo o momento. Mas você? Um homem adulto e experiente se aproveitando de uma criança? Não, isso não! Isso é repugnante...” Seu tom sugeria uma falsa indignação.

Eu me levantei, rápido como um flash e, com um único passo, me coloquei em frente às grades, encostei minha testa na dele, olhando para ele diretamente nos olhos. Senti uma grande ira se apoderar de mim. Mais uma vez, as emoções estavam falando mais alto.

“Você não vai falar nada. Você só faz o que lhe traz algum proveito. Revelar isso não lhe serviria para nada. Não agora e nem depois e, além do mais, você não sabe do que eu sou capaz. Então porque você não fica quieto e cala essa sua maldita boca?”

No fundo de seus olhos verde-jade, eu pude ver um fio de medo passando por eles. Apenas um fio, mas foi suficiente para mim. Ele deu um pequeno e irônico sorriso.

“Ah, é sempre um prazer conversar com você, Guardião Belikov.” Ele se afastou das grades, me dando as costas, e se dirigiu a uma pequena cadeira, que estava próxima a uma mesa. Antes de sentar ele acrescentou, sem me olhar “claro que eu sei do quê você é capaz. Você tem uma bela fama. É você que não sabe do que eu sou capaz.”

Ele se sentou e ficou olhando para a parede, em silêncio. Momentos depois, eu voltei para o meu posto, peguei o meu livro, mas não consegui ler mais nenhuma linha. Filho da mãe ou não, ele tinha toda razão. Eu tinha perdido todo o controle da minha vida.
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CAPÍTULO 46

Mensagem por shadowangel em Dom Ago 26, 2012 11:51 am

No dia seguinte, levantei cedo e fui ao ginásio treinar um pouco. Quando estava saindo, escutei a porta de um dos escaninhos fechando. Curioso para saber quem estaria ali tão cedo, diminui meus passos, para dar tempo da pessoa se revelar. Senti meu corpo esfriar quando vi quem era. Rose. Ela vinha com uma mochila na mão e parou quando me viu. Mantendo a minha decisão de ignorá-la, comecei a passar por ela, mas meu coração apertou dentro de mim. Não tinha porque traté-la mal. Então, parei. Busquei mentalmente palavras e palavras para falar com ela, mas nada parecia apropriado. Um desconforto cresceu ainda mais, à medida que ela também permaneceu em silêncio.

“Rose... Você precisa reportar o que aconteceu conosco.” Foram as coisas mais sensatas que me ocorreram. Aquilo parecia o certo a ser feito, embora isso fosse me prejudicar por completo. Mesmo assim, eu tinha obrigação de orientá-la. Eu já tinha me aproveitado demais da situação, talvez as conseqüências de tudo me servissem como uma espécie de remissão.

“Eu não posso fazer isso. Eles vão lhe despedir. Ou pior.”

“Eles deveriam me demitir. O quê eu fiz foi errado.”

“Você não podia impedir. Foi o feitiço.”

“Não importa. Foi errado. E idiota.” Soltei e percebi que Rose mordeu os lábios, engolindo um choro. Não podia ser. Ela não podia chorar ali, diante de mim. Colocaria toda a minha determinação a perder.

“Olha, não foi grande coisa.”

“Foi sim, grande coisa! Eu me aproveitei de você!” Senti que meu autocontrole estava por um fio.

“Não. Você não se aproveitou.” Sua voz soou extremamente compreensiva.

Fiz um esforço quase que sobrenatural para manter a minha dureza. Se ela tivesse prestado mais atenção nas minhas palavras, teria visto o real sentido delas. Se eu tivesse sido somente guiado pelo feitiço não teria sido nada errado e idiota. Teria sido somente uma coisa que eu não podia controlar. Percebendo que ela tinha acreditado no que eu tinha dito, prossegui. Tentando soar forte.

“Rose, eu sou vários anos mais velho que você. Em dez anos, isso não significaria muito, mas agora, é o suficiente. Eu sou um adulto e você uma criança.” Praticamente repeti as palavras de Victor que ainda ecoavam nos meus ouvidos. Rose deu um passo atrás, seu rosto transparecendo uma grande decepção. Eu sabia que ela não gostava de ser tachada como infantil.

