[FanFic] Frostbite (Aura Negra) - Por Dimitri Belikov

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CAPÍTULO 16

Mensagem por shadowangel em Ter Fev 28, 2012 7:58 pm

Quando saí do quarto, deixei o bilhete com a inspetora do prédio de Rose para ser entregue a ela. Evitá-la parecia ser a atitude mais sensata agora. Eu realmente não sabia como iria reagir se a visse novamente, principalmente quando a sensação daquele beijo era tão recente em mim. Eu podia ter beijado muitas garotas no decorrer da minha vida, mas nenhuma era como Rose, nenhuma tinha causado em mim tanta sensação de perda de sentidos como ela.

Passei para o escritório de Alberta, eu tinha que comunicá-la que havia suspendido as aulas. Ela pareceu não se importar e disse que avisaria a Kirova. Peguei a escala de plantões e me ofereci para monitorar as wards, nas fronteiras da escola, pelo resto do dia e da noite. Assim eu ficaria distante do campus e não correria o risco de ver Rose. Depois do ataque aos Badicas, a segurança da Academia optou por deixar um guardião checando se existiam estacas pelas wards, já que agora nos deparamos com a realidade de que humanos trabalham para Strigois. Essa era uma tarefa muito maçante, pois consistia em rondas externas e a temperatura, a cada dia, diminuía mais.

Na manhã seguinte, após quase vinte quatro horas de serviço, eu entreguei o turno ao guardião que me renderia e segui para o meu quarto. Era isso que eu queria. Me sentir exausto e dormir como uma pedra. Assim, não teria tempo para pensar no que quer que fosse. Quando eu passava em uma trilha perto da cabana, encontrei Tasha que vinha com vários pacotes de supermercado.

“Hey Dimka!” Ela exclamou assim que me viu. “Eu estive lhe procurando.”

“Olá, Tasha, eu estava em serviço. Meu turno terminou há pouco. O quê você queria comigo?” Respondi, forçando um sorriso. Na verdade tudo que eu queria era chegar logo ao meu quarto. O frio era intenso e eu tinha passado praticamente a noite toda ao ar livre.

“Você sempre trabalhando demais...” Ela me analisou e apontou com a cabeça na direção da cabana. “Vamos entrar um pouco, tomar um café ou um chocolate, está muito frio aqui fora.”

“Desculpe, Tasha. Eu não sou uma boa companhia agora. Estou me sentindo exausto. Tudo que eu preciso nesse momento, é dormir um pouco.”

Ela me deu um sorriso triste. “Tudo bem, então porque você não vem mais tarde? Eu posso preparar um delicioso jantar para nós. Eu fiz uma bela limpeza na cabana, está bastante habitável agora. Assim poderemos combinar o que vamos fazer no natal.”

Eu tentei lutar contra a vontade de recusar aquele convite, mas assumindo que, naquele momento nada me soava divertido, acabei concordando. Eu precisava abrir minha mente para Tasha, eu não poderia pensar seriamente na proposta dela, se continuasse assim, a encarando somente como uma amiga.

“Então combinado, nós jantamos juntos hoje. Até mais tarde, então.”

Fui para o meu quarto, e como eu estava desejando, dormi como uma pedra. À noite, fui até a cabana, encontrar com Tasha. Eu realmente não tinha pensado em um encontro, até o momento em que ela abriu a porta e percebi que só tinha nós dois ali. Eu estava tão cansado quando a encontrei mais cedo, que acabei esquecendo de perguntar quem mais viria. A idéia de estar com Tasha em uma cabana no meio da floresta não me soava nada bom. ‘Mente aberta, Dimitri.’ Pensei novamente.

Sendo assim, eu já estava ali, não poderia sair correndo. Entrei na cabana e olhei em volta. Tasha tinha mesmo feito um belo trabalho de limpeza nela. E um cheiro ótimo de comida vinha da pequena e improvisada cozinha.

“Precisa de alguma ajuda aqui?” Falei, me aproximando do forno e buscando algo para me manter ocupado.

“Não, já está quase pronto.” Tasha respondeu, enquanto mexia em algo na antiga geladeira. Então ela virou, segurando uma garrafa de vinho. “Podemos tomar uma taça, enquanto esperamos.”

“Não acho que beber seria uma boa ideia. Tecnicamente, eu estou trabalhando. Não é minha folga.”

“Ah, Dimka, sem essa! Não é seu dia de folga, mas é sua hora de folga. Além do mais, você jamais ficaria bêbado com uma taça de vinho. Eu sei que você foi acostumado com vodka russa que é muito, muito mais forte.”

“Não é bem assim, Tasha.” Falei com um pequeno sorriso. Ela ignorou o que eu tinha dito e me entregou uma taça.

“Você precisa relaxar, está com uma aparência péssima. Você não tem dormido muito bem, não é, Dimka?” O tom dela era bastante carinhoso e preocupado. Eu achava engraçado que Tasha era uma das poucas pessoas que falava da minha aparência. Ela sempre achava que eu precisava de descanso.

“Até que não.” Eu disse, enquanto sentava em uma das cadeiras. “Eu estive em serviço a noite inteira, mas descansei depois disso.”

Ela sorriu e, rapidamente, começamos uma conversa amena. Eu confesso que, às vezes, era bom não ter que usar uma expressão dura o tempo todo. Eu me sentia bastante à vontade e relaxado com ela e não precisava me preocupar em manter meu controle, era como se eu pudesse ser eu mesmo, sem nada para me impedir. É bem verdade que Tasha não me provocava nenhuma reação intensa, que me fizesse perder a cabeça, como era com Rose, por isso eu não era forçado a me manter em constante vigilância. O que tornava a convivência com ela muito mais fácil.

Enquanto Tasha falava, eu a observava não conseguindo me impedir de pensar sobre isso. Era o que ela estava me oferecendo. Tranqüilidade, carinho, estabilidade. A realização de ter uma família estruturada, coisa rara para um dhampir. O maior impedimento estaria no preconceito das pessoas, mas isso era algo que nem eu e nem ela nos importávamos muito. Eu a olhava e pensava como ela era divertida, espontânea, leve e como nós nos dávamos bem. Eu podia passar horas e horas com ela, sem qualquer divergência.

Realmente, era como Tasha tinha dito. Parecia perfeito. Parecia o certo. Mas apenas parecia. Eu repetia para mim mesmo que era fácil gostar de dela. Se eu já gostava como amiga, eu poderia aprender a amá-la como mulher.

O problema, o maior de todos, era que Rose aparecia como uma doença me consumindo. Perto dela, todas as propostas feitas por Tasha perdiam o sentido. Eu sabia que jamais conseguiria parar de amar Rose. Não era algo que eu pudesse ter algum tipo de escolha. Mas eu sabia que podia, que devia me afastar dela. Para o bem dela mesma e para o bem de Lissa. E era com essa ideia que eu tinha que me acostumar. De viver longe dela, embora soubesse que isso seria uma grande batalha interior.

Nós jantamos, ainda conversando de forma descontraída. Não sei se por causa do vinho ou por Tasha não ter forçado nenhum contato mais intimo, eu me sentia totalmente relaxado e à vontade ali.

“O quê você acha de marcarmos para nove horas?”

“Hum?” perguntei ainda sob efeito de uma risada. Tasha havia contado uma história que eu nem me lembrava mais, mas que era muito engraçada. Eu tinha sorrido tanto, como há muito tempo não fazia.

“A ceia de natal!” Ela falou também rindo. “Eu não sei se fiz bem, mas convidei Janine também.”

“Janine? Você diz Janine Hathaway? O que ela tem a ver com a sua ceia?”

“Dimka! Você realmente falava sério com relação ao vinho?” Ela zombou “Nunca pensei que algumas taças lhe causassem amnésia alcoólica! Janine é a mãe de Rose! Eu acho que seria natural que ela passasse o natal perto da filha. E como Rose também virá, então, e convidei a mãe dela também.”

A simples menção do nome de Rose me fez sentir um frio na barriga. O meu bom humor foi embora. “Você convidou Rose?”

Tasha rolou os olhos, parecendo ainda achar engraçado a minha distração. “Não exatamente. Eu convidei Lissa, que dá quase no mesmo. Sendo assim, eu disse logo que ela poderia trazer Rose. Seremos eu, você, Christian, Lissa, Rose e Janine. Ah! Tem o Mason também, já estava esquecendo dele. Ele é amigo das crianças – e parece ser namorado de Rose.” Tasha falou contando nos dedos e acrescentou de forma pensativa. “Como eram muitos convidados, eu resolvi fazer em um dos apartamentos para visitantes da Academia. É bem mais confortável e apropriado. Não que eu me importe com isso, mas não posso impor aos meus convidados que venham para essa cabana mal estruturada.”

Eu ainda estava na parte que ela falou sobre ter convidado Rose e sobre Mason ser seu namorado. Senti meu coração doer. Como eu não tinha pensado que era lógico que ela viria? Eu sabia que tinha que me manter distante, mas mesmo assim, eu tinha vontade de revê-la. Eu sentia a falta dela.

“Alow, Dimka?” Tasha falou rindo, estalando os dedos em frente aos meus olhos. Foi quando percebi que tinha saído completamente de órbita. O olhar dela ainda era divertido. “Você não ouviu uma palavra sequer do que falei, não foi?”

Eu apertei os meus olhos com os dedos, me forçando para parecer natural.

“Desculpe, Tasha. Acho que você tem razão. O vinho já está fazendo seus efeitos... acho que é hora de ir.”

Ela me olhou de forma astuta e correu levemente os dedos pela minha perna. “Porque você não dorme aqui? Está nevando muito lá fora, e-“

Eu me levantei bruscamente, não deixando que ela terminasse. Realmente estava demorando que ela tentasse isso. Senti a tensão tomando conta de mim.

“Não, acho melhor não.” Tentei soar o mais simpático possível e coloquei a taça de vinho, que eu ainda segurava, em cima da mesa. “Eu já cometi muitos excessos hoje e tenho muito trabalho amanhã. Não vai ser nada fácil transportar tantos alunos em segurança para a estação de sky. A Guardiã Petrov me escalou para realizar alguns serviços administrativos dessa viagem. Eu realmente preciso ir.”

“Tudo bem, eu entendo.” Ela me olhou de forma muito compreensiva, porém triste. Nós nos despedimos quase que friamente e eu voltei para a Academia, sentindo meu coração, minha mente e meu corpo desejando Rose, enquanto meus pés esmagavam o tapete de neve que cobria tudo.

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CAPÍTULO 17

Mensagem por shadowangel em Sex Mar 09, 2012 6:31 pm

Na noite de natal, eu me aprontei para ir ao brunch que Tasha iria oferecer. Geralmente, eu não me preocupava em me arrumar. Mas esta era noite de natal e eu senti necessidade de me mostrar mais apresentável. Eu sempre penteava meus cabelos com os dedos e os prendia de qualquer jeito para trás. Hoje, usando uma escova e um elástico, fiz um bom trabalho com eles. Vesti uma camisa social com um suéter e dei uma última olhada no espelho, antes de sair. Nada mal.

A ala dos visitantes da Academia era bastante elegante e estava repleta. Vários Morois vieram festejar com seus filhos, antes de partirem para a estação de sky. Eu cheguei um pouco antes da hora marcada, pois tinha planejado conversar com Tasha antes dos outros convidados chegarem. Eu tinha saído bruscamente da cabana, no outro dia, e não tinha mais falado com ela. Ela sorriu de forma acolhedora ao me ver.

“Dimka! Olha só você está lindo! Feliz Natal!” Ela exclamou enquanto eu passava pela porta. Não pude deixar de me sentir um pouco envergonhado com aquele elogio.

“Você também está... ótima... Tasha. Feliz Natal.” Sorri, tentando esconder meu constrangimento.

“Já está sendo feliz. É... este clima de natal faz grandes coisas com a gente. Você chegou bem cedo. Confesso que não lhe esperava agora.”

“Bem, eu precisava conversar com você, fora da vista dos outros.” Fiz uma pequena pausa. “Eu não devia ter saído da cabana daquela forma. Acho que lhe devo um pedido de desculpas.”

“Pára com isso, Dimka. Não foi nada demais. Você só estava cansado.”

Eu dei alguns passos e fiquei bem próximo a ela “Nós não somos mais crianças, Tasha, precisamos ser francos um com outro. Não podemos agir como se nada tivesse acontecendo. Você fez uma proposta para que eu me torne seu guardião – seu companheiro. Eu prometi que iria pensar sobre isso e é o que eu tenho feito, de verdade. Não está sendo uma escolha fácil – e eu não decidi nada ainda. Mas, honestamente, diante de todo esse contexto, temos que admitir que não podemos agir apenas como amigos, pelo menos não quando estivermos só nós dois.”