“Você não pareceu achar que eu era uma criança, quando estava em cima de mim.” Ela grunhiu. Aquelas eram palavras típicas dela e me deixaram, um pouco, sem ação. Só um pouco.

“Só porque o seu corpo...” Lembrar do corpo dela, quase me trouxe de volta todo aquele desejo que eu tive naquela noite. Com a diferença que não tinha feitiço algum aqui. Rapidamente afastei aqueles pensamentos. “Bom, isso não faz de você uma adulta. Nós estamos em dois lugares bem diferentes. Eu conheço a vida. Eu vivi sozinho. Eu já matei, Rose – pessoas, não animais. E você... você está apenas começando. Atualmente, sua vida se resume a dever de casa, roupas e bailes.” Eu sabia que ia soar ofensivo e dar a ela uma visão fútil da vida, mas eu só queria que ela percebesse a diferença entre nós.

“É só com isso que você acha que eu me importo?” Seu tom era totalmente indignado, como eu esperava.

“Não, é claro que não. Não totalmente. Mas tudo isso faz parte do seu mundo. Você ainda está crescendo e descobrindo quem você é e o que lhe é importante. Você precisa continuar esse caminho. Você precisa ficar com garotos da sua idade.” Senti estas últimas palavras me cortarem. Ela ficou em silêncio e eu não sabia dizer, pela sua expressão, como ela tinha processado aquilo. Eu busquei forças dentro de mim para falar o que eu estava pretendendo.

“Mesmo que você escolha não reportar nada, você precisa entender que foi um erro.” Falei firmemente. “E nunca mais vai acontecer de novo.”

“Porque você é muito velho para mim? Porque isso não é responsável?” Sua voz era dolorosa e eu travei uma verdadeira batalha interna para não esmorecer diante dela. Era tão claro para mim agora que ela realmente estava apaixonada por mim, o que tornava tudo ainda mais difícil. Eu tinha um grande senso ético e não podia deixar que uma paixão vencesse todos os valores construídos durante uma vida. Forcei para me manter neutro. Eu precisava fazer o que era certo, não importava como eu me sentia. Ou como ela se sentia. Não podíamos levar isso adiante.

“Não.” Senti minha voz sair gélida e indiferente, em nada refletindo a tempestade que estava dentro de mim. “Porque eu simplesmente não estou interessado em você desse jeito.”

Ela me encarou, tentando parecer forte, diante daquela cruel rejeição. Com a voz firme e o queixo erguido ela ainda teve força para me laçar o olhar mais doloroso que uma pessoa poderia ter. Eu senti meu estômago revirar e meus joelhos baterem. Resgatando o último vestígio de controle que eu ainda tinha, acrescentei, mais para mim do que para ela.

“Aquilo só aconteceu por causa do feitiço. Você entendeu?”

Ela simplesmente acenou em concordância, sem discutir, sem reagir. “Sim. Eu entendi.”

Rose colocou a mochila nas costas e saiu do ginásio, sem olhar para trás. Eu observei cada passo dela, até que a porta se fechou e eu fiquei sozinho. E então, desabei, de joelhos, sentindo como se o mundo inteiro se desmoronasse em cima de mim. A vontade que eu tinha era de sair correndo atrás dela e jogar tudo para o alto. A pior coisa que podemos fazer é tentar matar um amor. E era isso que eu estava tentando fazer. Mas eu não estava conseguindo. Por mais ético e sensato que eu fosse, eu a desejava mais do que qualquer coisa. Enquanto minhas palavras diziam uma coisa, todos os meus sentidos gritavam outra. Era de se admirar que ela não conseguisse ouvir meu coração, de tão forte que ele batia por ela. O pior de tudo era ver, em seus olhos que ela sentia o mesmo. O pior de tudo era machucá-la, mas era para um bem maior, eu tentava me convencer disso. Mas, mesmo sabendo disso, não conseguia me sentir menos culpado pelo que eu tinha dito, por ter machucado a Rose.

Victor tinha razão. Adolescentes se apaixonavam todos os dias e, em breve, ela se esqueceria de tudo isso. Linda do jeito que ela era, não demoraria que outra pessoa ocupasse esse lugar em seu coração. Alguém apropriado para ela. Eu é que não conseguiria a esquecer nunca.
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CAPÍTULO 47

Mensagem por shadowangel em Seg Set 03, 2012 7:05 pm

Passei o resto do dia me sentindo péssimo. O meu habitual humor introspectivo se tornou em uma profunda irritação. Eu não conseguia ter paciência com nada e ninguém, por isso pedia a Alberta para passar o resto do dia, depois das aulas, e à noite, cobrindo turnos de guarda. Caminhar pelas fronteiras do campus, sozinho, poderia aliviar minha mente um pouco. Por mais que eu tentasse, os pensamentos em Rose não me abandonavam. Os tristes olhos dela pairavam diante de mim, a todo o momento. Eu realmente me sentia horrível. Quando amanheceu, eu entreguei meu turno para o próximo guardião de plantão e segui para o meu quarto, eu precisava tentar dormir um pouco. Quando cheguei ao hall do dormitório, lembrei que tinha deixado umas coisas minhas no escaninho do prédio dos professores. Fui até lá buscar pois, entre elas, estava o livro que eu estava lendo. Passei rapidamente pelos pátios, que ainda estavam quase silenciosos, ainda era muito cedo, tinha apenas alguns estudantes que se dirigiam à cafeteria para tomar café da manhã. Olhar para eles fez meu estômago revirar de fome e percebi que não havia comido nada.

Passei pela a área comum dos professores, uma ante sala de uma pequena cantina que tinha lá, cheia de mesas, que estava totalmente vazia, também devido ao horário. Estranhamente, uma caneca de café estava ao lado de um grande livro aberto, em uma mesa do canto esquerdo. Alguém provavelmente tinha saído às pressas e deixado aquilo ali. Fui até a mesa para pegar o livro e verificar de quem era, mas acabei tropeçando em algo. Quando olhei para baixo o espanto me varreu.

O Sr. Nagy, estava desacordado, estendido no chão. Eu me abaixei para checar seus sinais vitais e verifiquei que ele estava sem pulso. Ele estava morto. Sua pele estava totalmente pálida como se estivesse... sem uma gota de sangue. Fui rapidamente até seu pescoço e lá tinha as duas marcas das presas de um vampiro. Os olhos dele estavam abertos e vidrados. Cheguei rápido a conclusão que algum Moroi tinha bebido dele até matá-lo. Algum Moroi tinha se tornado um Strigoi, dentro da Academia. O corpo dele estava rígido e frio, indicando que já estava morto há um tempo. Entrei imediatamente em ação, segurando minha estaca firmemente. Sai correndo pelo prédio, meus olhos vasculhando cada canto, cada local. Não encontrei nada. O Strigoi não estava ali, mas certamente estava na escola. Ele não conseguiria sair, devido as wards. Parei na recepção, escondendo discretamente minha estaca, atrás das costas.

“Você viu algo diferente acontecer hoje de manhã aqui?” Perguntei casualmente à recepcionista, tentando manter minha calma.

“Algo diferente? Humm, não.”

“Alguém agindo diferente?”

Ela ficou pensativa “Hum, acho que não... Bem, hoje não. Ontem à noite, perto do toque de recolher. Aquela garota, Natalie Dashkov. Ela esteve aqui procurando o Sr. Nagy, disse que tinha um trabalho extra para lhe entregar e que estava atrasada. Eu achei estranho, pois ouvi dizer que ela estava em detenção, sem poder sair de seu quarto, mas como o assunto era escolar, achei que não tinha nada demais.”

“E você chamou o Sr. Nagy aqui?”

“Não. Ele estava na área comum, como sempre faz todas as noites. Eu mandei que ela fosse para lá, encontrar com ele.”