Ela me olhava atentamente, seu rosto cheio de expectativa. Eu lutei internamente contra todo senso de ética e afastei todo e qualquer pensamento que eu tinha sobre Rose. Eu precisava tentar aquilo, eu tinha que fazer dar certo, não podia ser tão difícil. Então, eu segurei suavemente a cintura de Tasha e a trouxe para perto de mim.

Tentando não pensar muito no que estava fazendo, eu a beijei. Como se esperasse por isso há muito tempo, ela segurou minha nuca e respondeu ao beijo, de forma ardente e apaixonada. Era estranho, mas eu não conseguia me sentir como ela. Eu não conseguia sentir desejo, não conseguia me entregar.

Quando nos afastamos, ela sorriu feliz. Eu tentei manter minha naturalidade, mas eu tinha que admitir que não tinha representado nada para mim. Novamente, o beijo que Rose tinha me dado no ginásio, alguns dias atrás voltou a minha mente e com ele, toda aquela situação problemática que nos cercava. Rapidamente, empurrei tudo aquilo para longe dos meus pensamentos. Não era o momento para isso, eu não podia seguir em frente se insistisse em me manter preso a estas lembranças.

Eu sempre achei Tasha uma mulher incrível. Ela era madura, compreensiva e muito atenta a mim. Mesmo assim ela parecia não conseguir ler minhas feições, talvez por isso, ela não percebeu a falta de sentimento em mim e continuou me abraçando de forma carinhosa. Sutilmente eu a afastei.

“Acho melhor sermos discretos. Os outros convidados já devem estar chegando.”

“Claro.” Ela se afastou desajeitadamente, procurando o que fazer com as mãos. “Vai ser sempre assim com a gente, não é? Digo, se ficarmos juntos.”

“Assim como?”

“Na frente dos outros, nada de contato físico, nada de demonstrações de afeto. Perto e longe, ao mesmo tempo.” Havia um fio de tristeza em sua voz.

“Eu sinto muito, Tasha. Eu sou um guardião e sempre vou ser isso, antes de qualquer coisa.”

“Eu entendo.” Ela disse, ainda melancólica. Mas eu tinha certeza que ela não entendia. Ninguém entendia o peso disso para mim, a não ser Rose. Droga, sempre Rose voltando a minha mente. Sempre.

Não demorou muito, Christian chegou com Lissa e, logo depois, Rose com Mason. Novamente com Mason. Eles pareciam cada vez mais perto, mas eu me forcei a aceitar aquilo como natural, por mais que doesse em mim, ela tinha que seguir sua própria vida. Senti meu coração apertar ao olhar para Rose, mas resisti várias vezes ao impulso de ir falar com ela. Consegui somente a cumprimentar de longe, mas era difícil ser indiferente com ela. Principalmente por se tratar de uma comemoração de natal e também por ela parecer especialmente linda. Era incrível como nem o olho roxo conseguia tirar a beleza dela.

Eu me mantive ocupado conversando com Tasha o máximo que eu pude, mas sempre percebia que Rose me observava. Eu tentava ignorar isso, mas não era algo que eu conseguia fazer plenamente. Para Tasha, no entanto, não faltava assuntos. Ela começou a me contar sobre um de nossos amigos, um Moroi da realeza, mas muito simples e sem aquela arrogância usual que eles carregavam, ele era extremamente boêmio e afirmava que nunca se casaria e que detestava crianças.

“Pois é, ele casou sim, com uma bela garota – pelo menos ela era, claro que tinha que ser, é já teve cinco filhos.” Tasha falou enquanto se servia com as comidas que estavam na mesa.

“Cinco? Eu não ouvi isso.” Eu não pude esconder minha surpresa. Cinco filhos era muito para qualquer pessoa, quanto mais para ele.

“É loucura. Eu juro, eu acho que a esposa dele não teve sequer seis meses de folga entre um nascimento e outro. E ela também é baixa – então só ficou mais e mais gorda.”

“Quando eu o conheci, ele jurou que nunca queria ter filhos.”

“Eu sei! Eu também não acredito nisso. Você precisaria ver agora. Ele simplesmente se derrete perto deles. Eu não consigo entender nem a metade do que ele fala. Eu juro, ele fala mais a linguagem dos bebês do que inglês.”

Eu sorri com aquilo. Realmente era difícil de imaginar ele nessa situação. “Bem... crianças fazem isso com as pessoas.”

“Bem, eu não consigo imaginar isso acontecendo com você. Você é sempre tão estóico. É claro... eu suponho que você usaria a língua dos bebês em russo, então, ninguém nunca saberia.” Eu tive que rir com Tasha. Era um pensamento muito inusitado aquele. Eu balançava com a possibilidade de ter um filho, mas eu confesso que não tinha sido algo que eu tivesse sonhado para minha vida. Dhampirs que seguem a carreira de guardião não pensam em se dedicar a construir uma família e, conseqüentemente, não alimentam a vontade de se tornarem pais.

Rapidamente lembrei da proposta que ela tinha feito e percebi que ela falava daquilo por realmente ser uma possibilidade quase palpável para mim. Era estranho, mas não parecia ser parte da minha realidade. Não parecia tratar da minha vida.

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CAPÍTULO 18

Mensagem por shadowangel em Qui Mar 22, 2012 6:30 pm

Tasha ainda falava sobre os filhos dos outros e meus pensamentos sobre isso foram interrompidos quando Rose se levantou com Lissa e elas foram para um canto da sala. Meus olhos seguiram lentamente as duas. Eu não conseguia ouvir o que elas diziam, mas vi quando Lissa entregou uma pequena caixa para Rose que a abriu e retirou de dentro um chotki, erguendo para o alto. Era um pequeno rosário, com uma pesada cruz dourada presa a um dragão.

“Você vê isso Dimka?” A voz de Tasha perto do meu ouvido me fez lembrar que ela estava ao meu lado. Eu a olhei erguendo uma das sobrancelhas. Os olhos dela estavam na mesma direção que os meus, observando a cena de Rose e Lissa. “Então é verdade o que dizem. As pessoas comentam que os Dragomirs têm uma antiga jóia de proteção. Está na família de Lissa há muitos anos. Sempre é dada ao principal guardião dos Dragomirs.”

Eu continuei olhando as duas. Lissa puxou o chotki da mão de Rose e o colocou suavemente em seu pulso. Rose parecia comovida.

“Eu não acho que Lissa deveria dar isso a Rose. Não agora. Ela ainda não é sua guardiã. Acho que ela deveria ter tido mais consideração com você.” Tasha continuou falando ao meu lado. Novamente, ela estava demonstrando que não entendia o verdadeiro sentido de ser um guardião.

“Você está querendo dizer que aquele amuleto deveria ser meu?”

“Não exatamente, mas você é o único guardião oficial da família Dragomir. Pelo menos, por enquanto.”

“Não acho que seja assim, Tasha. Lissa confia plenamente em Rose e esta, por sua vez entende perfeitamente seu papel em proteger Lissa, Rose é capaz de dar sua vida por ela. Essa é a maior relação que um guardião pode ter com seu protegido. E eu tenho certeza que Rose se tornará uma das maiores guardiões que já tivemos notícia. Lissa estará absolutamente segura com ela.”

Tasha sorriu. “Claro que ela se tornará, Dimka. E isso me deixa mais aliviada. Saber que ela Lissa estará em boas mãos, não me deixa sentir culpada por tentar tirar você dela.”

“Eu disse a você. Eu ainda estou pensando sobre isso.”

“Eu sei, não quero pressionar você.”

“Você sabe, eu tenho uma grande possibilidade de ser expulsa da escola, antes de me tornar sua guardiã.” Rose falou alto, atraindo a atenção de todos, ainda contemplando a jóia. Lissa sorriu docemente. Tasha me olhou, como se concordasse com o que Rose tinha falado.

“Bem, se isso acontecer, você devolve.” Lissa disse simplesmente e todos riram. Tasha começou a falar algo, mas parou quando olhou para a porta. A mãe de Rose estava lá, parada.

“Janine!” Tasha exclamou alegremente, como uma boa anfitriã que era, deixando de lado o título de guardiã.

“Desculpe o atraso.” Ela respondeu friamente. “Eu tinha alguns negócios a tratar.”

Eu olhei de relance para Rose que parecia ter perdido um pouco da felicidade que sentia. Janine se juntou a nós e, em pouco tempo o assunto se focou em histórias de guardiões. Ela contava algumas técnicas de luta e eu ouvia atentamente. Ela podia não ser muito boa mãe, mas era uma guardiã excepcional. Sua reputação era algo incrível e ouvi-la falar sempre era uma coisa boa de se fazer. Mason parecia tão compenetrado quanto eu.

“Bom, decapitar alguém não é tão fácil quanto parece. Você tem que passar pelas espinhas e os tendões.”

“Qual a melhor arma para se fazer isso?” Mason perguntou com os olhos brilhando.

“Um machado. Você pode colocar mais força nele.” Ela disse, fazendo um movimento ilustrativo.

“Legal, eu queria que eles me deixassem carregar um machado.” Mason falou inocentemente. O incomodo de Rose pareceu aumentar e ela ficou cada vez mais introspectiva. Pouco tempo depois das trocas de presentes, Lissa e Christian se despediram e saíram. Isso fez com que Rose também se levantasse para ir embora, levando com ela Mason e Janine. Eu lhe dei um breve aceno de despedida e a observei sair, já sentindo falta dela.

“Enfim sós.” Tasha brincou se jogando em um dos sofás. Eu sentei ao seu lado, tentando relaxar. Ela me olhou por alguns momentos. “Existe algum problema com você e Rose? Percebi que vocês mal se falaram. Estavam bem diferentes de quando nos encontramos no lago.”

Eu usei de muito esforço para manter minha expressão neutra e tentei soar indiferente. “Rose é uma boa aluna, mas tem um temperamento forte. Ela não se dá muito bem com a mãe, eu tentei lhe dar alguns conselhos familiares na nossa última aula e acabamos nos desentendendo.” Não era uma mentira, era a verdade contada de outra forma, com alguns fatos sendo omitidos.

“Vocês deviam fazer as pazes. Ela é só uma garota, tem muito o quê aprender ainda na vida. Você, sendo mais velho e seu mentor, deveria dar o primeiro passo em fazer as pazes.”

“Depois eu cuido disso. Acredite, eu sei como lidar com Rose e, além do mais, não estamos brigados.”

“Claro que sabe lidar com ela.” Ela falou reticente. Então começou a passar os dedos pelos meus cabelos. “Você fica comigo hoje? Eu tenho saudade de você, Dimitri.”

Senti uma espécie de luz alerta acender em mim. Eu podia estar tentando seguir minha vida com Tasha, mas definitivamente não estava preparado para dormir com ela, principalmente depois de ver Rose. Eu sabia que isso faria parte do acordo que ela tinha me proposto, mas parecia algo que eu nunca conseguiria fazer novamente. Nós já tínhamos ficado juntos tempos atrás, mas aquilo era um passado tão distante que agora não parecia mais meu. Hoje eu tinha Rose na minha vida e a sensação de estar com ela ainda era viva e ainda ardia dentro de mim. Eu não precisava fechar meus olhos para sentir novamente a pele dela contra a minha, o calor que vinha dela, o seu cheiro, o seu gosto. Era Rose que eu queria, que eu desejava e com ela que eu queria estar.

Eu tinha praticamente saído correndo da cabana, da outra vez que ela me propôs isso, mas hoje eu não podia fazer o mesmo, então me forcei a me manter sereno e controlado.

Eu puxei Tasha para um abraço e dei um beijo em sua testa.

“Eu não posso.” Falei baixo, apertando levemente seus ombros. “Eu tive uma liberação para comemorar o natal, mas preciso voltar. Eu tenho alguns serviços para concluir antes da viagem de amanhã.”

Ela apenas assentiu e ficou ali, aproveitando o meu abraço por alguns momentos, em silêncio. Depois, ergueu o rosto e encarou meus olhos.

“Eu sou tão feliz por ter você em minha vida, Dimka. Eu queria muito que você dissesse sim e que nós dois pudéssemos ficar juntos. Juro que não entendo o que lhe prende aqui.” Os olhos dela eram de um azul intenso, com paixão irradiando deles. Senti um bolo se formar na minha garganta, um grande mal estar tomou conta de mim.

“Eu tenho uma vida aqui, Tasha. E tenho muitas outras coisas para ponderar sobre isso, coisas minhas, pessoais. Você disse que não me pressionaria. Eu queria que você entendesse que minha decisão não está tomada, eu não funciono assim. Não posso simplesmente abandandonar tudo.”

“Desculpe. Estou sendo impertinente, eu sei. Eu estou muito ansiosa com tudo isso. Acho que você também pode me compreender...” Ela parecia engolir um choro. Eu acariciei sua bochecha, a que não tinha a cicatriz.

“Eu preciso ir agora. Feliz Natal, Tasha.” Eu me inclinei e lhe dei breve beijo nos seus lábios.

Ela sorriu. “Nós nos veremos antes do embarque?”

“Claro, eu pego você na cabana, antes de ir para a pista de pouso.” Eu dei uma resposta um tanto quanto sonsa. Eu sabia que ela queria me encontrar de outra forma e não somente como esta que eu havia falado. Ela sorriu novamente, claramente percebendo minha fuga.

Depois que nos despedimos, eu saí de lá e fui para o meu quarto, pensando que tudo seria mais difícil do que se mostrava. Eu havia mentido para Tasha, não tinha trabalho algum para ser feito. Nem sequer Alberta estava na Academia, talvez por algum milagre de natal, ela tinha ido passar o dia com alguns familiares dela. Eu sentei na cama, tentando ler um de meus livros, mas minha mente insistia em uma única preocupação. Como eu podia deixar Rose?

“Estar perto de você me faz muito feliz, Dimka.”
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CAPÍTULO 19

Mensagem por shadowangel em Ter Abr 03, 2012 7:26 pm

No dia seguinte após o feriado de natal, logo cedo, começou a maratona de viagens para a estação de sky. A Academia tinha à sua disposição vários jatinhos que tornava tudo mais rápido e confortável. As partidas foram escaladas de forma que todas as viagens ocorressem de dia e, quando anoitecesse, todos os alunos e seus parentes já estariam instalados no resort e isso diminuía muito o risco de ataques de Strigois. Como eu era o guardião de Lissa, nós iríamos no mesmo vôo. E, conseqüentemente, Rose iria conosco. Tasha e Christian também. Nosso avião estava programado para partir no horário da tarde, era um dos últimos vôos a sair.

Cerca de uma hora antes do horário do embarque, passei na cabana para ajudar Tasha com as malas. Ela estava particularmente radiante e feliz.

“Nossa, eu estou esperando por uma viagem dessas há muito tempo! Ouvi dizer que o hotel é maravilhoso, mal posso esperar para esquiar naquelas montanhas.” Ela falava enquanto caminhávamos em direção a pista de pouso. Quando chegamos, não demorou muito, e logo embarcamos. Lissa e Christian já estavam lá. Nos os cumprimentamos brevemente. Eu olhei rapidamente em volta procurando ver Rose, mas ela não tinha chegado ainda. Era de se esperar, já que ela não era pontual. Sentei ao lado de Tasha, estranhando por estar em uma das fileiras do meio. Geralmente, eu sentava nos fundos para observar todo movimento.

Um pouco antes da última chamada do comandante do vôo, Rose entrou no avião. Seu olho ainda continuava roxo e sua expressão não era das melhores. Ela não parecia mal humorada, nem nada, mas eu a conhecia bem o suficiente para dizer que ela não estava em seus melhores dias. Meus olhos a seguiram, e eu pude ver que ela ignorou a mim e a Tasha ao passar por nós. Ela seguiu para os bancos traseiros e sentou ao lado de Mason.

Instantaneamente lembrei o que Tasha falou sobre eles serem namorados e senti uma onda de ciúme tomar conta de mim. Era natural e esperado que Rose namorasse um garoto da idade dela, tão natural como seria se eu ficasse com Tasha. Mas essa era uma realidade que eu me recusava a aceitar. Eu torcia mentalmente para aquela viagem passar rápido, assim que pousássemos, eu iria evitar ao máximo estar perto de Rose. Eu havia estudado as plantas do hotel e sabia que era um lugar enorme. Se eu me mantivesse afastado, as chances de encontrar com ela espontaneamente eram mínimas. Eu tinha que me manter distante, pois toda vez que eu a via, sentia toda determinação que eu tinha em esquecê-la, se esvair.

Eu estava perdido em meus pensamentos, quando Tasha tocou na minha mão. “Foi impressão minha ou Rose nos ignorou?” Ela perguntou falando muito baixo.

“Não, não foi impressão sua. Rose é assim mesmo. Não se importe com isso.” Eu disse curtamente, apertando levemente sua mão. Eu tentava parecer natural para ela, mas não conseguia parar de pensar que Rose estava ali, há poucos metros de mim. Reprimi, diversas vezes ao impulso de virar para trás e olhar como ela estava.

Desembarcamos no resort e eu não pude deixar de admirar aquele lugar. Era fantástico. Todo cercado por montanhas, foi construído para parecer uma gigantesca cabana de madeira com três andares e uma arquitetura impressionante. O lado de dentro ele era igualmente incrível. Altamente luxuoso e elegante, tinha sido cuidadosamente preparado para acomodar confortavelmente a todos. Não existia um lado só para guardiões de forma que todos ficaram em quartos espalhados por todo hotel, e tampouco separaram dhampirs e Morois. Mesmo assim, cada família da realeza tinha sua própria ala. Rose estava em um quarto com Lissa e Tasha e Christian teriam, cada um, seus quartos na ala dos Ozeras. Eu dividiria meu quarto com outro guardião da Academia.

Enfrentando todos os protestos de Tasha, que insistia em querer que eu deixasse minhas obrigações e fosse me divertir com ela, coloquei minha mala no quarto, me juntei com um grupo de quatro guardiões para percorrer o hotel. Esse era um procedimento padrão. Sempre que chegávamos a qualquer lugar, tínhamos que verificar tudo e conhecer bem a planta do local. Assim, eu pude ter uma real dimensão do tamanho do resort. Era imenso. Com muitas opções de lazer, também tinha muita área para ser coberta, guardada e vigiada. Ele tinha salões para festas de qualquer tipo, restaurantes requintados, salas de jogos, SPA e até uma ala subterrânea com piscinas térmicas. Nós passamos pelos corredores e pudemos ver como os alunos da Academia estavam contentes por estarem ali. Aparentemente, todos tinham esquecido o real motivo daquela viagem: o pavor que o ataque aos Badicas tinha causado. Mas os guardiões pareciam não ter esquecido disso. Com expressões tensas e posturas de quem ia responder imediatamente a qualquer ataque, passamos por vários grupos deles que se espalhavam por cada canto do hotel.

Inspecionamos toda área interna e depois, partimos para área externa. Já era noite e as sombras das montanhas em volta da construção chegavam a assustar. Existiam alguns postos de vigia espalhados em pontos estratégicos e passamos por todos eles. Eu mesmo estava escalado para estar em um deles, durante um dia inteiro. Paramos em um dos postos que tinha uma visão quase que panorâmica das pistas de sky. Lá podíamos observar de forma discreta toda movimentação da colina. Quando eu estava distraído, olhando um equipamento de comunicação via satélite que tinha ali, um dos guardiões do nosso grupo chamou minha atenção.

“Veja só, Belikov.” Ele estava em pé junto a uma imensa janela de vidro. “Aqueles dois dhampirs suicidas ali no alto da pista. Ao que parece, aquela é a sua aluna, Hathaway.”

Eu levantei rapidamente e parei ao lado dele. Meus olhos congelaram na figura de Rose no topo da montanha mais alta. Senti um frio subir pela minha coluna vertebral. Ela só podia estar louca. Aquela era uma pista extremamente perigosa, provavelmente só utilizada por esquiadores experientes. O quê Rose pretendia com aquilo? Chamar a atenção? Se exibir? Se matar?

“Acho que eles estão se preparando para descer.” Um outro guardião que se juntou a nós falou pensativo. “Aquela é uma pista muito íngreme, cheia de árvores. Espero que eles tenham experiência nesse tipo de descida, caso contrário será um tombo bem feio.”

Com olhos incrédulos, observei quando Rose tomou posição e com um grande impulso, desceu morro abaixo. Senti meus músculos se contraírem de tensão. Em alta velocidade, ela desviava com perfeição dos obstáculos do caminho. Seus movimentos eram precisos e graciosos, porém perigosos. Eu me perguntava quando ela tinha aprendido a esquiar tão bem. Depois da rápida descida, ela parou sã e salva na base da montanha. O alívio correu pelas minhas veias. Olhei em volta e todos os guardiões estavam junto ao vidro assistindo tudo de forma estupefata.

“Parece que temos uma grande esquiadora ali.” Um dos guardiões falou apontando para Mason que estava se preparando para descer. “Vamos ver se aquele outro garoto dhampir repete a mesma proeza.”

Eu voltei a minha atenção para a montanha. Mason começou a descer, mas na primeira manobra, ele pareceu tropeçar em seus esquis e começou a cair, rolando desgovernadamente até em baixo. Quando ele parou, a equipe de instrutores o alcançou, juntamente com Rose. Mason se levantou, parecendo sentir o tornozelo. A maioria dos guardiões se afastou da janela, balançando negativamente a cabeça.

“E pensar que a vida de um Moroi estará entregue nas mãos desses irresponsáveis, em breve.” Um deles exclamou. Eu queria dizer que Rose não era irresponsável, mas diante daquela cena, me faltaram argumentos. Eu permaneci olhando Rose pelo vidro a distância, enquanto ela se afastava com Mason e a equipe de monitores do resort, até perdê-la de vista.
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CAPÍTULO 20

Mensagem por shadowangel em Dom Abr 15, 2012 2:32 pm

Quando saímos do posto de observação, passamos para um quarto grande do hotel que tinha sido transformado em um verdadeiro quartel general dos guardiões. Alberta liderava todos com uma organização impecável. Dei uma rápida olhada nas escalas e plantões. Como eu havia pedido, ela tinha me colocado em vários deles, quase preenchendo meu tempo inteiro, mas tinha deixado o restante do meu dia atual livre de atividades. Eu me aproximei dela, segurando um papel com os meus turnos.

“Algum problema, Belikov?” Ela falou erguendo os olhos da mesa, onde uma planta do hotel estava aberta.

“Não. Nenhum. Eu só imaginei se você não precisaria de ajuda por hoje. Eu realmente não tenho nada para fazer.”

Ela deu um olhar que seria divertido, se não fosse seu semblante sério de guardiã. “Você estará de folga por hoje, Belikov. Eu já lhe dei mais turnos do que a qualquer outro guardião. E procure algo para fazer. Algo que não envolva trabalho. Não vai ser difícil, em um lugar como esse.”

Eu assenti e sai. Passei pelos corredores, desejando chegar logo ao meu quarto. Eu pensava em passar o resto da noite lendo um dos livros que ganhei de Tasha no natal. O outro guardião que dividia o quarto comigo estaria em serviço o resto da noite, então me concentrei na leitura. Algumas horas depois, batidas na porta me trouxeram de volta do mundo do velho oeste. Quando abri, Tasha aguardava do lado de fora, de braços cruzados.

“Como eu imaginei. Isolado do mundo, lendo um livro.” Ela falou, quando entrou no quarto e olhou para a poltrona onde eu estava sentado e para o livro que eu lia, que estava lá aberto. “Quando você vai parar para se divertir um pouco?”

“Acredite, Tasha, para mim um bom livro é uma grande diversão. E olhe por outro lado. Eu não estou trabalhando agora e estava fazendo o que eu gosto.” Eu disse, pegando o livro. “Não há nada de errado com isso.”

Ela me olhou pensativa por uns instantes. “Ok, que seja, mas eu vim aqui para lhe convidar para jantarmos. Eles têm um excelente time de chefs aqui. O restaurante é divino. Por favor, vamos...” O tom dela era quase implorativo.

“Eu não acho que seria uma boa idéia. O restaurante deve estar repleto de Morois e-“

“Não, Dimka!” Tasha exclamou, me interrompendo. “Você nunca teve problemas em freqüentar restaurantes luxuosos, eu lembro bem de ver você várias vezes acompanhando Ivan.”

“Claro que você viu. Mas em todas as vezes eu estava o acompanhando como guardião. Eu estava fazendo meu trabalho, não soava estranho para ninguém. É bem diferente dessa situação agora. As pessoas não aceitariam, de bom grado, um dhampir acompanhando uma Moroi da realeza, dessa forma.”

“Isso nunca foi problema para nenhum de nós. Nunca nos preocupamos com o que os outros pensavam.”