“E a que horas ela saiu?” Minha mente começou a girar a mil. Não era possível que Natalie tivesse se transformado em uma Strigoi. Mas tudo indicava isso.

Percebi que a recepcionista estava ficando um pouco nervosa, com meu interrogatório, mas não me importei.

“Err... eu não a vi saindo... como eu disse, foi perto do toque de recolher. Quando deu a minha hora, eu fui logo embora, nem lembrei que ela ainda estava lá.” Ela falou um pouco constrangida. Eu agradeci e sai caminhando rápido, tentando não chamar a atenção.

“Desculpe-me, Guardião Belikov!” Ainda ouvi a recepcionista falando, enquanto eu saia pela porta de vidro.

Claro Era óbvio que tinha acontecido. Noite para os Morois, significa que o sol está brilhando forte no céu. Provavelmente, Natalie, sendo um Strigoi, se escondeu em algum lugar, esperando anoitecer novamente para cumprir o seu plano, qualquer que fosse ele. E tinha acabado de anoitecer, os Morois estavam acordando, aos poucos, a escola estava ficando agitada. Enquanto me perguntava o que Natalie pretendia, corri para o prédio dos guardiões, mas Alberta ainda não estava lá. Quando eu estava saindo do seu escritório, escutei um som estranho, porém familiar, vindo do andar de cima, onde ficavam as celas da prisão. Era som de luta. E logo a resposta veio para mim de forma clara e precisa. Natalie estava tentando libertar o pai.

Sem pensar em mais nada, segurei minha estaca e, mais rápido que um raio, voei pelas escadas, até o andar de cima. Quando dobrei o corredor das celas, encontrei os dois guardiões que estavam em guarda caídos e desacordados. Foi quando eu vi Natalie segurando Rose e a arremessando contra uma parede. Tão rápido quanto a jogou, partiu para cima dela, com fome nos olhos, tanto que não viu que eu estava lá. Sem hesitar um segundo sequer, atravessei o corredor, com minha estaca em punho, pronto para o combate.

Percebendo minha aproximação, ela esqueceu Rose e se voltou para mim, em um rápido ataque. Natalie podia ser uma Strigoi e isso lhe dava força e rapidez nos seus gestos, mas ela, enquanto Moroi, não tinha tido treinamento algum, fazendo com que seus golpes seguissem apenas a sua intuição, não tendo técnica.

Forçando minha mente para não lembrar da antiga e frágil Natalie, travei com ela uma luta sincrônica. À medida que ela atacava, eu revidava, formando assim, um perfeito balé. Era quase como uma dança. Sempre que eu lutava, sentia meu corpo todo em alerta em perfeita sincronia com minha mente. Levei alguns golpes e dei outros tantos, somente esperando uma abertura. Uma chance que veio, poucos minutos depois e eu não a desprezei. Puxei minha estaca e, em um movimento quase que invisível aos olhos, a cravei em seu coração. Observei enquanto ela caia agonizante. Quando tive certeza que ela estava morta, retirei minha estaca dela e fui rapidamente até Rose, que assistia a tudo, quase que desfalecida, estendida no chão.

Eu tinha visto a força com que Natalie a tinha arremessado contra a parede e, certamente, seu estado era grave. Embora eu quisesse encher Rose de perguntas e tentar entender o que ela fazia ali, sabia que não tinha tempo para isso. Ainda sentindo a adrenalina da luta no meu corpo, corri para ela e a ergui nos meus braços.


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CAPÍTULO 48

Mensagem por shadowangel em Ter Nov 13, 2012 11:57 am

Ergui Rose em meus braços, e sai correndo. Eu só pensava em chegar à clínica médica o quanto antes. Um golpe de um Strigoi tinha uma força sobrenatural e podia causar sérias lesões a uma pessoa. E ela não me parecia nada bem.

“Ei, Camarada” Rose chamou, com a voz sonolenta, enquanto eu corria pelas escadas. “Você estava certo sobre os Strigois.” Eu olhei para ela e percebi que ela estava desfalecendo. Se fosse uma concussão, tudo se complicaria se ela ficasse inconsciente. Por um momento eu pensei que a estava perdendo. Desta vez, definitivamente. Senti o desespero tomar conta de mim.