Eu olhei para Tasha e percebi. Ela não estava conseguindo alcançar onde eu estava querendo chegar. Não era uma questão de se preocupar com o que os outros pensam. Era sobre o meu dever que eu estava falando. Eu, como guardião, não podia simplesmente a acompanhar em jantares e passeios como um namorado. Eu tinha um dever a cumprir, um compromisso em fazer bem o meu trabalho, eu me dedicava a isso, eu me preparava para isso o tempo todo. Mas ela não entendia isso. Talvez por ela me ver como um igual, mas mesmo assim, era uma visão errada que ela tinha de mim.

“Não é sobre isso, Tasha. É só sobre ter cada coisa em seu lugar. E você precisa ter consciência disso, se eu optar em ser seu guardião, o meu principal objetivo será sempre lhe guardar.”

Tasha cruzou os braços, encolhendo os ombros, parecendo extremamente frágil. “Eu não preciso de proteção, Dimka, você sabe disso. Eu fiz essa proposta para lhe ter ao meu lado, como um companheiro.”

Definitivamente ela não entendia. Não adiantava explicar e nem argumentar. Ela nunca entenderia que não era minha meta de vida isso que ela tinha me proposto. Eu não queria uma vida tranqüila e pacata. Eu não ansiava por filhos e uma família feliz. O que eu queria para mim, eu já tinha conseguido e trabalhava para manter.

Eu percebi que o semblante de Tasha estava triste, então lhe abracei suavemente. Rapidamente, ela se envolveu nos meus braços, se apertou contra mim e me beijou. Novamente, eu não conseguia sentir a paixão tomar conta de mim e não conseguia me entregar. Ao mesmo tempo, eu sabia que deveria me esforçar para fazer aquilo dar certo, que tudo dependeria somente de mim. Decidi me deixar levar e antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, Tasha começou a tirar suas roupas e depois, minha camisa. A respiração dela era feroz e seus movimentos muito fortes. A todo momento, o contato que eu tinha tido com Rose naquele feitiço lançado com Victor me voltava. Era como se meus pensamentos me traíssem. A pele dela, o cheiro, o corpo, tudo passava para mim, como se Rose estivesse ali, me vigiando, me observando. Eu tentava me concentrar em Tasha, mas não adiantava, era Rose que eu queria. Uma não podia ser comparada a outra, de nenhuma forma possível ou imaginável.

Quando Tasha me empurrou para a cama, senti meu corpo gritar em alerta e então eu parei tudo bruscamente, me afastando rapidamente dela.

“O q-quê aconteceu, Dimka?” Tasha perguntou com o choque saindo pelos seus olhos.

“Desculpe, eu não posso continuar com isso.” Falei sem a encarar.

“O que há de errado comigo?”

Eu a olhei e me perguntava a mesma coisa. Ela era uma bela mulher e seu corpo também era bem melhor do que a maioria das Morois, devido aos treinos de luta. Mas eu não conseguia sentir um milímetro de desejo.

“Nada. Não há nada de errado com você.”

“Eu sei, eu sei, você vai dizer que o problema é com você.” Ela falou, se sentando na cama, ao meu lado.

“Não. Eu sei exatamente qual é o problema. Eu apenas pensei que poderia resolver tudo de uma maneira que me surgiu, mas eu estava errado.”

“Dimka, realmente hoje você está misterioso. Não consigo entender nada do que você está falando.”

Eu virei para Tasha, que me olhava com apreensão, parecendo ainda não acreditar que eu havia interrompido tudo daquela forma. Ela não tinha culpa. Eu que estava tentando usá-la para consertar uma situação que estava colocando minha vida de pernas para o ar. Aquilo não era justo e nem certo. Eu não podia fazer isso com uma pessoa tão especial como era Tasha. Eu toquei em seu rosto, tentando soar o mais gentil que pude.

“Acho que é melhor você se vestir e ir. Eu não vou conseguir prosseguir com isso... Além do mais, eu assumo um turno amanhã bem cedo.”

“Sempre o trabalho surgindo entre nós. Eu suponho que você irá passar o dia inteiro em serviço.”

“O dia e a noite. É um turno dobrado.” Falei secamente.

“Porque isso, Dimka? Até parece que você está buscando alguma espécie de fuga... Nenhum guardião deste hotel está com tanto serviço.”

Eu permaneci em silêncio, olhando para o chão. Uma grande parte minha se recusava a tentar explicar a Tasha tudo que se passava dentro de mim. Ela suspirou fundo e se afastou, vestindo suas roupas. Poucos minutos depois, ela se ajoelhou na minha frente e me olhou nos olhos.

“Você não quer conversar sobre o que lhe perturba, não é?”

Eu não respondi. E permaneci olhando para frente, colocando minha boa cara imparcial.

“Tudo bem. Você pelo menos promete me procurar quando se livrar dos seus turnos?”

Novamente, não encontrei palavras para responder. Tudo que eu pensava, naquele momento, era ficar sozinho.

“Vou deixar você no seu mundo.” Ela falou, entregando os pontos. Depois de me dar um leve beijo nos lábios, saiu, deixando o quarto em um silêncio perfeito.

Eu deitei na cama, sentindo cada célula do meu corpo arder por Rose. A vontade que eu tinha era de correr para o quarto dela e jogar tudo para o alto. Tudo. Por mais que eu soubese que não podia querer isso, era ela que eu queria, era ela que eu desejava e era dela que eu precisava.
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CAPÍTULO 21

Mensagem por shadowangel em Seg Maio 07, 2012 6:12 pm

Depois de uma noite praticamente inteira em claro, logo cedo me aprontei e assumi o meu turno. Eu passaria todo o dia em uma das torres de observação, perto da entrada do resort. Era uma tarefa maçante, o tempo se arrastava e eu não tinha nada para fazer a não ser ler. E foi o que eu fiz, passei grande parte de do dia revezando entre a leitura e observar os arredores. A neve cobria tudo de branco e o vento que soprava calmamente contribuía para deixar o clima frio ainda mais melancólico.

Já era quase de madrugada quando meu turno virou e um guardião veio me render para que eu tirasse um breve intervalo, antes de assumir o turno seguinte. Eu estava no meio do banho, quando batidas urgentes vieram da porta. Corri para atender, ainda amarrando rapidamente o roupão.

“Rápido, Belikov! Precisamos de sua ajuda no quarto de Hathaway, agora! Temos uma emergência.” Um dos guardiões da Academia falou alarmado, já se afastando pelo corredor. Senti meu coração pular descompassado.

“O que aconteceu com Rose?”

O guardião me deu um olhar confuso. “Rose?”

“Rose Hathaway, minha aluna, aconteceu algo com ela?”

Ele sorriu com exaspero. “Nah! Eu falo da mãe dela. Janine Hathaway. Estamos montando uma força tarefa lá no seu quarto. Aconteceu outro ataque Strigoi.”

Eu me vesti e em poucos minutos já estava a caminho do quarto de Janine. O hotel estava calmo, já que a maioria das pessoas ainda estava dormindo. Vários guardiões passavam de um lado para outro, mas sem demonstrar qualquer sinal de emergência.

Quando entrei no quarto, percebi a dimensão daquele ataque. Muitos guardiões que não estavam em serviço se concentravam ali, buscando novas informações e aguardando direcionamento do que fazer. Eu me aproximei de Janine, tentando me inteirar dos acontecimentos. O alvo tinha sido um ramo da família Drozdov que vivia no norte da Califórnia.

“Oito Morois foram mortos e cinco guardiões. É um ataque ainda maior que o dos Badicas.” Janine falou baixo, com a voz perfeitamente controlada. “Ainda não recebemos detalhes sobre o ocorrido, mas como aqui é o lugar com a maior concentração de guardiões – tirando a Corte, é claro – eles nos contataram primeiro e pediram reforços nas investigações.”

A todo momento o telefone tocava com mais informações. Wards quebradas, participação de humanos, ataque em massa, tudo feito de forma planejada. Era um dos meus medos se materializando. Os Strigois estavam se organizando e isso fazia tudo diferente. Um Strigoi sozinho era algo com o qual um guardião era treinado para lidar. Mas um exército de Strigois era algo praticamente invencível. Eu nem queria pensar como essa notícia chegaria às pessoas, quando elas acordassem pela manhã. O hotel iria se tornar um verdadeiro caos.

Eu me envolvi totalmente no acompanhamento do desenrolar dos fatos, de forma que pude esquecer momentaneamente os meus problemas com Rose e Tasha. Mas não por muito tempo. Quando estávamos completamente compenetrados em uma conversa, montando uma estratégia de investigação para tentar localizar quem estava liderando estes ataques, a porta do quarto de Janine se abriu vagarosamente e Rose entrou com Lissa. Algumas pessoas olharam com estranheza para elas, mas ninguém tentou impedi-las de permanecerem ali. Talvez pelo fato de Rose ser filha de Janine e nem todos terem conhecimento do relacionamento conturbado as duas.

Ao olhar para Rose, eu tive a sensação que não a via há muito, muito tempo. Eu estive tentando evitá-la esses últimos dias, mas vê-la sempre era uma das melhores coisas do mundo. Ela passou de vagar para um canto do quarto que tinha um pequeno sofá e se acomodou ali com Lissa. Eu permaneci olhando para ela, sentindo todo dilema entre partir com Tasha e permanecer na Academia, voltar. Diante de mais um massacre como aquele, definitivamente deixar Rose parecia a coisa mais insana a ser feita. Ela ainda não estava pronta para lidar com Strigois e ainda havia muito a ser feito em seus treinos. E, além do mais, eu não queria e nem podia sair de perto dela. Foi quando eu soube que a minha decisão sempre esteve definida. Era perto de Rose que eu deveria estar. Ainda que só profissionalmente.

Rose me olhou brevemente, mas logo desviou o olhar. Ela ainda parecia emanar a mesma mágoa que tinha no avião, quando ignorou a mim e a Tasha. Eu ainda a observei por breves segundos, mas logo as conversas sobre o ataque me distraíram. Janine comandava tudo com a calma e a imparcialidade que a situação exigia.

“Deviam ser mais do que da última vez.” Janine falou, enquanto observava novamente um dos relatórios.

“Mais?” Um guardião exclamou. “Aquele outro foi sem precedentes. Eu não consigo imaginar nove Strigois trabalhando juntos – e você está querendo dizer que eles conseguiram se organizar?”

“Sim.” Janine respondeu calmamente.

“Alguma evidência de humanos?” Uma guardiã que tinha chegado há pouco tempo perguntou.

Janine hesitou um pouco. “Sim. As wards foram quebradas. E do jeito que tudo foi feito... é idêntico ao ataque à casa dos Badicas.” A voz dela era cansada, porém sua expressão ainda era bastante firme. “Ainda não temos detalhes forenses ainda, mas o mesmo número de Strigois não teria conseguido fazer isso. Nenhum Drozdov ou da sua equipe escapou. Com cinco guardiões, sete Strigois se preocupariam – pelo menos temporariamente – que alguém escapasse. Eram nove ou dez, talvez...”

“Janine está certa.” Falei, complementando. Eu já estava ali há várias horas e já tinha tirado algumas conclusões. “Se você observar o local do crime... é muito grande. Sete não conseguiria dar cobertura.”

“Primeiro os Badicas, agora os Drozdovs.” Alguém falou distante. “Eles estão indo atrás da realeza.”

“Eles estão indo atrás dos Morois.” Eu corrigi com firmeza. “Da realeza, comuns, não importa.”

Depois de mais alguma discussão sobre tudo, os grupos começaram a se dissipar. Eu comecei a juntar alguns papeis, ainda opinando em um círculo que se formou perto de mim. Percebi que Rose se levantou e foi até Janine, então voltei toda a minha atenção, de forma disfarçada, para ela.

“Rose? O quê você está fazendo aqui?” A voz de Janine saiu com surpresa.

“Quem mais foi morto?” Rose perguntou diretamente.

“Drozdovs.” A resposta de Janine foi mecânica.

“Mas quem mais?”

“Rose, não temos tempo-“

“Eles tinham empregados, certo? Dimitri falou comuns. Quem eram eles?”

Eu as observava pelo canto dos olhos e percebi quando Janine pegou um dos relatórios e começou a virar as páginas.

“Eu não sei o nome de todos eles. Aqui.”

Rose olhou a lista. “Ok. Obrigada.”

Eu não podia observar Rose diretamente, mas logo depois ela saiu da sala com Lissa. Ainda sem me considerar. Eu tinha passado estes dias, depois daquele beijo no ginásio, sem ter muito contato com ela e mantendo o tom puramente profissional, talvez isso a tivesse magoado. Tentando não pensar mais nela, voltei novamente para perto de Janine e começamos a analisar mais outro relatório que tinha chegado.
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CAPÍTULO 22

Mensagem por shadowangel em Dom Jun 24, 2012 11:43 am

Eu ainda permaneci no quarto de Janine, averiguando o caso do ataque por toda manhã. Os guardiões que estavam investigando tudo, no local, tinham encontrado um rastro de provas bem concretas. Testemunhas, Morois e dhampirs tinham visto Strigois no local e redondezas. Essas testemunhas estavam sendo interrogadas e nós aguardávamos ansiosamente pelos relatórios que chegavam à medida em que os interrogatórios eram concluídos. As informações eram muito animadoras, pois tínhamos placas de carros e estávamos rastreando os endereços de onde estes carros estavam registrados. Com estas informações em mãos, bastava a autorização do Conselho dos Guardiões para partirmos em contra ataque.

Não era comum guardiões atacarem Strigois, mas diante de toda essa situação que tinha se instaurado, era algo estávamos cogitando com muita seriedade. O fato era que tínhamos que reagir. Os Strigois estavam claramente se organizando e isso poderia trazer sérias conseqüências, uma vez que os ataques estavam ficando cada vez maiores e mais violentos. Era quase um consenso de que precisávamos desarticular esse grupo e a melhor forma de se fazer isso era matando o seu líder.

Já passava um pouco da hora do almoço, quando Tasha apareceu por lá e com um breve aceno, me chamou para fora do quarto.

“Dimka, eu vim lhe buscar para comer algo. Eu sei que essa notícia se alastrou e todos estão em pânico e todos os guardiões estão em alerta, mas eu também vejo que muitos deram uma parada para o almoço. Aposto que você ainda não se alimentou hoje.”

O olhar dela era preocupado e seu tom extremamente carinhoso. Lembrar do tratamento que lhe dei na outra noite e ver toda aquela dedicação e cuidado dela comigo, me trouxe uma leve sensação de culpa. Fiquei tentado em ir com ela, mas realmente o senso de dever falava mais alto para mim.

“Eu não posso, Tasha.” Falei segurando carinhosamente seu queixo. “Nós pedimos um serviço de quarto, eles devem estar trazendo algo para comermos logo. Não consigo me afastar, não agora, com tantas testemunhas sendo interrogadas. Temos pistas concretas sendo averiguadas. É um momento decisivo.”

Ela me olhou como se já esperasse essa resposta. Mesmo assim, pude ver o descontentamento em seus olhos.

“Tudo bem. Não sei se você sabe, mas os membros da realeza, que estão hospedados aqui no hotel, marcaram uma reunião para discutirmos estes acontecimentos no salão de baile para mais tarde. Todo mundo deve estar presente. Eu sei que não iremos decidir nada lá, mas você sabe que reunir opiniões é algo que funciona e acaba chegando às cadeiras de comando.”

“Eu estou sabendo dessa reunião. Inclusive, pretendo ir. Eu soube que tem um grupo de Morois que defende coisas com as quais eu não concordo. Realmente eu pretendo acompanhar isso.”

“Eu imaginei que você iria. Eu suponho que essa reunião irá ser bem polêmica. Eu também pretendo expor minhas opiniões nela, eu me sentirei ainda mais confiante com você lá.”

Eu dei um pequeno sorriso, pois sabia que as opiniões de Tasha sempre eram controvertidas. “Eu não perderia você discursando por nada.” Falei de forma simpática. Ela sorriu. Foi quando um dos guardiões colocou o rosto para fora da porta e falou baixo.

“Dimitri, venha! Você não vai acreditar na informação que acabamos de receber.”

Eu me despedi rapidamente de Tasha, sem me importar com seu olhar reprovador, e voltei para dentro do quarto. De fato, a informação era bastante importante. Um dos carros utilizados pelos Strigois estava registrado em um endereço de Spokane, em Washington. Um grupo de guardiões tinha ido averiguar naquele mesmo momento. Também tinham localizados túneis subterrâneos em um dos shoppings, nesta mesma cidade. Esse era um forte indício da presença de Strigois naquele local. Eu sentia a adrenalina correr pelo meu corpo só de pensar que estávamos chegando perto deles, que podíamos acabar com todos eles.

A tarde se passou como um piscar de olhos, até que chegou o horário da reunião. Passei para o salão de baile, que tinha sido arrumado de forma adequada para isso. As cadeiras estavam organizadas em forma de auditório e, na frente, mesas forradas formavam uma espécie de palanque. As pessoas estavam tão agitadas quanto apavoradas com tudo que tinha ocorrido. Assim que entrei, dei uma olhada rápida em volta e percebi que Rose estava sentada, em uma das cadeiras dos fundos. Ela observava o movimento das pessoas, com expressão preocupada. Ela era uma das poucas pessoas ali que podia ter uma real dimensão daquele ataque, já que tinha presenciado o resultado na casa dos Badicas.

Percebi que Mason estava sentado ao seu lado direito. Senti meu estômago se revirar com aquilo. Era como se fosse uma perseguição. Parecia que todas as vezes que eu me aproximava, tinha que a encontrar com esse garoto. Eu podia jurar que eles dois tinham um tipo de namoro, mesmo sem ter visto qualquer contato mais íntimo deles e aquele pensamento me desnorteava.

Vi que ao lado esquerdo de Rose ainda tinha uma cadeira vazia e, sem pensar duas vezes, andei rápido e sentei nela, sem me importar com o quê quer que fosse. Percebi que ela me olhou de forma surpresa, mas não falou nada. Eu também permaneci em silênco, tentando passar naturalidade, apesar de estar claro que as coisas estavam estranhas entre nós dois.

Os membros da realeza se agrupavam nos lugares da frente, se apoiando cada um em suas famílias. Tasha e Christian eram os únicos representantes da família Ozera. A reunião começou pouco tempo depois. Um mediador controlava tudo, mesmo assim, todos estavam ansiosos para darem suas opiniões e todas giravam em torno de não se ter muita segurança e de como se conseguir mais guardiões, até que o assunto que me incomodava surgiu.

“O problema é que nós não temos guardiões o suficiente.” Uma mulher da família dos Szelsky falou. “E então, a resposta é simples: precisamos conseguir mais. Os Drozdovs tinham cinco guardiões, e isso não foi suficiente. Apenas seis para proteger uma dúzia de Moroi! Isso é inaceitável. Não é de se admirar que esse tipo de coisa fique acontecendo.”

“Onde você propõe conseguirmos mais guardiões?” perguntou o homem que estava lá. “Eles são um recurso limitado.”

Ela apontou para Rose e alguns noviços estavam. “Nós já temos vários. Eu os assisti treinar. Eles são mortais. Porque esperar até eles fazerem 18 anos? Se nós acelerarmos o programa de treinamento e nos focarmos mais em treinos de combate do que em livros, nós poderemos transformá-los em guardiões quando tiverem 16 anos.”

Sentindo o incômodo tomar conta de mim, fiz um som baixo com a garganta e me inclinei para frente, apoiando os braços nas minhas pernas e descansando o queixo nas mãos. Aquilo era mesmo um absurdo. Dhampirs com dezesseis anos não estavam preparados para lutarem contra Strigois. Mesmo que os treinos fossem intensificados, existia a questão da maturidade. Muitos não tinham os corpos totalmente desenvolvidos e também não tinham a consciência da responsabilidade que lhes cabia.

“Não apenas isso, muitos dos guardiões em potencial estão sendo desperdiçados. Onde estão todas aquelas mulheres dhampir? Nossas raças são interligadas. Os Moroi estão fazendo a parte deles para ajudar os dhampir a sobreviver. Porque aquelas mulheres não estão fazendo a delas? Porque elas não estão aqui?”

Uma grande risada ecoou pelo salão. Esse era um tópico que eu detestava. Sempre que Morois se colocavam em patamares superiores as mulheres dhampirs eu sentia meu espírito se agitar. Principalmente quando girava em torno de sexo. Eu realmente odiava essa colocação que todos faziam e generalizavam tudo.

Tasha ergueu o braço e todos olharam para ela, à medida que as risadas diminuíam. “Eu posso?” Ela pediu ao mediador, que autorizou que ela fizesse uso do microfone. Tasha subiu confinante no palanque. Ela se vestia de forma extremamente simples e seu cabelo estava preso de forma que toda sua cicatriz parecia saltar do seu rosto.
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CAPÍTULO 23

Mensagem por shadowangel em Ter Jul 17, 2012 6:48 pm

Eu estava esperando o elevador, quando a voz de Tasha ecoou pelo corredor. E, pela primeira não me senti nada animado em falar com ela. Ok, eu estava muito irritado com Rose e podia estar misturando tudo, por isso, me esforcei para ser simpático. Ou pelo menos, não irradiar irritação.

“Dimka! Ai está você. Estou lhe procurando há horas e não lhe encontrei em lugar algum. Você saiu de repente da reunião e eu não lhe vi mais.” Seu tom era extremamente leve e descontraído. Mesmo sem sugerir uma cobrança, eu não gostava de alguém tentando me controlar.

“Bem, Tasha, estou aqui a trabalho. Estava em serviço até agora.” Não deixava de ser verdade, já que eu estava tecnicamente vigiando o ambiente onde Lissa estava.

“Você trabalha demais, Dimka. Eu já disse a você –“

O elevador finalmente chegou a interrompendo. Eu fiz sinal que ia entrar, mas Tasha colocou a mão na frente, me impedindo de passar, com um olhar crítico “Onde você pretende ir? Ah não, não me diga que vai se trancar no quarto de novo? Dimka! Você está em uma maravilhosa estação de sky! Não pode ficar trancado em um quarto lendo livros.”

“Eu não estou aqui como hóspede, Tasha.” Falei, lutando para não soar impaciente, mas tudo que eu menos queria era conversar. Ainda mais sobre meus hábitos. Eu considerava os meus livros uma grande diversão. Mas o que eu queria mesmo era ficar só. “Eu estive em serviço até agora e estou escalado para o próximo plantão. Queria descansar um pouco, antes disso.”

“Eu poderia –“ Ela começou a falar suavemente, mas o outro elevador abriu, a interrompendo novamente. Só que, dessa vez, uma pessoa inesperada colocou o rosto para fora e, quando nos viu ali, saiu. Adrian Ivashkov. Definitivamente, era a última pessoa que eu queria ver. Ele usava um roupão felpudo de banho e chinelos, que só de olharmos dava pra saber que era coisa cara, mas não deixava de ser totalmente inapropriado para as áreas comuns de um hotel luxuoso daqueles. Provavelmente vinha de sua festa particular nas piscinas térmicas. Senti meu espírito se remexer dentro de mim de forma ruim. Eu não gostava dele, principalmente não gostava dele por ter visto ele com Rose.

Ele saiu do elevador sorrindo presunçosamente. Olhou para mim e para Tasha, depois puxou do bolso de seu roupão um maço de cigarros.

“Como vai Lady Ozera, quanto tempo.” Ele falou inclinando a cabeça na direção de Tasha e depois me olhou. “Guardião Belikov. Parece que hoje é o dia de nos encontrarmos. Já é a segunda vez, não? Sempre que lhe vejo, informações interessantes surgem.” Ele falou acendendo um cigarro, como se olhasse em torno de mim e de Tasha e eu confesso que não entendi essas últimas palavras e nem o seu olhar. Mesmo assim, não estava com paciência para ninguém, muito menos para ele, então, coloquei minha máscara fria e dura de guardião.

“Não é permitido fumar nos corredores, Lord Ivashkov. Aconselho que procure uma área aberta e arejada para fazer isso.”

Adrian, obviamente, ignorou o que eu falei. Antes, deu uma longa tragada e depois soltou lentamente a fumaça na minha direção, em um claro gesto de deboche. Eu permaneci olhando para ele, friamente, sentindo o cheiro forte do seu cigarro de cravos da índia invadir meu nariz.

“É um mau hábito, como diz Rose.” Ele falou dando um sorriso misterioso. “Ah, Tasha, devo dizer, de alguma forma, você está resplandecendo como o ouro agora.” Ele disse com ar arrogante, embora sua voz saísse sedutora. Meu estômago se revirou ao ouvi-lo pronunciando o nome de Rose. Tasha sorriu e deu um passo até ele.

“Guarde seus galanteios, Adrian. Eles não funcionam em mim. Não gosto de pessoas presunçosas.”

Se ainda era possível, a postura de Adrian se tornou ainda mais superior, enquanto um sorriso preguiçoso surgiu em seus lábios.