“Rose. Roza. Abra seus olhos. Não durma agora. Ainda não.” Minha voz saiu rápida e sem controle. Ela abriu os olhos e olhou em volta, eu sai do prédio dos guardiões, indo o mais rápido que eu podia.

“Ele estava certo?” A voz dela era quase desarticulada.

“Quem?”

“Victor... ele disse que não teria funcionado. O colar.”

“O quê você quer dizer?” Perguntei a sacudindo um pouco, tentando mantê-la acordada e consciente, pois percebi que ela tinha começado a desfalecer novamente.

“O feitiço. Victor disse que você tinha que me querer... que se importar comigo... para funcionar.”

Então foi isso. Isso que ela tinha ido fazer na ala da prisão. Ela foi saber sobre o feitiço e ele certamente tinha explicado a ela como funcionava. O sentimento de culpa se juntou ao que já estava se passando dentro de mim. Rose só estava desse jeito agora por culpa minha. Se eu não tivesse mentido para ela no ginásio, ela não teria ido procurar Victor e nada disso teria acontecido. Eu senti meu corpo esfriar e não sabia dizer se era por ter meus sentimentos revelados ou pelo medo de perdê-la. Eu simplesmente não consegui responder.

“Você queria? Você me queria?” Ela falou tentando segurar minha camisa e se erguer, mas estava fraca demais para isso.

“Sim, Roza. Eu queria você. Eu ainda quero. Eu queria... que nós pudéssemos ficar juntos.” Falei com toda sinceridade do meu coração. Tinha sido difícil demais mentir para ela, no dia anterior, agora era praticamente impossível. Todo amor que eu sentia por ela estava me invadindo de uma forma que eu não podia impedir.

“Então porque você mentiu para mim?”

Olhei para frente e vi que estávamos chegando à clínica médica. Umas enfermeiras que estavam lá se alarmaram em me ver carregando Rose daquele jeito e começaram a se mover para o socorro.

“Por que nós não podemos ficar juntos.” Falei baixo, perto do seu ouvido.

“Por causa da idade, certo? Porque você é o meu mentor?” Lágrimas brotaram dolorosamente de seus olhos. Sentindo meu coração apertar, limpei gentilmente uma que corria pela sua bochecha. Percebi que uma das enfermeiras tinha corrido para chamar a médica, e entrei correndo para uma das enfermarias.

“Isso é parte do motivo. Mas também... bem, você e eu seremos guardiões de Lissa, algum dia. Eu preciso protegê-la a todo custo. Se um grupo de Strigois vier, eu preciso jogar o meu corpo contra o dela, para protegê-la.” Eu fiz uma analogia, para explicar o que eu sentia, pois Rose estava novamente perdendo a consciência.

“Eu sei disso. É claro que é isso que você tem que fazer.” Sua voz foi fraca e distante.

“Não. Se eu me deixar amar você, eu não vou me jogar na frente dela. Eu vou me jogar na sua frente.”

Ela olhou sorrindo para mim, exatamente na hora que a Dra. Olendizki entrou na sala e assumiu o comando dos procedimentos médicos. Senti o pavor tomar conta de mim, ao observar o puro desespero da equipe médica, tentando salvar a vida de Rose. Ela tinha uma concussão e estava tendo uma hemorragia interna. Fiquei observando tudo, em pânico, até que alguém percebeu minha presença ali.

“O que ele faz aqui? Tirem ele daqui!”

Uma enfermeira veio na minha direção, me empurrando para fora da enfermaria e fechando a porta. Eu fiquei ali no corredor, em pé olhando para o chão, me sentindo derrotado. A vontade que eu tinha era de sentar ali e chorar até não poder mais. Mas eu não podia fazer isso. Eu não era mais criança e não chorava por nada, há anos. Poucos minutos depois, que mais pareceram horas, a porta do corredor abriu. Olhei e para frente e era Alberta.