“Ora, ora, ora... quem está sendo presunçosa agora? Não foi um galanteio. Foi uma constatação de um fato. Você não faz o meu tipo.” Ele olhou para mim, ainda sorrindo e acrescentou. “Nada contra as mais velhas, mas as mais jovens têm sido mais interessantes, você sabe. Rose, por exemplo, é uma garota devastadora, apesar da idade.”

Tasha pareceu não notar a ironia nas palavras dele. Sinceramente, eu nem sei se havia ironia ou se era uma paranóia minha. Talvez não, eu não sabia dizer o quanto ele tinha ouvido quando eu estava conversando no corredor com Rose.

“É eu sei disso. Eu soube do que você fez com Rose uma noite dessas.” A voz de Tasha era feroz, como tinha sido na reunião, que ela tinha praticamente liderado mais cedo. Ela olhou para mim. “Christian me contou que todos estão comentando que ele deixou Rose embriagada uma noite dessas, na varanda que dá para o pátio da pista de sky.”

Eu senti o ciúme me tomar. Era a primeira vez que eu estava ouvindo aquela história. Eu não queria acreditar que aquilo fosse verdade, mas eu tinha visto Rose bebendo na piscina, então tinha um certo fundamento. Eu me perguntava o quê Rose tinha com esse pedante da realeza e quando isso tinha começado. Definitivamente, eu não podia deixar Rose sem monitoramento. Dois dias que me mantive afastado, esse Adrian Ivashkov surge diante dela.

“Rose é uma boa garota, e eu gosto muito dela, não vou admitir que você a use, como faz com tantas outras. Ela não será mais um troféu na sua estante.” Tasha continuou defendendo Rose e eu me surpreendi. Eu não imaginei que ela gostasse tanto de Rose assim. Soava um tanto quanto estranho, não natural.

Eu esperava mais uma risada sarcástica de Adrian, que não veio. Em um gesto tão desrespeitoso, como espontâneo, ele jogou o cigarro no chão e o pisou. Quando ele olhou novamente para Tasha, não havia qualquer resquício do Adrian despreocupado que falava conosco há pouco. Seu rosto era duro e sombrio, suas linhas se tornaram fortemente marcadas. Seus olhos verdes irradiavam algo negro, como se uma terrível tempestade fosse sair deles a qualquer momento.

“Você? Você?” Ele exclamou com um tom totalmente descontrolado. “De todas as pessoas?” Os olhos dele pararam por breves segundos na cicatriz do rosto de Tasha, a analisando. “Deveria saber que não se deve propagar boatos. Muitos deles, não têm fundamentos - são mentiras. Já outros. Podem muito bem ser verdade. Dependendo do quanto conhecemos seus personagens, temos como saber. É fácil detectar mentiras, quase sempre.”

Ele virou rapidamente seu rosto para o lado, respirando pesadamente, pegando novamente um cigarro, o acendeu, sem nos encarar. Quando ele retornou, seu usual porte de arrogância tinha voltado.

“Eu sinto por ter interrompido a conversa de vocês. Preciso ir agora. Tenham uma boa noite.” Ele disse com desdém e saiu andando pelo corredor. Tasha me olhou pasmada.

“O quê foi isso?” ela perguntou com os olhos arregalados.

“Não sei.” Falei pensativo, me perguntando se Tasha tinha usado essa oportunidade para me fazer saber do que estavam falando sobre Rose, já que ela sabia que eu não gostava de fofocas e não daria ouvidos se ela viesse simplesmente me contar. Essa idéia me aborreceu. Muito.

“Ah, deixa para lá. Onde estávamos?” Tasha falou, jogando os braços no meu pescoço e levando os lábios até os meus. Em uma atitude quase mecânica, eu segurei seus punhos, me esquivando de seu abraço.

“Eu realmente preciso descansar, Tasha. Vejo você mais tarde.” Falei secamente, começando a andar pelo corredor. Eu tinha decidido ir de escada. Ela ainda andou uns passos atrás de mim.

“Não vai ter mais tarde, Dimka. Você estará trabalhando, lembra?”

“Então, eu vejo você amanhã.” Apressei os meus passos e virei no corredor, à esquerda, sem olhar para trás.
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CAPÍTULO 24

Mensagem por shadowangel em Dom Ago 26, 2012 11:57 am

Pequena dhampir? Que espécie de cumprimento era esse? Levei rápidos segundos para perceber que era dirigido a Rose. Virei meu rosto e vi um Moroi da realeza que nos olhava de forma presunçosa. Eu o conhecia de vista e pela sua reputação. E que péssima reputação. Ele se chamava Adrian Ivashkov e era membro de uma as famílias reais mais ricas, poderosas e influente. Também se comentava que ele era o sobrinho preferido da rainha Tatiana, e isso dava a ele um grande status. Ele, especialmente, era de uma arrogância e pretensão que provocava repúdio só de olhar. Mas, ao mesmo tempo, tinha algo nele que atraía a nossa atenção e prendia os nossos olhares. Era muito estranho e impressionante isso que ele causava nas pessoas. Ele vivia cercado de garotas e amigos boêmios. Era encontrado freqüentemente bêbado, não respeitava nada e ninguém, vivia uma vida despreocupada e desregrada.

Ele me deu um breve aceno em reconhecimento. Eu olhei de relance para Rose que o encarava visivelmente constrangida. Provavelmente ela se perguntava o mesmo que eu. O quanto aquele Moroi tinha ouvido da nossa conversa?

“Eu não quero interromper nada. Só queria falar com você, quando tiver tempo.” Ele disse em um tom casual e eu pude perceber que, de alguma forma, eles se conheciam. Mas de onde? Como? Que tipo de relação Rose tinha com alguém como ele? Ao mesmo tempo em que milhares de perguntas invadiram minha mente, senti o ciúme ferver dentro de mim, correndo como fogo em minhas veias.

Rose parecendo percebe aquele sentimento que me invadia, deu um sorriso que eu classificaria como terrivelmente perigoso e caminhou até Adrian, de forma doce e encantadora, tocou em seu braço. Eu tive que usar cada milímetro do autocontrole que eu tinha para não avançar em cima dela e afastá-la daquele Moroi. A sensação era tão desnorteante que eu sentia minhas têmporas latejarem.

“Eu tenho tempo agora.” Ela falou suavemente para Adrian, que pareceu receber de bom grado a insinuação dela. Depois, Rose me olhou fingindo inocência, enquanto se afastava pelo corredor. “Vejo você depois, Guardião Belikov.” Ela sorriu e deu um pequeno aceno. Ela estava claramente me provocando. E estava conseguido. Eu não sabia o que pensar daquilo.

Eu observei Rose se afastar com Adrian, sem conseguir tirar os olhos dela, até que eles dobraram no corredor. A princípio, tive um impulso de sair seguindo os dois e quem sabe até arrastar Rose para longe dele, mas logo o senso do ridículo me bateu. Eu não podia fazer isso. Mas ainda sentia os efeitos do ciúme me dominando. Aquela sensação era terrível e eu nunca tinha sentido assim tão forte. Minha garganta estava seca e minha vista turva. Meu estômago revirava e eu tinha a impressão que nunca mais ia conseguir pensar racionalmente de novo. Eu precisava fazer algo e então uma idéia me surgiu.

Sai andando rápido pelo corredor, seguindo a direção oposta a deles, passando pelas pessoas que ainda estavam apavoradas devido ao novo ataque dos Strigois. Cada grupo, cada conversa só tinha este assunto e o medo tinha tomado conta de todos. Eu passei por todo mundo como um borrão. Segui para a ala da segurança e entrei na sala onde eram feitos os monitoramentos das câmeras de segurança espalhadas pelo hotel. Cada espaço comum, cada salão, cada corredor era monitorado ali. À exceção dos quartos, pois os hóspedes precisavam ter uma certa privacidade. Era uma sala com uma parede coberta de telas LCD, onde imagens se alternavam a cada momento. As câmeras eram de alta definição e podíamos ver tudo nos mínimos detalhes.

Na frente das telas tinham quatro ilhas de observação, que eram basicamente mesas com computadores e mais telas onde um operador gravava e observava tudo. Apenas um guardião estava ali e para sorte minha, era um que eu tinha bastante proximidade. Mark. As demais ilhas estavam vazias. A maioria dos alunos estava acompanhada por seus pais, então, esse tipo de monitoramento não era tão necessário.

Assim que entrei na sala, como um imã, meus olhos pararam em uma das telas onde Rose, Adrian, Lissa, Christian e mais um grupo de colegas conversavam.

“Olá Mark. Eu preciso monitorar a Princesa, mas não posso segui-la. Será que eu poderia usar uma destas ilhas?” Perguntei ainda tentando controlar minha respiração e parecer convincente.

“Claro, Belikov. Venha, eu lhe mostro como funciona.”

Ele me apontou uma das mesas do canto e me deu rápidas instruções do seu funcionamento. Ensinou como trocar as imagens de uma câmera para outra, como gravar e como usar o zoom.

“Este botão aproxima e este afasta. Você vai poder segui-la por todo hotel, a menos que ela entre em algum quarto.”

Eu agradeci e ele me deixou ali, sozinho, olhando para as telas. Eles ainda conversavam parados no corredor. Pouco tempo depois começaram a seguir na direção do SPA. Era um local cheio de piscinas térmicas naturais, que ficavam no subsolo do hotel, apesar de ser construído de pedra rústicas, era elegantemente decorado. Vários Morois da alta elite se divertiam e bebiam, aparentemente era uma festa particular. Eu não podia acreditar que estávamos vivendo o terror de um novo ataque Strigoi, um maior do que dos Badicas e Rose estava indo se divertir em uma festa. Uma festa de Morois ricos. Observei quando ela saiu do vestiário, juntamente com Lissa, vestindo apenas um biquíni marrom. Eu apliquei um zoom na imagem para poder observá-la melhor. Ver Rose em trajes mínimos definitivamente não me fez bem. Toda sensação que eu experimentei naquele feitiço lançado por Victor voltou a mim. Se eu fechasse meus olhos era como se eu pudesse tocá-la a qualquer momento. Tentei afastar aqueles pensamentos e me voltei para a imagem na minha frente. Rose e Lissa estavam sozinhas em uma das piscinas e eu agradecia mentalmente por Adrian não estar por perto. Ele estava longe delas, em um grupo cheio de garotas. Pouco tempo depois, os demais colegas da Academia delas vieram e se juntaram eles conversavam e Rose bebia. Novamente um comportamento imprudente. Mesmo assim, eu agradecia mentalmente por Adrian não estar com ela.

Meu desejo era monitorar cada segundo daquela festa, mas eu não pude observar por mais tempo. O telefone da sala tocou e a realidade voltou para mim.

“Boas e más notícias.” Mark respondeu colocando o telefone na base. “O endereço de Spokane era falso. O número da cada não existia. Mas novas evidências surgiram, estamos cada vez mais perto de descobrir o esconderijo deles.”

Senti o senso de responsabilidade voltar para mim. Eu tinha deixado tanto o ciúme tomar conta de mim que tinha esquecido completamente que deveria voltar ao meu posto depois da reunião dos Morois e continuar ajudando nas investigações.

“E que evidências seriam estas?”

“Algumas ligações foram interceptadas e estão sendo rastreadas.” Ele me deu um olhar cheio de esperança. “Você acha que o Conselho dos Guardiões vai autorizar o ataque aos Strigois?”

“Difícil dizer, mas acho provável. Todos estão sendo pressionados a agir.” Eu dei uma nova olhada para tela e Rose ainda conversava na piscina. “Eu deveria voltar ao meu posto agora. Acho que a Princesa não entrará em problemas.”

Mark olhou para a parede onde as telas alternavam imagens do hotel. “Eu fico de olho para você. Esses garotos. Mal imaginam o que lhes esperam.”

Eu agradeci e sai direto para o quarto de Janine, onde o trabalho não parava. Peguei os relatórios e me inteirei dos novos fatos, mas não havia nada de diferente do que Mark havia dito. Eu ainda me sentia a fadiga me tomando e também profundamente irritado com toda aquela situação que Rose estava e não me sentia muito disposto a cooperar ali. Então, como eu tinha um novo turno começando em poucas horas, resolvi ir ao meu quarto, descansar um pouco para retornar ao trabalho.




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CAPÍTULO 25

Mensagem por shadowangel em Seg Set 03, 2012 7:08 pm

Eu estava esperando o elevador, quando a voz de Tasha ecoou pelo corredor. E, pela primeira não me senti nada animado em falar com ela. Ok, eu estava muito irritado com Rose e podia estar misturando tudo, por isso, me esforcei para ser simpático. Ou pelo menos, não irradiar irritação.

“Dimka! Ai está você. Estou lhe procurando há horas e não lhe encontrei em lugar algum. Você saiu de repente da reunião e eu não lhe vi mais.” Seu tom era extremamente leve e descontraído. Mesmo sem sugerir uma cobrança, eu não gostava de alguém tentando me controlar.

“Bem, Tasha, estou aqui a trabalho. Estava em serviço até agora.” Não deixava de ser verdade, já que eu estava tecnicamente vigiando o ambiente onde Lissa estava.

“Você trabalha demais, Dimka. Eu já disse a você –“

O elevador finalmente chegou a interrompendo. Eu fiz sinal que ia entrar, mas Tasha colocou a mão na frente, me impedindo de passar, com um olhar crítico “Onde você pretende ir? Ah não, não me diga que vai se trancar no quarto de novo? Dimka! Você está em uma maravilhosa estação de sky! Não pode ficar trancado em um quarto lendo livros.”

“Eu não estou aqui como hóspede, Tasha.” Falei, lutando para não soar impaciente, mas tudo que eu menos queria era conversar. Ainda mais sobre meus hábitos. Eu considerava os meus livros uma grande diversão. Mas o que eu queria mesmo era ficar só. “Eu estive em serviço até agora e estou escalado para o próximo plantão. Queria descansar um pouco, antes disso.”

“Eu poderia –“ Ela começou a falar suavemente, mas o outro elevador abriu, a interrompendo novamente. Só que, dessa vez, uma pessoa inesperada colocou o rosto para fora e, quando nos viu ali, saiu. Adrian Ivashkov. Definitivamente, era a última pessoa que eu queria ver. Ele usava um roupão felpudo de banho e chinelos, que só de olharmos dava pra saber que era coisa cara, mas não deixava de ser totalmente inapropriado para as áreas comuns de um hotel luxuoso daqueles. Provavelmente vinha de sua festa particular nas piscinas térmicas. Senti meu espírito se remexer dentro de mim de forma ruim. Eu não gostava dele, principalmente não gostava dele por ter visto ele com Rose.

Ele saiu do elevador sorrindo presunçosamente. Olhou para mim e para Tasha, depois puxou do bolso de seu roupão um maço de cigarros.

“Como vai Lady Ozera, quanto tempo.” Ele falou inclinando a cabeça na direção de Tasha e depois me olhou. “Guardião Belikov. Parece que hoje é o dia de nos encontrarmos. Já é a segunda vez, não? Sempre que lhe vejo, informações interessantes surgem.” Ele falou acendendo um cigarro, como se olhasse em torno de mim e de Tasha e eu confesso que não entendi essas últimas palavras e nem o seu olhar. Mesmo assim, não estava com paciência para ninguém, muito menos para ele, então, coloquei minha máscara fria e dura de guardião.

“Não é permitido fumar nos corredores, Lord Ivashkov. Aconselho que procure uma área aberta e arejada para fazer isso.”

Adrian, obviamente, ignorou o que eu falei. Antes, deu uma longa tragada e depois soltou lentamente a fumaça na minha direção, em um claro gesto de deboche. Eu permaneci olhando para ele, friamente, sentindo o cheiro forte do seu cigarro de cravos da índia invadir meu nariz.

“É um mau hábito, como diz Rose.” Ele falou dando um sorriso misterioso. “Ah, Tasha, devo dizer, de alguma forma, você está resplandecendo como o ouro agora.” Ele disse com ar arrogante, embora sua voz saísse sedutora. Meu estômago se revirou ao ouvi-lo pronunciando o nome de Rose. Tasha sorriu e deu um passo até ele.

“Guarde seus galanteios, Adrian. Eles não funcionam em mim. Não gosto de pessoas presunçosas.”

Se ainda era possível, a postura de Adrian se tornou ainda mais superior, enquanto um sorriso preguiçoso surgiu em seus lábios.

“Ora, ora, ora... quem está sendo presunçosa agora? Não foi um galanteio. Foi uma constatação de um fato. Você não faz o meu tipo.” Ele olhou para mim, ainda sorrindo e acrescentou. “Nada contra as mais velhas, mas as mais jovens têm sido mais interessantes, você sabe. Rose, por exemplo, é uma garota devastadora, apesar da idade.”

Tasha pareceu não notar a ironia nas palavras dele. Sinceramente, eu nem sei se havia ironia ou se era uma paranóia minha. Talvez não, eu não sabia dizer o quanto ele tinha ouvido quando eu estava conversando no corredor com Rose.

“É eu sei disso. Eu soube do que você fez com Rose uma noite dessas.” A voz de Tasha era feroz, como tinha sido na reunião, que ela tinha praticamente liderado mais cedo. Ela olhou para mim. “Christian me contou que todos estão comentando que ele deixou Rose embriagada uma noite dessas, na varanda que dá para o pátio da pista de sky.”

Eu senti o ciúme me tomar. Era a primeira vez que eu estava ouvindo aquela história. Eu não queria acreditar que aquilo fosse verdade, mas eu tinha visto Rose bebendo na piscina, então tinha um certo fundamento. Eu me perguntava o quê Rose tinha com esse pedante da realeza e quando isso tinha começado. Definitivamente, eu não podia deixar Rose sem monitoramento. Dois dias que me mantive afastado, esse Adrian Ivashkov surge diante dela.

“Rose é uma boa garota, e eu gosto muito dela, não vou admitir que você a use, como faz com tantas outras. Ela não será mais um troféu na sua estante.” Tasha continuou defendendo Rose e eu me surpreendi. Eu não imaginei que ela gostasse tanto de Rose assim. Soava um tanto quanto estranho, não natural.

Eu esperava mais uma risada sarcástica de Adrian, que não veio. Em um gesto tão desrespeitoso, como espontâneo, ele jogou o cigarro no chão e o pisou. Quando ele olhou novamente para Tasha, não havia qualquer resquício do Adrian despreocupado que falava conosco há pouco. Seu rosto era duro e sombrio, suas linhas se tornaram fortemente marcadas. Seus olhos verdes irradiavam algo negro, como se uma terrível tempestade fosse sair deles a qualquer momento.

“Você? Você?” Ele exclamou com um tom totalmente descontrolado. “De todas as pessoas?” Os olhos dele pararam por breves segundos na cicatriz do rosto de Tasha, a analisando. “Deveria saber que não se deve propagar boatos. Muitos deles, não têm fundamentos - são mentiras. Já outros. Podem muito bem ser verdade. Dependendo do quanto conhecemos seus personagens, temos como saber. É fácil detectar mentiras, quase sempre.”

Ele virou rapidamente seu rosto para o lado, respirando pesadamente, pegando novamente um cigarro, o acendeu, sem nos encarar. Quando ele retornou, seu usual porte de arrogância tinha voltado.

“Eu sinto por ter interrompido a conversa de vocês. Preciso ir agora. Tenham uma boa noite.” Ele disse com desdém e saiu andando pelo corredor. Tasha me olhou pasmada.

“O quê foi isso?” ela perguntou com os olhos arregalados.

“Não sei.” Falei pensativo, me perguntando se Tasha tinha usado essa oportunidade para me fazer saber do que estavam falando sobre Rose, já que ela sabia que eu não gostava de fofocas e não daria ouvidos se ela viesse simplesmente me contar. Essa idéia me aborreceu. Muito.

“Ah, deixa para lá. Onde estávamos?” Tasha falou, jogando os braços no meu pescoço e levando os lábios até os meus. Em uma atitude quase mecânica, eu segurei seus punhos, me esquivando de seu abraço.

“Eu realmente preciso descansar, Tasha. Vejo você mais tarde.” Falei secamente, começando a andar pelo corredor. Eu tinha decidido ir de escada. Ela ainda andou uns passos atrás de mim.

“Não vai ter mais tarde, Dimka. Você estará trabalhando, lembra?”

“Então, eu vejo você amanhã.” Apressei os meus passos e virei no corredor, à esquerda, sem olhar para trás.

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CAPÍTULO 26

Mensagem por shadowangel em Ter Nov 13, 2012 11:59 am

Passei o resto da minha noite fazendo rondas pela extensão do terreno do resort. Com o ataque aos Drosdovs, foi reforçado o número de guardiões em plantão, principalmente nas entradas e fronteiras, sempre com cuidado nas wards. Tudo que sabíamos, estava sendo revisto. Com humanos ajudando Strigois, procurar estacas ou qualquer outra coisa que pudesse quebrar as wards estava se tornando quase uma obsessão. O guardião responsável pela ronda tinha que checar isso o tempo inteiro, tornando a tarefa extremamente cansativa.

Quando meu turno acabou, passei em um dos quartos, que tinha sido transformado em um verdadeiro QG. Alberta estava lá, sempre incansável.

“Algo novo aqui?” Perguntei folheando algumas páginas que estavam em cima de uma mesa de reuniões.

“Apenas pequenos fatos, nada relevante.” Alberta falou, com ar extremamente cansado. “Você tem algo para fazer agora?”

“Não, terminei meu turno há pouco.”

“Eu estava pensado se você poderia me render por um momento, enquanto eu passo no meu quarto, preciso comer algo e de um banho, também. Já estou nisso há quase um dia inteiro.” Ela estendeu seu olhar para a mesa onde um mapa da região estava aberto e relatórios se empilhavam. Eu assenti e aproveitei para ler as notícias que chegaram em quanto eu estava no meu turno. De fato, nada de interessante tinha sido descoberto. Quando Alberta retornou, decidi ir até o quarto de Janine, ver se algo novo tinha surgido para ela. Alguns guardiões estavam lá de prontidão, também estavam montando diversas estratégias de ataque, caso fosse autorizado que saíssemos à caça de Strigois. Aquilo era algo que me interessava muito e, confesso, também me deixava muito excitado. Só de pensar em estar em ação, sentia a adrenalina correr pelo meu corpo. Conversando com os guardiões, pude sondar que isso também era algo que a grande maioria queria. Os Strigois estavam saindo dos seus hábitos naturais e isso também deveria nos forçar a deixar os nossos antigos costumes.

Eu vinha completamente perdido em meus pensamentos quando uma voz familiar veio de um dos corredores, da ala dos Ivashkovs.

“Não me mande mais presentes.” Era a voz de Rose, que soou um pouco enraivecida. Senti eu coração pular com aquele som e então, com a curiosidade me tomando, diminui meus passos e comecei a pisar suavemente.

“Não é um presente. É uma utilidade pública. Que mulher não tem um perfume?” Uma voz masculina falou, em um tom divertido, e eu me forcei a lembrar onde tinha ouvido aquela voz. Mesmo assim, ao que parecia, alguém estava presenteando Rose e eu não gostei nada daquilo.

“Não faça isso de novo.” O tom de Rose era extremamente firme. Eu parei no corredor, antes de dobrar uma das quinas, com toda minha atenção voltada para o que se passava há poucos metros de mim. Eu sabia que deveria seguir para o quarto de Janine e deixar Rose com a sua própria vida, mas eu não conseguia conter minha curiosidade.

“Rose? É você?” Agora foi a vez de Lissa falar, com o som um pouco distante, me deixando ainda mais curioso.

“O quê você está fazendo aqui?” A voz de Rose saiu estranhamente surpresa.

“O quê você está fazendo aqui?” Lissa devolveu a pergunta. Aquilo estava realmente me intrigando. Com a ligação, Rose deveria saber onde Lissa estava, sempre.

“Senhoritas, senhoritas. Não é necessário brigar por mim.” O tom provocativo e presunçoso fez a conversa da noite passada retornar a mim. Aquela era a voz de Adrian Ivashkov. Ele mesmo! Novamente ele. Esse reconhecimento fez meu corpo reagir e sem pensar em mais nada, somente obedecendo a um impulso, caminhei apressadamente até eles.

“Nós não estamos brigando. Eu só queria saber o quê está acontecendo aqui.”

“Eu também.” Falei, parando atrás de Rose, que estava em pé na porta do quatro, e lancei um olhar afiado para Adrian. Ela se virou imediatamente, com o susto saltando dos seus olhos. Obviamente, ela não esperava que eu aparecesse ali, ainda mais tão repentinamente. Tentando manter minha linha dura de guardião, passei pela porta, olhando tudo em volta e vendo Lissa, sentada em uma das poltronas, depois olhei atentamente para Rose e para Adrian.

“Garotos e garotas estudantes não podem entrar no quarto um dos outros.” Soltei, tentando soar como um instrutor rigoroso da Academia. Eu sabia que Adrian não era um estudante, mas as regras de conivência da escola ainda estavam valendo ali.

“Porque você está fazendo isso?” Rose perguntou para Adrian.

“Fazendo o quê?” O tom dele ainda era despreocupado e me ignorava por completo.