“Belikov! O quê aconteceu? A recepção do prédio dos guardiões me avisou que você saiu de lá correndo com Rose desmaiada em seus braços!”

Eu lutei para manter aqueles sentimentos tempestuosos sob controle e forçar minha mente a trabalhar de forma coerente.

“Natalie Dashkov tentou libertar o pai.” Falei pausadamente, sentindo minha voz surpreendentemente calma. “Ela se transformou em uma Strigoi por vontade. Eu a matei, mas antes ela tinha atacado Rose.”

O rosto de Alberta era indecifrável. Ela avaliava a situação, enquanto eu relatava cada minuto do que tinha se passado, desde que eu encontrei o corpo do professor Nagy, até o presente momento. Ela suspirou fundo quando terminei.

“Vou averiguar os locais do incidente. Você vem comigo? Qualquer fato, a equipe médica nos avisará.”

“Não. Não vou sair daqui.”

Seu rosto continuou ilegível. Ela apenas acenou e saiu. E logo, eu estava sozinho novamente, pouco me importando com o que pensariam de mim. Mas minha solidão ali, durou pouco, novamente. Mal Alberta saiu, a porta abriu e Lissa passou por ela, em prantos.

“O quê aconteceu com Rose?”

“Um Strigoi a atacou.” Falei secamente.

“Um Strigoi? Onde foi is-“

Ela foi interrompida pela Dra . Olendizki que saiu da sala. Seu rosto era completamente desanimado e a sua voz mais ainda.

“Eu preciso de um bloco cirúrgico. Não sei se conseguiremos removê-la a tempo para um hospital.”

“Você está querendo dizer que Rose pode morrer?” Lissa perguntou incrédula.

“Não há muito que possa ser feito, não nestas condições que temos aqui.”

“Eu posso ajudar. Deixe-me tentar. Eu posso curá-la.”

“Princesa, não acho prudente. Não conhecemos seu dom por completo, temo que possa resultar somente na troca de uma vida pela outra.” O tom da voz da médica era finalístico.

“Eu posso fazer isso, eu sinto!” Lissa exclamou, entrando autoritariamente na sala. Eu a segui e lá ela se aproximou de Rose que parecia apenas dormir. Então, ela colocou as mãos em cima dela e fechou os olhos. Nada de anormal aconteceu. Aparentemente, nada estava sendo feito.

Pequenas gotas de suor brotaram da testa de Lissa e, alguns minutos depois, ela se afastou de Rose, cambaleando.

Alguns exames foram repetidos e a equipe da Dra. Olendizki chegou a conclusão que Rose estava curada, mesmo assim, ela foi mantida sob observação por alguns dias. Lissa e Christian não saiam do lado dela por nada. E por falar nestes dois, eles assumiram o namoro para todos, pouco se importando com que iriam pensar ou falar. Lissa recebeu medicações contra ansiedade e depressão, acreditava-se que isso amenizaria os efeitos colaterais da sua mágica. Funcionava com os usuários dos outros elementos e esperávamos que funcionasse com o espírito.

Victor Dashkov tentou fugir, em meio ao caos, mais foi detido pelos guardiões e voltou para mesma cela que ocupava antes. Quando foi capturado, apenas sorria. Ou ele era sínico ou era louco, assim eu pensava.

Após os dias de resguardo, Rose foi liberada para retomar a sua rotina normalmente. Ela voltou a treinar e nós nos tratávamos como professor e aluna, quase que em todo o tempo. Exceto quando eventualmente nossos olhos se encontravam e quase trazia tudo a tona novamente. Mas nós assumimos que era algo com o qual teríamos de viver e que teríamos que aprender a lidar.

Uma certa tarde de domingo, eu caminhava pelo pátio da Academia, quando avistei de longe, Rose em pé, junto a uma árvore do jardim. Ela brincava com um corvo que estava próximo a ela. Fiquei olhando aquela cena e imaginado como minha vida tinha mudado completamente por causa dela. A minha Roza.

**FIM**
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Re: [FanFic] Vampire Academy (O Beijo das Sombras) - Por Dimitri Belikov

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