“Fazendo que a gente fique mal na foto.” A expressão de Rose era realmente preocupada. Mesmo assim, mantive meu rosto sério, sem conseguir entender o que ela estava fazendo novamente com Adrian Ivashkov. Eu só sabia que aquilo me perturbava bastante.

Adrian riu. “Foi vocês que vieram aqui.”

“Você não deveria ter deixado que elas entrassem.” Eu repreendi severamente. “Você com certeza conhece as regras da St. Vladmir.”

Ele riu ainda mais, fazendo com que eu me sentisse momentaneamente como um idiota. “Sim, mas eu não tenho que seguir as regras estúpidas de escola alguma.”

Eu reuni todo controle que eu tinha para manter minha voz fria e imparcial. Eu não podia me deixar abalar pelo tom provocativo dele. Mas estava sendo difícil não voar no pescoço dele.

“Talvez não, ainda assim eu esperava que você ao menos respeitasse essas regras.”

Adrian rolou os olhos. “Estou meio surpreso de encontrar você me dando sermões sobre garotas menores de idade.”

Aquelas palavras dele quase me tiraram do sério. Senti a raiva passar por mim como uma onda destrutiva. Por milésimos de segundos, achei que eu não fosse conseguir me controla e que eu iria partir para cima daquele Moroi. Ver ele com Rose era algo que me enlouquecia. Mas ele era da realeza e de uma família muito importante. Eu realmente estaria em uma péssima situação se me deixasse levar pela emoção. Reuni todo controle que pude, tentando prender toda aquela tormenta dentro de mim. Senti meus punhos fecharem quase involuntariamente.

"Mesmo assim, não aconteceu nada demais aqui. Só estávamos conversando."

“Se você quer conversar com garotas mais novas, faça nas áreas públicas.” Falei, ainda tentando soar como disciplinador e tentando desviar o tom da conversa, mas não adiantou. Aquelas minhas palavras só fizeram Adrian sorrir ainda mais, só que, dessa vez, de uma forma muito estranha e sombria.

“Garotas mais novas? Garotas mais novas?” A voz dele era quase irreconhecível e sua expressão e de um negro assustador. “Claro. Novas e velhas ao mesmo tempo. Umas mal viram algo na vida. Outras, já viram muito. Uma marcada com a vida, outra marcada com a morte... Mas são com elas com quem você se preocupa? Se preocupe com você mesmo, dhampir. Se preocupe com você e comigo. Nós somos os garotos mais novos.”

Apesar de parecerem insanas, eu entendi perfeitamente as palavras dele. Ele se referia a Rose e a Tasha. Ele se referia a mim e a ele. Eu realmente deveria me preocupar com ele, da mesma forma que Rose estava se preocupando com Tasha. Ele estava interessado em Rose. Eu o encarei profundamente, e observei quando sua expressão se tornava calma e relaxada novamente. Ele se virou e caminhou até a janela, nos olhando casualmente, enquanto puxava um cigarro.

“Vocês deveriam ir embora. Ele está certo. Eu sou uma má influência."
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Re: [FanFic] Frostbite (Aura Negra) - Por Dimitri Belikov

Mensagem por Amanda Gomes Ribeiro em Seg Dez 10, 2012 5:59 pm

Ai quando vc vai postar o proximo capitulo.... to super ansiosa!!!! porfavor não demore

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CAPÍTULO 27

Mensagem por shadowangel em Dom Mar 31, 2013 1:56 pm

Apressadamente, saímos do quarto de Adrian. Lissa e Rose pareciam surpresas e assustadas com aquela mudança repentina dele. Eu mesmo não tinha entendido nada, ou melhor, nada com relação ao seu humor. Mesmo assim, achei melhor pensar que era mais uma excentricidade de um garoto rico, que tinha tudo que queria, como tantos que a gente via por aí.

“Isso foi... estranho.” Rose falou, enquanto caminhávamos na direção do lobby. Era o que eu pensava também.

“Muito.” Falei ainda me sentindo intrigado com aquelas palavras dele. Eu sabia que ele tinha ouvido alguma parte da conversa que eu e Rose tivemos no corredor, mas ainda assim, me perguntava como ele tinha chegado a tantas conclusões certeiras. Ele não parecia ser muito observador, ao contrário, agia até com um certo descaso, como então tinha visto tanta coisa relacionada a meus sentimentos? Todo dilema que eu passava com Tasha e Rose... ainda por cima deixou claro as intenções dele. Mas outra coisa me intrigava. Qual relação que Rose tinha com ele? De onde e quando tinha surgido tudo isso?

Quando chegamos ao lobby, Rose e Lissa começaram a seguir para o quarto. “Rose,” eu chamei impulsivamente, “posso falar com você?” Ela e Lissa se entreolharam, enquanto um grupo de Morois passava por nós, era um grupo que partia do resort, como tantos outros, apavorados com Strigois. Nós paramos em uma entrada perto dos aposentos e Rose ainda observava o agito das pessoas que saíam do hotel.

“Aquele é Adrian Ivashkov.” Falei, sem conseguir esconder o repúdio que eu sentia por ele.

“É, eu sei.” Ela respondeu diretamente, sem se delongar. Eu tinha vontade de pressioná-la para que ela respondesse tudo que eu queria saber sobre eles dois, mas definitivamente, aquela não era uma boa idéia, então, tateei com as palavras.

“É a segunda vez que vejo vocês juntos.” Tentei soar casual, esperando que ela desenvolvesse melhor a resposta dessa vez.

“É. Nós nos encontramos, às vezes.” Eu arqueei minhas sobrancelhas, sentindo a surpresa passar por mim. Eles se encontravam? Apesar da resposta dela continuar vaga, aquela informação fez algo ruim mexer dentro de mim.

“Você vai muito ao quarto dele?” Perguntei fingindo calma, inclinando a cabeça na direção do quarto de Adrian.

Os olhos de Rose acenderam em uma malícia que eu conhecia bem. Um leve sorriso saiu dos seus lábios. Ela me olhou diretamente nos olhos e colocou uma firmeza na voz que me surpreendeu. “O quê acontece entre mim e ele não é da sua conta.” Eu reconheci imediatamente aquela resposta. Tinha sido a mesma que eu dei a ela, quando ela me questionou sobre Tasha. Ela tinha copiado o meu tom de voz também, fazendo com que eu me sentisse um idiota. E então, como um verdadeiro idiota, falei uma das maiores bobagens.

“Na verdade, enquanto você freqüentar a Academia, o que você faz é da minha conta, sim.”

“A minha vida pessoal não. Você não tem direito a opinião alguma sobre ela.” Rose, parecia ter percebido que eu tinha perdido a razão e me deu uma resposta segura. Ela tinha razão, mas eu não conseguia mais conter meu incômodo.

“Você não é uma adulta ainda.” Falei duramente e impulsivamente. Eu sabia que aquele era um assunto que a machucava, e esperei que ela perdesse um pouco daquele ar de superioridade que ela tinha, apesar de estar certa. Eu não podia opinar sobre sua vida pessoal.

“Eu estou bem perto disso. Além do mais, não é como se eu fosse magicamente me tornar uma adulta no dia do meu aniversário de dezoito anos.”

“Isso é óbvio.” Soltei sem pensar em quão duro isso saiu, até que percebi seu rosto ficar vermelho. Aquilo tinha mesmo desmontado Rose.

“Não foi isso que eu quis dizer... eu quis dizer que-“ A voz dela tinha perdido toda firmeza de poucos minutos atrás.

“Eu sei o quê você quis dizer e os detalhes técnicos não importam agora.” Eu a cortei, me recusando a começar uma nova discussão sobre maturidade. Eu estava mais interessado em saber sobre o relacionamento dela com Adrian Ivashkov e mantê-la longe dele. “Você é uma aluna da Academia. Eu sou o seu mentor. É o meu trabalho lhe ajudar e manter você longe de problemas. Estar no quarto de alguém como ele... bem, não é seguro.”

“Eu sei como lidar com Adrian Ivashkov.” Ela murmurou, ainda chateada. “Ele é estranho – realmente estranho – mas inofensivo.”

Novamente, me senti péssimo. Ouvir da própria Rose que ela sabia como lidar com alguém como Ivashkov era algo que me feria.

“Por falar em vidas pessoais...” Ela continuou falando, sem perceber o quanto eu tinha me importado com aquilo. “Eu suponho que você estava indo visitar Tasha, hum?”

“Na verdade, eu estava vendo a sua mãe.” Respondi quase que mecanicamente, sem mais cabeça para entrar em uma nova discussão.

“Você vai ficar com ela também?”

Era claro que Rose não estava falando sério, então eu me limitei a lhe dar um olhar cansado. Era realmente impressionante com ela agia e falava sem pensar quando o assunto era Tasha.

“Não. Estávamos olhando alguns dados novos sobre o ataque dos Strigois aos Drosdovs.”

Ela me deu um olhar sério, com a responsabilidade passando pelo seu rosto. Essa era uma das coisas que eu mais admirava em Rose. quando se tratava do dever, ela era extremamente séria e amadurecida. Eu sempre sentia que podia conversar sobre assuntos de guardiões abertamente com ela.

“O quê vocês descobriram?”

“Nós conseguimos rastrear alguns Strigois. Ou pelo menos, os humanos que estavam com eles. Algumas testemunhas que moravam perto, viram os carros que o grupo usou. As placas eram de diferentes estados – o que nos levou a crer que o grupo se dividiu, para dificultar tudo. Mas uma das testemunhas anotou o número da placa. Está registrada em um endereço de Spokane.”

“Spokane?” ela perguntou com incredulidade . “Spokane, Washington? Quem escolhe Spokane para se esconder?”

“Os Strigois, ao que tudo indica. O endereço era falso, mas outras evidências mostraram que eles estiveram mesmo lá. Tinha meio que um shopping com túneis subterrâneos. Strigoi foram vistos na área.”

Rose franziu seu rosto. “Então... Você vai atrás deles? Alguém vai? Eu quero dizer, era isso que Tasha estava dizendo o tempo todo... se nós sabemos onde eles estão...” Ela soava empolgada, como se quisesse partir para o ataque junto conosco. Muitos guardiões também estavam assim, inclusive eu, mas sabíamos que não podíamos ir sem ter certeza de tudo.

Eu neguei com a cabeça, o que Tasha estava propondo naquela reunião era impraticável, pelo menos atualmente. “Os guardiões não podem fazer nada sem a permissão dos superiores. Isso não vai acontecer tão cedo.”

Ela suspirou impaciente. “Porque os Moroi falam muito.”

“Eles só estão sendo cuidadosos.”

“Vamos lá. Nem você pode querer ser tão cuidadoso. Você sabe onde os Strigois estão escondidos. Strigois que massacraram crianças. Você não quer ir atrás deles quando eles menos esperam?”

O pior era que eu queria, mas não podia falar isso abertamente para Rose. eu tinha o dever de ensiná-la a ser racional.

“Não é tão fácil. Nós respondemos ao Conselho dos Guardiões e ao Governo Moroi. Nós não podemos só fugir e agir impulsivamente. E, de qualquer forma, nós ainda não sabemos tudo. Você nunca deve entrar numa situação sem saber os detalhes.”

“Lições de vida Zen, de novo.” Ela suspirou, colocando os cabelos atrás da orelha. Eu observei fascinado aquele gesto casual dela e, por um segundo, o mundo pareceu perfeito. “Porque você me contou isso?” Ela continuou. “Isso é coisa de guardiões. Não é o tipo de coisa que se conta aos aprendizes.”

Senti um enorme carinho por ela tomar conta de mim e, de repente, toda aquela pirraça que tínhamos um com o outro pareceu tola. Não tinha como eu não gostar dela. Eu me sentia realmente arrependido por ter brigado tanto com ela, por ter dito tantas coisas duras a ela.

“Eu disse algumas coisas... o outro dia e hoje... que eu não devia. Coisas que insultaram a sua idade. Você tem 17 anos... mas você é capaz de lidar e processar a mesma coisa que pessoas muito mais velhas que você.”

O rosto dela se tornou doce e amável. Um suave sorriso apareceu em seus lábios e eu confesso que essa era uma das visões que eu mais gostava de ter.

“Verdade?”

Eu acenei. “Você ainda é bem jovem em vários sentidos – e às vezes age de modo imaturo – mas o único jeito de mudar isso é tratar você como adulta. Eu preciso fazer mais com mais frequência. Eu sei que você vai ouvir essa informação, entender o quão importante ela é e mantê-la para si.”
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Re: [FanFic] Frostbite (Aura Negra) - Por Dimitri Belikov

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